segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Como agir sendo pais separados?




Considerando que o mundo mudou bastante, as relações se transformaram, e que ter pais separados é muito mais comum do que há 30 anos atrás (as estatísticas dizem que o número de divórcios cresceu 160% nos últimos 10 anos), acho que já está mais que na hora de se criar um código de conduta, ou algumas referências comportamentais para que os envolvidos possam ter menos constrangimento em diversas situações cotidianas. O maior problema é quando o ex casal tem filhos, muitas situações virão ao longo de suas vidas. Conversando com algumas pessoas, que também passam por uma situação semelhante (segundo casamento, com filhos de ambos), percebi que essa preocupação é mais comum do que parece. Imaginemos algumas situações:

Comemorações de aniversários

Quando os pais viviam juntos, o normal era se ter uma festa única para comemorar o aniversário das crianças, mas e depois de separados? Isso vai depender de muitos fatores, como por exemplo, de como é o relacionamento entre os pais, como é o relacionamento com os familiares desses pais e de como é o relacionamento de todos com os atuais cônjuges desses pais. Uma separação já é indício de que problemas aconteceram, graves ou não. Uma comemoração, reunindo todas as famílias e atuais cônjuges pode ser desagradável para a maioria, o clima pode pesar e não vai ser proveitoso nem mesmo para as crianças. Não parece a melhor opção obrigar que haja a confraternização entre pessoas que não desejam estar unidas, causando constrangimentos. O ideal seria que a criança crescesse ciente de que, sim, os pais são separados, possuem novos relacionamentos, e que certas situações são desagradáveis para todos e podem gerar atritos. O melhor seria cada família comemorar a seu modo, e a criança ganharia duas comemorações de verdade, com pessoas felizes e sem mal estar.

Festinhas de escolas, formaturas e similares

Há ocasiões em que não há como não unir os pais separados, e são muito constrangedoras para  para os conjunges destes que participam ativamente da criação das crianças, até mais que os próprios pais. Dessa vez, são as instituições que precisam mudar os rituais cerimoniais, se adequando a realidade da situação atual do mundo. Imagine um padrasto ou uma madrasta que criou uma pessoa desde pequena, ser ignorado no principal momento da vida desta. No lugar da foto estarão apenas aqueles que a geraram, os responsáveis por grande parte de seu sucesso, simplesmente, são deixados de lado. Ao invés de chamarem os pais, deveriam chamar por todos os responsáveis, e uma foto com quatro pessoas ou seja lá quem mais puder ocupar o lugar importante na trajetória deste individuo, seria uma lembrança mais justa e real para ser guardada.

Contato com ex e familiares 

Quando uma pessoa se separa, ela quebra os laços com o cônjuge, e também quebra laços mais íntimos com a família desta. Obviamente, não se pode simplesmente ignorar todas as pessoas e todo o passado com estas, mas estas não são mais familiares da pessoa que se separou, especialmente quando essa pessoa decide criar  e desenvolver esses laços com outro conjugue e com a família deste. Não faz mais sentido participar de celebrações, almoços de domingo, encontros familiares, sendo que o principal laço que obrigava a isso já não existe mais. As relações com esses familiares podem não acabar totalmente, devido a afetividade gerada ao longo do tempo, mas precisam sofrer uma transformação para que a pessoa que se separou possa reconstruir sua vida e criar novos laços com uma nova família. O contato com o ex cônjuge precisa existir por causa dos filhos, mas, dependendo do novo relacionamento e de como essa nova pessoa encara esse contato, seria aconselhável a restrição das conversas para que aconteçam apenas quando necessário. Os pais não precisam ser inimigos, e,  a não ser que realmente se tornem amigos, o contato não é agradável a nenhum dos envolvidos, principalmente para os que estão entrando nessa nova relação com um cônjuge separado.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Reflexões de fim de ano


Quando chegamos à metade da vida, temos duas direções para lançarmos o nosso olhar, para trás ou para frente, e temos dois caminhos principais à nossa disposição, o caminho da resignação ou o do desafio. Olhar para trás é necessário para que possamos entender por onde passamos e o que nos fez ser o que nos tornamos. Olhar para frente é necessário, para que tenhamos ânimo para viver a outra metade da vida que julgamos nos restar.

Nesses 40 anos, aprendi bastante coisa, mas ainda penso sei absolutamente nada sobre como viver uma vida plena e feliz. Construí muitos sonhos durante toda essa jornada, e mudei a todos durante o caminhar. Vivi relações frustrantes e desiguais, conheci gente e o que faz do ser humano, o ser humano. Fui à Índia sozinha, ganhando pouco mais que um salário mínimo e sobrevivi a um divórcio com dois filhos, sozinha, por mais de 10 anos. Passei fome, vivi em casa em condição de risco, demorei uns 15 anos para terminar o curso de Letras, e quando terminei, passei no mestrado. Fiz vários concursos públicos e passei em primeiro lugar em um concurso federal. Sou vista como avoada, maluca, antissocial, chata e ciumenta. Alguns me acham engraçada (não sei por quê).

