quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Fica

De tudo o que a vida traz e leva,
Ouso a dizer que nem tudo fica.
Beleza se degenera,
Olho, sentido, crítica.

Amor fica.

Poema de Shakespeare



Soneto 116

"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."  




Love Sonnet 116

Let me not to the marriage of true minds Admit impediments; love is not love Which alters when it alteration finds, Or bends with the remover to remove: O, no, it is an ever-fixèd mark, That looks on tempests and is never shaken; It is the star to every wand'ring bark, Whose worth's unknown, although his heighth be taken. Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks Within his bending sickle's compass come; Love alters not with his brief hours and weeks, But bears it out even to the edge of doom. If this be error and upon me proved, I never writ, nor no man ever loved.

William Shakespeare

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Afeto de quentura

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Todos os dias desejo o mesmo despertar:
Observando seu olhar se abrindo
E sorrindo ao me mirar.

Os verdes sedutores, com cada significar:
Se feliz, sempre vibrantes,
Se triste, vão desbotar.

Reconheço e preciso da sua temperatura
Quando se enrosca em mim 
E me agarra a cintura.

Seus lábios encantam-me a sorrir,
E quando me beijam sorrindo,
Não posso resistir!

Sua barba, cheiro e toco a atrapalhar,
Deixando-o sempre elegante
Diante do meu olhar.

Segure minhas mãos e me leve, criatura!
Agarre-me para sempre assim
Nesse afeto de quentura!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Priorizar-se é doar-se

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Aprendi a ser muitas coisas, e aprendo todos os dias. Estou aprendendo ainda a lidar com o outro e suas necessidades. Há alguns que tem maiores exigências e demandas, outros não. Mas o mais importante, aprendi que não é possível atender a todas as exigências dos outros, e nem é o meu dever. Não é meu dever suprir as carências dos que ainda não se desenvolveram, por que eu também tenho muitas carências e subdesenvolvimentos. Não é o meu fardo estar disponível para qualquer um que suponha merecer a minha disponibilidade, mesmo que eu queira.

A raposa disse que somos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos. Justo, a partir do momento em que nos comprometemos. Compromisso quer dizer, Goste de mim, eu gostarei de você e vamos construir uma relação dessa forma, até que um de nós decidamos romper o contrato. 

Porém, há alguns que precisam demais e de coisas que o outro não se comprometeu a dar,  e nem deu liberdade para que fosse cobrado. Há pessoas que julgam possuir direitos sobre o tempo, a atenção e o carinho do outro, e que esses sejam fornecidos da maneira em que achem adequada. Há pessoas que se magoam com a ausência, o silêncio. Mas, preciso dizer, não é possível suprir todas as necessidades, neném!

Pessoas como eu, possuem a cabeça ocupada por emaranhados de pensamentos a cada décimo de segundo. Abrir os olhos é sinal de uma atividade incessante, não que dormir cessasse essa atividade, quando é possível dormir. Ao fim do dia, a exaustão ocupa lugar de tudo, e o universo já passeou pelos meus pensamentos, com seus problemas, suas questões, suas possíveis soluções. Pensamentos, muitas vezes inúteis para muitos, sobre questões humanas. Como é possível me concentrar e dar a cada um que conheci nesse mundo a atenção que talvez suponham merecer? Isso não quer dizer que eles deixem de passar pelos meus pensamentos, nem que não os queira bem ou que a cada vez que surjam em minha mente eu não lhes deseje profunda felicidade. Só quer dizer que não é possível dar a todos o que cada um sente merecer e ter direito. 

Isso também não quer dizer que há muitas pessoas que necessitem de mim, na verdade, são pouquíssimas. Mas, no desenrolar da existência, precisamos eleger alguns que passarão maior tempo e dividirão todas as reflexões, problemas e soluções conosco, com quem devemos realmente ter um compromisso maior de presença e troca.

Para os cristãos, há a famosa frase, "ame a seu irmão como a si mesmo". É um conceito altruístico, mas que não exclui a individualidade. Se eu não cuidar de mim, da minha individualidade, das minhas necessidades, que só eu conheço, as físicas, as emocionais, as financeiras, todas elas, se eu não estiver inteira, como seria possível dar de mim para alguém? Eu tenho os mesmos direitos que o outro, nem mais nem menos, e eu devo ser a primeira a lutar por eles, sem ser julgada por isso.

