terça-feira, 24 de maio de 2016

Odeio ser mulher


Odeio quando o ciclo muda e a todo o momento quero chorar, e quando tudo o que irrita, se torna insuportável. Odeio quando o fogo pega, mas o sinal está vermelho; odeio ter medo de sair à noite sozinha e me sentir desconfortável quando passar por entre homens. Odeio andar depressa quando um rapaz anda atrás de mim. Odeio que as pessoas sempre perguntem a mim como dou conta da casa, da comida e de tudo, mesmo morando com seis pessoas. Odeio ferir os outros por não controlar meus hormônios. Odeio que as chefes sempre tratem melhor os funcionários do que as funcionárias. Odeio que nunca convidem uma mulher separada para as festas; odeio que as qualidades exaltadas ainda sejam a beleza e a "gostosura" da mulher. Odeio que o lugar da mulher seja na cozinha, com avental e com um sorriso retardado no rosto; odeio nudistas que participam de concurso para saber qual a ativista mais sexy; odeio que médicos, advogados, líderes religiosos e outros se aproveitem do meu momento de fragilidade. Odeio que subjuguem a minha inteligência. Odeio ser revistada por viajar sozinha para outro país. Odeio ser acusada de abandono por realizar um sonho, uma vez na vida. Odeio ser julgada antes de cometer uma falta. Odeio trabalhar, estudar, criar filhos, cuidar da casa, de tudo, e ainda ser chamada de louca. Odeio ingratidão.Odeio que digam que a minha roupa parece de velha. Odeio os que pensaram que eu deveria continuar em um casamento falido. Odeio que me digam que o meu cabelo fica melhor liso do que anelado. Odeio que me perguntem se eu não faço unha. Odeio que putas me chamem de puta. Odeio que me chamem de "linguiça que vai atrás do cachorro". Odeio chorar no banheiro. Odeio ter que checar se a minha blusa está fechada quando notar olhares. Odeio que digam que estou "comprando jornal para os outros lerem". Odeio usar salto. Odeio desperdiçar horas num salão. Odeio pensar que terei que pintar os cabelos.

Odeio tudo isso porque eu me amo. 

Mulher, "te ame"!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Sonhos vãos



A vida não é um sonho, 
Mas alguns vivem deles,
Dos sonhos vãos,
Que se vão,
Que são seres.

A mão no fogo, não ponho,
Não por teus quereres
Que não são,
Nem serão
Meus prazeres.

Sonhava uma vida querida
que era linda, mágica e perfeita...
Mas a ilusão sempre está de partida
Para o universo sem planeta. 

A partida quebrou a ilusão inocente
E fez de mim, de novo, gente,
Que vê, que chora e que sente.

Não sou, não fui e não serei crente,
Apenas creio naquele que aprende
Que o que vale é o tempo presente.







quinta-feira, 12 de maio de 2016

Como era a vida antes do Facebook?




Como era a vida antes do Facebook? As pessoas tinham vida real. Hoje, a maioria delas está tão viciada em ficar constantemente conectada no Facebook, que não se sente confortável em ficar mais que alguns minutos sem saber o que se passa no mundo cibernético. É verdade que essa ferramenta tem ajudado a muitas pessoas solitárias, até mesmo idosos, que estavam afastados de tudo e de todos, porém, até as crianças, quando capazes de compreender o funcionamento da rede, se veem presas no mundo virtual.

Por que essa necessidade tão grande de ficar conectado o tempo todo? Por que a urgência de que os outros nos aprovem, nos elogiem, nos notem? Por que precisamos pensar que estando na rede social, estaremos cientes de tudo, ou se não estivermos, perderemos algo de importante? O que nos falta no mundo real que tentamos buscar incessantemente por outros meios? Quais são nossas carências?

É verdade que superestimamos o mundo real (teoricamente) em relação ao mundo virtual, mas é verdade também que o bem-estar de cada um depende de variantes, é algo pessoal, e estar apenas no mundo virtual pode ser sinônimo de felicidade para aqueles que não gostam ou preferem não estar com gente de verdade, cara a cara, olhando nos olhos, tocando, sentindo a risada, falando, caminhando, comendo, vivendo. Eu sei bem o que o mundo virtual pode oferecer, além de toda a informação possível, um universo de interações com pessoas de todos os tipos e lugares. Eu já gastei boa parte do meu tempo diante de uma tela de computador, e sei que não produzi nada nesse tempo, não fiz nada e nem sequer tenho lembranças; é como se uma parte de minha vida tivesse sido apagada de minha existência, e eu estivesse vivendo dentro de uma filme, que quando o monitor é desligado, deixasse de existir na memória dos que o assistiam. Eu quero sentir a risada, quero sentir a grama, o toque, o caminhar, o suor. Quero sentar aqui também e ver as notícias, escrever, interagir, mas não quero fazer disso a razão de meu viver. Quero fazer isso quando não tiver nada mais interessante para fazer, quando estiver sozinha, entediada, ou inspirada.  Não quero fazer do Facebook ou de qualquer outra rede social o termômetro, o espelho ou o juiz da minha vida.

Fuck you, Facebook!


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