Quando era criança, era tímida e não tinha muitos amigos. Às vezes tenho preguiça de falar. Algumas pessoas, até minha mãe, chegaram a pensar que eu tivesse algum dom sobrenatural, uma espécie de sexto sentido, porque soube quando ela ia ao hospital ter a minha irmã, soube quando minha irmã estava grávida e outros episódios que não me recordo, mas a verdade é que sou muito observadora e percebo as pequenas nuances no comportamento das pessoas.

Tenho alma de artista, mas não me considero uma. Não tive paciência nem persistência o suficiente para me dedicar a nenhuma das artes que amo. Não consegui me tornar uma desenhista ou pintora, apesar de as crianças terem brigado para pegar a carteira de ursinhos Gummy que eu havia desenhado. Não consegui me tornar escritora, embora a professora tivesse lido a minha redação por a ter considerado a mais interessante. Não consegui me tornar atriz, apesar de ter ouvido que eu fosse uma das melhores alunas da oficina de teatro. Não consegui me tornar cantora, apesar de ter frequentado as aulas de coral e feito oficina de teatro musical, nem ser uma youtuber, nem chargista, nem coisa nenhuma. Nem palhaça eu consegui ser. Aliás, eu me canso de tudo.

Sou o antagonismo em pessoa. Não sou nem de esquerda, nem de direita, e já estou de saco cheio de tudo. O problema do mundo, como podemos comprovar pela história, não são os sistemas políticos ou econômicos, o problema do ser humano é o ser humano. Não há capitalismo ou socialismo que proporcionem melhor qualidade de vida para uma maioria, quando na verdade, quem  age somos nós, os seres humanos, quem controla e quem faz as verdadeiras regras. Perdi a fé na humanidade, justamente por que a observo.

Eu vi como as coisas funcionam e como as pessoas se transformam para e pelo poder, e o que elas fazem para continuar lá. Não é determinismo e nem generalização, não sei nominar. O fato é que eu nunca perderia minha vida por nenhuma causa, não coloco a minha cara a tapa por nenhuma luta, por que não me é possível acreditar em nenhuma delas. Revoluções dão a poucos o grande poder, e a muitos, migalhas para que estes poucos se mantenham no poder. Todos querem o poder. Poder para ser, ter e estar onde se quer. Muitos venderiam a alma por isso.

Há ainda muitos seres humanos que desejam mais que isso e que respeitam o próximo, sentem empatia e agem com bondade, amor e caridade, só esses me importam. Não me interessa mais mudar o mundo, na altura dos meus 40 anos. Não acredito em discursos de incetivo que exaltam a igualdade, a liberdade, ou seja lá qual ideologia, não acredito nos discursos de Hitler, Fidel, ou Gandhi. Não quero melhorar o mundo, só quero melhorar a mim e a minha vida.

Parece egoísta, mas não é. É muito mais verdadeiro que muita coisa que julgamos grandiosa. Melhorar a minha vida, significa melhorar a vida dos meus e dos que estão perto, dos que me importam. Importar comigo mesma, quer dizer respeitar as diferenças, não interferir na vida dos outros, da mesma forma como não admito intromissões. Viver a minha vida.

Nesta montanha em que subi, já tenho propriedade para decidir muita coisa, como não admitir nenhuma situação que me faça mal, apenas por conveniências sociais. Tenho o direito de dizer "não" e de dizer, dizer "sim", se assim desejar. Sou a única responsável pela minha vida e pelo meu bem-estar, ninguém mais, então por que ser hipócrita?

Apesar de não estar satisfeita com o que realizei na vida, creio que a minha vida não foi tão vazia e inútil. Espero estar na metade dela, pois este ano vi, com a perda da minha irmã, cinco anos mais jovem que eu, que daqui a um segundo, posso não estar mais aqui. Não suporto mais desperdiçar vida.

Aprendi algumas coisinhas com a minha curta experiencia neste planeta, e para isso serve o meu passado. Tudo o que foi ruim, experiências e pessoas, as quero apenas no passado, não as quero em meu presente, muito menos no futuro. O que foi bom, guardo com carinho, na caixa das lembranças, onde não possa ferir ninguém. E assim, escolhi, há muito tempo a olhar para frente, como se tudo fosse sempre novo, mas com a consciência do que passei para chegar onde estou. Espero que o futuro seja mais leve, e que eu também seja mais leve, mais feliz, e mais disposta para o novo.

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