Cuidar de si e assumir suas necessidades e suas incapacidades, não é ser egoísta; é ser humano e correto. É ser transparente e justo. É criar a capacidade de doação verdadeira.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Há um monstro em mim todos os meses


Muitas vezes eu me recuso a aceitar que nós somos movidos apenas pela livre associação de hormônios, como se fôssemos algum tipo de máquina ou de poção mágica, que colocando um pouquinho de adrenalina e dosando com dopamina, estrogênio ou outro, podemos destruir o mundo ou aperfeiçoá-lo. Não quero aceitar que somos um amontoado de carne sem controle, personalizados por componentes químicos; porém, quando vejo ao longo de um mês as modificações que as mudanças hormonais causam em mim, penso que isso só pode ser obra do demo. Ainda não encontrei sentido para essa montanha russa de emoções que vivemos periodicamente, e que para muitas mulheres, quase faz acabar o mundo delas e dos outros.

Quando era mais nova, eu não acreditava que existia a tal da TPM, pensava ser tudo invenção. Depois que amadureci e passei a me conhecer melhor e a observar o meu ciclo, percebi que o troço é uma coisa de doido e é batata. São reações incontroláveis e muitas vezes, insuportáveis. Obviamente, as reações são diferente para cada uma, mas poucas são as que não conhecem as mudanças femininas.

Não é só a mulher que pode constatar as mudanças causadas pelos hormônios, os psiquiatras são doutores no assunto, literalmente. Os consultórios estão repletos de pessoas a procura de um remedinho da felicidade que irá resolver magicamente todos os problemas.

Alguns preferem insistir em medidas alternativas, mudança de vida, meditação, que também alteram os níveis de hormônios e a maneira de ver a vida. Até quando os hormônios comandam quem somos e como enxergamos o mundo? Será  que não temos controle nenhum sobre quem gostaríamos de ser?

Não sei. Só espero poder controlar e domar essa fera que sai de mim todos os meses.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Pensar demais


Acho que estou virando uma velha coroca e chata, e os meus textos estão cada vez mais chatos que eu, se é que isso seja possível. Não sou boa para escrever textos científicos ou cientificistas, prefiro tentar utilizar as palavras dando-lhes sensações e transmitindo sensações, sem que alguém precise se esforçar enquanto lê, e sem precisar colocar notinhas de rodapé e referências explicitas. Mas esse meu pensar e essas minhas sensações, e esse meu descobrir diário e ininterrupto, me levaram a pensar sobre a procura do ser humano pelo conhecimento. Parece que, na verdade, tudo o que tem a capa de científico é na verdade uma maneira de descrever ou reescrever algo que poderia, ou que, na verdade, consideram místico. Quando um pensador falou sobre a natureza humana, supôs que todos os seres humanos teriam algo incomum e dissociável de sua raça, uma essência natural. Existe algo mais poético que sugerir que algo possua uma essência, uma característica imutável que surge com cada ser? A essência de uma pedra é ser dura e imóvel, mas do que se trataria a essência de um ser humano? Seria sua alma? Ou seriam características naturais que fazem parte da raça humana, como a maldade? Seria o "homem o lobo do homem"?

Quando negamos a essência humana, e assumimos que o ser humano vai se construindo de acordo com suas escolhas e que essas escolhas dependem de sua vivência, tornando-o o único responsável por seu destino, ainda assim, estamos em busca de uma explicação sobre a humanidade e sobre o que nos torna especiais, ignorando a infinidade de outras espécies existentes apenas no planeta Terra e que não se tornam, nascem. Parece, simplisticamente, uma maneira de mistificar contraditoriamente e racionalmente a humanidade,  negando a sua naturalidade, sua animalidade. Só para polemizar, nesse caso, seria possível a cura gay?


A própria afirmação de que existiria uma ética universal parece algo místico, é como se Deus tivesse criado uma ética e a escolhido como tabua de comportamento adequado para todos os homens da Terra. Dizer que seria possível a existência de uma ética universal, é dizer que os homens possuem uma essência e que são naturalmente isso ou aquilo, o que contradiz muitas outras coisas e teorias.

O mesmo pensamento me ocorre quando penso em estruturas sociais. Muitas vezes parece que se referem a elas como algo que existe além e independentemente da vontade humana ou individual, como se fosse algo pré determinado e necessário, algo que paira sobre o universo. 

Teorias sobre verdade e liberdade, são inúmeras. Cada um abraça a que mais seja compatível com a sua linha de pensamento, mas atreladas a elas, parece que sempre está o direito universal do ser humano. Quem nos deu esse direito, Deus? O universo? A nossa magnitude e superioridade humana? 

Preciso ler mais filosofia, ou talvez, não! Acho que devo gastar o meu tempo com momentos que fazem bem à mente e à minha suposta alma. Talvez essa seja a forma de concluir tudo o que nunca se concluirá, e de tentar encontrar a chave do que chamam de essência humana.



Seres humanos: Interesses individuais ou coletivos?


O homem, na concepção antiga de humanidade, nem sempre se viu da mesma forma, nem sempre se sentiu do mesmo modo.  se no período clássico ele se via como parte do cosmo, na idade moderna passou a se ver como centro do mundo, e isso significou grandes mudanças e desenrolares (não estou bem certa sobre a palavra "avanços") de teorias sobre os diversos aspectos sobre a humanidade e a sociedade. Quem sou eu para ficar aqui divagando sobre questões filosóficas? Apenas uma mulher que possui rudimentos de conhecimentos e uma mente a mil por hora.

Pois bem, o homem descobriu a subjetividade de seu mundo, e o colocou aos seus pés e disposição; ele (o homem) não era mais uma parte de um todo, de uma natureza divina, mas era o ser que poderia moldar seu próprio universo. Apesar de já ter criado Deus à sua imagem há milhares de anos atrás, ainda se via  como um ser totalmente impotente diante da incontestabilidade dos desígnios desse Deus e de sua divindade. Na modernidade, passou a ser o centro das discussões sociais, políticas e filosóficas.

Surgiram então as novas definições sobre justiça e liberdade, as concepções sobre Estado também sofreram modificações. O Estado, escolhido para representar e defender as necessidades do povo, deveria cuidar da segurança desse. O homem viveria então sob o intenso medo da morte, e por esse medo viveria em constante tensão. O indivíduo passa a ser visto como anterior a sociedade, e suas necessidades individuais, a auto realização e a experimentação pelos sentidos passam a ser a base do pensamento. Alguns pensadores, influenciados obviamente pelo seu tempo, colocavam seus argumentos sobre a convivência em sociedade, seja defendendo a propriedade, a manutenção da vida, a liberdade ou a igualdade. A individualidade é a base para esses pensamentos, o ser humano se volta para ele mesmo enquanto indivíduo pensante e desejante. 

Pois é, depois vem o tal do Marx, do qual muitos falam, mas poucos leram suas obras inteiramente, inclusive eu. Ele vem com uma nova visão sobre a vida em sociedade, sobre as estruturas sociais e seu funcionamento. As lutas de classes seriam responsáveis pelas mudanças históricas e dessas estruturas, a história se moveria através dessas lutas, ou seja, da insatisfação das classes massacradas, desfavorecidas e subjugadas que decidiriam mudar a ordem da bagaça.

Pois bem, dizer que as classes são diferentes, já significa individualizar. Eu não luto por outras classes, eu luto pela classe a que pertenço, com a qual me identifico, a classe que fornece as minhas estruturas dentro da sociedade. A classe que define a minha individualidade. A classe que me diz quem eu sou. 

O que interessa aqui, não é como as estruturas agem sobre, ou definem o indivíduo, o que interessa nessa breve reflexão, talvez rasa, é sobre  a individualidade, a subjetividade, e sobre como ela interfere nas estruturas.

Quando falamos de estruturas, nos vem à mente algo rígido. Eu imagino um armário, cheio de prateleiras e gavetas, onde as pessoas são colocadas e levam suas vidas com suas rotinas todas definidas e imutáveis. Em cada compartimento estaria uma classe, unida e separada das demais. As camadas de que se concentram na base seriam a estruturan( no sentido de construção civil) que sustentaria todo o resto. Uma hora, essa prateleira não suportaria mais o peso e se quebraria, dando início a uma nova estrutura. O grupo que ali estava assume, então, nova posição, levando o armário todo a se reformular e reconstruir seus compartimentos.  Nessa reformulação, teriam que ser chamados novos carpinteiros que tentariam rever o funcionamento e tratariam da manutenção.Talvez essa seja uma visão um tanto simplista, mas essa é a imagem que me vem.

Pois bem, os desejos do coletivo, digamos, de uma delimitada coletividade,  seriam a base das mudanças históricas, das evoluções e das revoluções, como se existisse algo inconsciente pairando no ar inalado pelos indivíduos de uma classe que a levasse a se unir e a agir em determinado momento; seria um descontentamento geral e unificado e um "nada mais a perder" que levaria a classe a se levantar em busca de uma situação melhor, para as classes em questão, obviamente.

Ninguém quer ser oprimido. Muitos são encabrestados para se sentirem bem na opressão, para não se revoltarem com seu pertencimento a castas inferiores. Mas, voltando à questão da natureza humana, se é que existe a tal essência, seria pertencente ao ser humano, ou natural, gostar de ser subjugado? Ou a maioria não possui capacidade de desenvolver reflexão sobre sua posição e sobre as tais estruturas que os colocam em seus lugares? Ou ainda, quem prefere o pior, o menos, o menor?

Penso que o sentimento de revolta pela repressão, deva ser, antes de tudo, um sentimento individual. Quando um individuo luta por sua classe, ele quer melhores condições para o seu pertencimento, ele luta por seus interesses. O interesse da classe não se sobrepõe ao individual, mas faz parte deste, pois trata-se da identidade do ser individual que é também coletivo. 

Podemos e, ao meu ver, deveríamos desejar uma sociedade justa para todos, com igualdade e paz. E, de acordo com o meu pensamento, a maneira de se conseguir isso, seria tentar oferecer as mesmas oportunidades a todos. Muitos devem pensar como eu, por que parece obvio que, onde há diferenças extremas, há violência, e isso representa um perigo constante para todos os indivíduos. Todos desejam viver em paz e em bonança. São desejos individuais, mas que parecem que só poderão ser concretizados se forem realizados coletivamente. Se vivemos em uma sociedade, com as tais estruturas, com oprimidos e opressores, a felicidade individual parece estar ameaçada pelas desigualdades, e os indivíduos compartilham de sua insatisfação com outros que pertencem ao mesmo lugar.

O que quero dizer com essa breve reflexão é que as classes existem, mas elas não são um ser que se move por si só. As classes são grupos formados por indivíduos com desejos e necessidades individuais equivalentes e fazem parte da identidade desses. Os indivíduos se movem por interesses próprios e das classes às quais pertencem em busca de satisfazer suas necessidades. Indivíduos é que tomam a voz, que insuflam, que convocam a coletividade. indivíduos é que manipulam, que usam da identidade compartilhada para realizar as movimentações, e não alguma força superior e quase sobrenatural. Indivíduos tomam decisões e se revoltam. Indivíduos desejam manter as estruturas e seus privilégios, assim como os privilégios dos que pertencem ao seu grupo.

Talvez eu esteja falando muitas besteiras, e, obviamente, preciso de muitas informações e reflexões. Mas na minha visão, indivíduos fazem a história através de seus interesses e dos interesses dos que fazem parte de seu grupo, de sua identidade, e não algo além ou aquém deles. Tanto, que as mudanças só acontecem através desses movimentos, o das classes, dos indivíduos que agem por seus interesses, interesses de uma determinada individualidade dentre outras.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Que diabo é ética?


Ética.

Primeiramente, não existe uma ética universal. Supor que exista uma ética universal é corroborar o naturalismo, dizer que o ser humano nasce assim ou assado. Por outro  lado, supor que não somos naturais e ignorar que ainda não sabemos quase nada sobre nossa natureza, é negar a obviedade que explode sob nossos olhos e que está presente em perguntas infantis das quais nos esquecemos quando crescemos. Como o João-de-Barro constrói sua casa sem nenhuma aula de arquitetura? Como as abelhas sabem produzir o mel e organizar suas colmeias? Como os animais sabem o que é e como cruzar e sabem cuidar de seus filhos? Não é por observar e copiar a ação do outro, mesmo que isolado, saberá o que fazer. Há algo, chamemos, como chamaram, de instinto. Não, não nascemos sabendo o que é bom ou ruim, nascemos sabendo o que devemos fazer para sobreviver e procriar, grossamente. Porém, a humanidade se complexificou, e o que precisamos saber/fazer para sobreviver, mais ainda. Inventamos desejos que vão além das necessidades básicas, as comunidades cresceram e as dificuldades em se viver nelas, mais ainda. Normas, leis, esquemas,estruturas foram criados. A ética também.

Escolhemos a ética e ela nos escolhe. Ela nos escolhe quando nascemos em uma sociedade em que ela está inserida. Nós a escolhemos quando analisamos um determinado conjunto de ética e preferimos um universo a outro. É o que acontece quando um jovem ocidental decide que matar pessoas e se matar por uma causa é algo legítimo. Ética é escolha e hábito.

Alguns teóricos definem ética com base na sociologia e Marx; para esses, a ética deveria se basear no bem comum da sociedade, na aceitação de que devemos tratar a todos como a nós mesmos, pois só dessa forma, haverá harmonia e igualdade dentro da sociedade. Não digo que isso seja correto ou errado, concordo até com essa afirmação, digo apenas que é um ponto de vista, como tudo. Considerando que o objetivo individual seja que a sociedade viva em paz, e que essa paz seja benéfica para o individual e para a humanidade, definimos certas regras que poderiam levar a esse estágio de sociedade ideal. É uma escolha baseada em uma lógica. Quando falamos de lógica, não quer dizer que as considerações sejam inquestionáveis como o resultado de uma equação matemática, mas que o ponto em questão possui um concatenamento de ideias que leva a uma certa conclusão aparentemente lógica. Cada teoria possui sua lógica, até mesmo a de Hitler, tanto que convenceu a milhares.

A lógica é construída através de argumentos que movem e comovem, já diria Socrátes com seu pathos, logos e ethos, que no fim não se dividem, mas trabalham conjuntamente.

Deixando essa discussão sobre o que seja ética de lado, o que me levou a escrever mais essa postagem que ninguém lerá, é o enjoamento crescente que sinto com a hipocrisia e a falta de ética, a corrente em nossa sociedade, de alguns seres viventes.

A mentira é algo exclusivamente humano, obviamente, por depender da linguagem. A mentira consiste em criar fatos, situações, identidades, sentimentos, que não existem e nunca existiram. O mentiroso encena, finge, engana, com a intenção de levar alguma vantagem, seja de espécie material ou social. Para mim, o mentiroso fede e é antiético, dentro da ética que escolhi.  

Em alguns casos, a mentira pode ser considerada ética, como quando contada para salvar uma vida. Esse também é o papel da ética, ponderar em que situações é permitido um determinado comportamento. Porém, como podemos perceber no mundo real, ética serve muito mais para teatro que para regra a ser cumprida.

Talvez, um psicopata que tenha vendido o seu filho para o amante e depois escrito em redes sociais o quanto ama esse filho, mais que tudo nesse mundo, tenha a sua lógica que faz parte de sua ética.  Uma pessoa que engana a própria mãe, que a rouba, explora, e tira fotos com ela no hospital, acha que está correta dentro de sua ética individualista.  Outra que carregue bandeiras de lutas sociais, e dentro de casa humilha seus entes, usa da lógica de manter o seu próprio bem estar. Aquele que fura fila quando encontra amigos, aquele que faz e aceita suborno em autoescolas, aquele que quer pegar mais docinhos nas festas, aquele que pensa que os outros são obrigados a manter seus luxos, trabalham sob uma ética, uma lógica. A ética do individualismo, do foda-se todo o mundo.

Ética é escolha. Escolha social e pessoal. Eu escolho ser eu mesma, não ser escrava da opinião alheia, não ter ídolos. Eu escolho não ferir e não enganar. Eu escolho tentar fazer com que a ética de minha família leve em consideração esses pontos. Que sejamos pessoas naturais, reais e humanas. Que respeitemos o outro exatamente da mesma forma que desejamos ser respeitados. Que cada um vá e lute por sua sobrevivência e não vá se escorar no outro; que escolham a ética da realidade e da liberdade.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Amor de loucura


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Dizem tantas coisas sobre o amor, eu mesma já cansei de inventar poemas e teorias sobre esse sentimento que move tudo. Gostaria de poder concordar com alguma dessas milhares de definições, e com nenhuma delas, gostaria de contentamento.

Dizem que amor é altruísta e incondicional, mas também dizem que amor é loucura e egoísmo, e que só acontece em determinadas condições. Meu amor tem condições em alguns termos e é incondicional em outros. Na verdade, nada é incondicional, a não ser a loucura, que também não estou muita certa de que não seja amor.

Meu amor é loucura, é apegado e romântico. É fraternal, é irritante, é altruísta e egoísta. Meu amor arde, deseja, ama e odeia.  Meu amor é calmo e é furacão. Meu amor é igual a tantos outros amores, que construíram Taj Mahals, mas será sempre único e especial.

Amo.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

O terror dos celulares na escola


O maior problema dentro das escolas atualmente é a dispersão causada pelo uso dos telefones celulares. Aliás, ao meu ver, o excesso do uso de tais dispositivos é o maior problema da humanidade, por diversos motivos. 

Buscamos prazer o tempo todo, e, quanto mais fácil, melhor. Basta abrir a tela de nossos celulares, computadores e qualquer coisa que nos dê acesso ilimitado a uma infinidade de inutilidades que permitam ao nosso cérebro mergulhar em um estado de dormência prazerosa, que nos esquecemos do nosso mundo material ao redor. Como competir com a internet?


O problema é que os adultos também estão tão viciados nas comodidades prazerosas de seus smartphones que não se sentem no direito de exigir dos alunos que não utilizem seus telefones dentro da sala de aula. Para todos, fazer de seus telefones extensão de seus seres se tornou algo tão natural, que não imaginam como exigir de crianças e adolescentes que não toquem em seus aparelhos enquanto estiverem dentro da sala para estudarem. Por que parece tão absurda tal exigência?


Todos se perderam dentro das inundações tecnológicas. Fazemos esforços para tocar nossas vidas, quando o que queremos, é ficar sentados em frente a tela, vendo vídeos engraçados, comentando polêmicas, postando fotos para ver o quanto estamos bem e fazendo sucesso, conversando com todo o mundo sobre nada. Transferimos o fazer material para o fazer virtual, e de lá, ditamos regras para a materialidade. Não temos mais paciência para leituras e reflexões profundas, temos preguiça de esforço mental e físico, estamos perdendo a capacidade de interação com as outras pessoas, não sabemos mais decodificar sinais físicos de interação; não criamos nada verdadeiro, não questionamos nada por mais de um dia, nossa indignação é rasa e depende da onda. Enquanto o wifi estiver funcionando, que o mundo se exploda lá fora e que todas as decisões sejam tomadas pelos outros.

Tudo precisa fazer sentido e demonstrar ter um objetivo lógico e prático para que possamos nos engajar na batalha. As crianças e os adolescente não veem mais sentido na memorização de dados, pois o Google está lá durante as 24 horas do dia para nos informar quando aconteceu algo, o que aconteceu e o que dizem significar. Ele nos informa onde está o restaurante mais próximo enquanto nos pergunta sobre o local em que estamos. Ele traduz e calcula. Ele é um Deus, quase igual ao Facebook, no mesmo nível, ou, conjuntamente. Qual o sentido de pensar, criticar, refletir e criar, sendo que a internet nos dá tudo facilmente? Essa é a grande questão.



A escola atravessa um caos, que tem muitas origens, e que está se agravando no cenário político atual. Muitos acontecimentos políticos e culturais denegriram a imagem da escola e do professor, e além disso, empurraram para a escola todas as responsabilidades da educação da nação, não deixando a possibilidade de punição adequada aos infratores e aos que não foram capazes de conseguir êxito nos estudos. Mais uma vez, dentro da lógica, qual o sentido de se esforçar e seguir as regras se, em não se fazer, nada acontece?

O problema é muito complexo para ser debatido nessas poucas linhas, apenas deixo as seguintes questões para que todos possamos refletir:

Por quê a escola não pode proibir o uso dos telefones durante as aulas, sendo que nunca fora antes permitido ao aluno levar qualquer objeto que lhe tirasse atenção?

Por quê crianças e adolescente não podem sofrer punições compatíveis com seus atos, aprendendo que isso é a vida!? (Falo aqui de reprovação, expulsão e outras medidas compatíveis com a conduta do aluno em busca de equilíbrio, justiça e educação para a vida).

Por quê consideramos como algo normal a necessidade absoluta de ficar conectado o tempo todo, como se fôssemos máquinas que precisam ser ligadas na tomada a ponto de não nos importarmos em ver nossos filhos comendo sem tirar os olhos das telas dos celulares, dormindo com eles, andando e olhando para eles, utilizando-os durante as aulas e permanecendo ao nosso lado como zumbis? (Sabemos que é por que também nos tornamos zumbis e isso é mais prazeroso e cômodo.)



A internet pode ser uma arma importante para auxiliar a educação, mas para que se torne um instrumento, é necessário um planejamento, como para todos os outros recursos pedagógicos que forem utilizados.

A verdade é que há muito o que se considerar no caso da educação atual, e toda a ideologia por trás da liberdade individual que culminou no que vemos hoje, a falta de compromisso e comprometimento com o outro. O discurso da liberdade nos levou ao medo de questionar, de estabelecer parâmetros, regras, o medo de parecer radicais e censuradores. Além disso, toda essa "liberdade" nos jogou num mundo de inseguranças, onde nada parece ter consequências ou relevância, onde o outro não importa, e esse é um dos motivos para o que vem acontecendo no mundo, que é a volta do radicalismo e da intolerância em busca da segurança. Como equacionar? Não sei. Mas um bom começo seria tomar para nós mesmos a responsabilidade e a vergonha e abrir mão da alienação sem medo de exigir que quando o aluno estiver dentro da sala de aula, ele esteja na sala de aula e estude. Como pais, deixar de ser preguiçosos e interagir com os nossos filhos ao invés de agradecer a Deus por compartilharem do mesmo vício dos smartphones, nos deixando livres para a escravidão virtual.  Deveríamos exigir que as pessoas tenham horários, prioridades e regras, mas antes de exigir delas, exigir de nós mesmos.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

As verdades e as mágoas


Viver é difícil. Sobreviver é uma necessidade. Conviver é uma arte, ou uma luta. 

As verdades, sempre as verdades e as certezas! Os filósofos de todos os tempos e de todos os bares se enveredaram pelas discussões sobre "a verdade", e ainda não se decidiram sobre a verdade da verdade. O que é claro, é que cada um possui a sua, e as verdades é que tornam fatos, atitudes, escolhas, mais ou menos toleráveis.

Se existisse uma verdade absoluta, ela já teria se sobreposto às mentiras. Existem escolhas. A única verdade que conheço é que depois que nascemos, iremos morrer algum dia. 

O problema em viver, sobreviver, e sobretudo, conviver, são quando as verdades se chocam, especialmente quando essas verdades são essenciais para a maneira como construímos nossa figura, particular ou publicamente. O problema em conviver é quando o que para nós parece intolerável é algo comum e considerado normal para o outro de nossa convivência.Como conciliar hábitos que se contradizem e se rebatem violentamente sem subjugar as verdades do outro? Como não magoar mortalmente o outro sem abrir mão de nossas verdades? Como conviver diante dos extremos?

Não sei. Você sabe?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Qual paixão nos move?


Eu penso demais. E nesse pensar demais, racionalizo tudo, até o que não deveria ser racionalizado. Mas, embora pense e racionalize, há situações que fogem às minhas tentativas de controle e me torno só emoção.  Esses momentos são aqueles em que me sinto agredida profundamente e sinto minha dignidade sendo usurpada. Também deixo-me levar pela emoção quando permito a mim mesma entregar-me ao que considero essencial em minha vida. 

Todos possuem seus essenciais, por que deles necessitam para valorar a vida e torná-la plausível. Elegemos nossos deuses sob diversas circunstanciais sociais, pelos exemplos, pelas emoções que nos causam, pelas certezas que nos proporcionam dentro de suas lógicas na sociedade a que pertencemos, pelos rituais que dão a noção de circularidade em nossa existência, a circularidade que nos presenteia com o sentimento de início, meio e fim, de renovação a cada novo ciclo. Talvez, esse seja o meu ponto, não vejo mais a vida em ciclos, mas em uma linha reta.


Para mim, o ano novo não é novo, mas a continuação de algo que começou há muito tempo. O meu aniversário não representa mais um ano de vida e um novo ciclo, apenas me diz que a linha está chegando ao fim. Não espero pelo próximo carnaval para viver novamente como se não houvesse amanhã, nem por um novo título de futebol. Não penso que a semana santa irá renovar a minha fé e salvar-me. Não vejo importância em bailes de formatura, mas ao que será realizado, e ao trabalho que já foi realizado. Comemorações e rituais são importantes? Sim! Todos os dias. Necessitamos pertencer a algo maior, a um grupo;  precisamos de memórias e marcos, ritos de passagem para materializar as mudanças individuais e sociais. Mas a vida é construída a cada segundo. E os segundos não voltam, eles seguem em linha reta.



Paixão e sagrado, dois lados da mesma moeda. Em outras palavras, são os deuses que escolhemos, a quem veneramos e temos como intocáveis. Assim como os exemplos assistidos atualmente nas discussões infinitas, infindáveis e infrutíferas sobre direita e esquerda, podemos também usar diversos exemplos de paixões retratadas pela  religião, o futebol, o ídolo adolescente, o ser amado. Esses são alguns exemplos de deuses intocáveis, sagrados e defendidos com todos os argumentos tidos como racionais e irracionais. Sagrados.


O ser humano pensa demais. Para fugir de sua própria racionalidade, criou guetos para poder ser o ente animal e emocional que nunca deixara de ser. É nesses guetos, defendendo algo que elegeu como parte de sua identidade, que lhe é permitido se transformar, dando vida a algo que fica reprimido no restante do ciclo. O futebol e o carnaval dizem muito sobre isso e sobre o ser humano brasileiro. Cada cultura possui seus subterfúgios, e a nossa possui essas duas grandes válvulas de escape, que trazem sentido para as vidas dos pobres mortais, que sempre esperam pelo novo ciclo, um novo titulo, um novo carnaval. É nesses eventos que se pode agir sem recriminação e ao comando dos instintos, liberar o que fica reprimido pela sociedade.



Eu ainda não sei quais são meus deuses. Luto todos os dias a procura de certezas reconfortantes e que possam me dar a noção de circularidade, que ao fim do ano, novo ano recomeçará cheio de esperanças e que tudo será diferente. Gostaria de ter esperanças de que a morte não é o fim. Gostaria de ser apaixonada por algo a ponto de perder o juízo. Não, queria não. Mas queria ter pequenas paixões diárias, que pudessem alegrar o meu pequeno ciclo de levantar e dormir. Talvez eu já as tenha, na medida em que tento construir o meu dia sorvendo os pequenos acontecimentos. Na verdade, muitas vezes em meu dia sou passional, especialmente quando tocam nos meus pequenos sagrados, que são meu espaço, meu tempo e minha família.



Não me apetece morrer por paixões, embora muitos coloquem todo o sentido da existência na defesa delas, como os patriotas que morrem em guerras, os revolucionários, os homens bomba. A diferença entre o ser humano e o animal (categoria que não exclui o humano) é que ele, o ser humano, racionaliza sua animalidade, usa os instintos racionalmente. Nenhum animal, que eu saiba, morreria por ideais (não importa a natureza do ideal, pois todos possuem o mesmo papel e lugar na vida do indivíduo). Nenhum animal sofreria, ou defenderia um símbolo representativo de um grupo. Interessante pensar que até na suposta irracionalidade há uma razão.


Por fim, extremos são sempre perigosos, porque a certeza gerada por uma paixão traz colada em suas costas a certeza de que os outros deuses não são verdadeiros, dignos, merecedores da mesma sacralidade. Até mesmo a certeza de que não deveriam existir deuses é algo perigoso, na medida em que exclui tudo e deixa nada no lugar. É a certeza do nada contra tudo. O ser humano é simbólico e movido por paixões irracionais e instintos racionais, e essa complexidade, embora seja responsável por grandes destruições, é o que também traz todo o colorido e o sentido para a existência humana.




terça-feira, 22 de agosto de 2017

Depois que fiquei velho




 Recebi nessa manhã essas palavras tão doces de meu querido companheiro, emocionei-me. Obrigada, meu amor, saibas que sou grata por ter te encontrado. Mereço? Sei lá. Espero que sim. Amo- te, Luiz Correa.


Depois que fiquei velho
As palavras me faltam.
Queria eu ser novamente,
Encontrar aquela inocência
Que me fazia acreditar nas palavras.
Aquela que me fazia mostrar-te
O que nunca te mostrei.
E mostrar assim mesmo.
Ter a certeza imaculada de responder-te à altura,
Do que me dizes no dia a dia.
Coisas lindas!
Mais o lindo é pouco, pobre, esparso adjeto.
E até a coisa que te digo “eu te amo”,
Que muito maior é
Do que consigo me expressar!
Não, não, não... Não consigo dizer,
Nem responder-te à altura:
Das surpresas que me proporcionas com teus bilhetes,
Das delícias que permites ao amanhecer
E cujo resultado levas contigo de corpo e alma,
Quando levanta-te exausta para seguir a vida.
Não sem antes me dizer bom dia com aquele bilhete.
Tu és livre.
E eu? Fico tentando mexer nestas palavras inúteis, burocráticas, inertes.
Menores do que sinto verdadeiramente.
Então vou dizer logo:
Amo-te!
Mas saiba  o tanto,  por favor, quando eu te pego em cheiro.
Quando não estou aguentando mais de saudade,
Da vontade dos braços, pernas e pés envoltos aos meus,
Depois daquele beijo que tanto queria te dar.
E aí, quem sabe assim, as palavras ganhariam amplitude.
E voltaria aquela inocência que já não tenho mais
E que só este sentimento infinito me traria de novo.
Você me faz querer ser livre também.
E sou, por certo.
Por que amo-te também.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O pai que quero ao meu lado


Quis escrever alguma coisa falando sobre o "ser pai", mas tudo já foi dito, nas concepções machistas e feministas. Quis falar dos pais que existem hoje, os tradicionais, os fantasmas, os desaparecidos, os presentes, os ausentes, as múmias e os caixa eletrônicos, mas fiquei com preguiça da mesmice. Não quis falar da minha relação com o meu pai, nem sobre o pai dos meus filhos, aceito tudo como parte da humanidade e da cultura, olhei os lados positivos. Não quis falar, também, sobre o meu suposto papel de pai, sou mãe. Preguiça inundou-me mais que antes ao pensar nas apropriações, na exploração da indústria cultural, e todo esse discurso anual. Estamos vivendo um caos interno e mundial, compatível com o eterno ciclo vicioso em que os seres humanos buscam por mais liberdade e depois desejam retornar para a segurança das certezas, quando os radicais se debatem e quando tudo parece mais sombrio e desesperador. Como pensar em celebrações se o mundo parece ir para o fim?

A resposta é que, sim, devemos pensar nas coisas simples e corriqueiras como questões que precisam ser preservadas em meio ao caos, pois é por elas que lutamos e procuramos a estabilidade. É por esse relaxar, valorizar e celebrar, como se tudo não estivesse em ruínas, que desejamos um mundo pacífico e tolerante. Há hora para lutar, mas sempre é hora de valorizar as boas coisas. E é por isso, que agora, só quero escrever esse pequeno poema ao pai mais fofo que já conheci, o  meu marido:

O pai que quero ao meu lado

Quando em teu colo carregas o pequeno
E o sentes como a folha, o sereno,
Sei que há luz no universo!

Quando ensinas as lições que vem da escola
Ou da vida, enquanto jogas bola,
Sinto que é com Deus que converso.

Quando exaltas-te com o maior por um problema,
Mas o abraças ao dizeres, pois, não temas!
Mostras que o amor é tão complexo!

Quando ouves os barulhos e ainda sorris
E com atenção, dizes ao outro, venhas aqui!
Vejo que há côncavo que encontra o convexo.

Quando acordas cedo e fazes o café
E alimentas a quem quer, e a quem não quer,
Adivinho qual a chave do sucesso.

Quando amas, tão forte e intensamente,
Que de saudades, o verde fica dormente,
Que revivas os teus olhos, a Deus, peço.

Tão lindo quanto a chuva que no verão cai!
Pensando em tudo isso, toda a dor se esvai,
Ao saber que ao meu lado vive um verdadeiro pai.


 

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