segunda-feira, 14 de julho de 2014

Amor de fraqueza


As pessoas são egoístas, mesmo em seus amores, em seu bem querer. Amam egoisticamente, destruindo os sonhos, os planos, os desejos de quem dizem amar. As pessoas não amam a ninguém a não ser elas mesmas e as suas certezas. Mesmo em culturas onde há tantos exemplos de amor incondicional, mesmo em religiões que pregam a tolerância, o respeito, o amor ao próximo, primeiramente vem o "EU". Eu quero, eu preciso, eu acredito e que se dane quem amo.

Como pode alguém amar o outro e não apoiá-lo em suas decisões, em seus sonhos e desejos? Como pode alguém amar e não respeitar o que o outro pensa ou quer? Como pode alguém achar que tem a certeza do que é melhor para o outro, seja filho, marido, familia, ou seja lá quem for? Como pode alguém dizer que ama e abandona-lo por causa de suas escolhas? O que é amor?

Algumas culturas ainda não sabem o significado da palavra amor. Nestas, as pessoas são acomodadas e permitem que outros escolham por eles, assim, não assumem nenhuma responsabilidade pelos seus futuros, assim como também não podem se queixar por suas escolhas. Apenas vivem, aceitam, aceitam, como se o karma da aceitação de suas origens nunca fosse terminar, quando a origem do ser humana é apenas uma. O pior não é aceitar, mas fingir que não aceita. Fingir que se tem coragem, fingir que se quer outra vida, que fará outras escolhas, suas próprias escolhas. O pior é destruir com todo esse egoísmo e fraqueza a vida de outros que só desejam amar. O pior é saber que não se é capaz de escolher o seu próprio destino, e envolver outras pessoas neste. O pior é saber desde sempre que terá apenas um rumo, e mesmo assim, destruir o sonhos de outras pessoas, transformando suas vidas para sempre, até a morte. O pior é dizer que se ama, e matar a quem se ama. 

Não sei se é possível que alguém que transforme desta maneira a vida de outra pessoa possa, normalmente, cumprir o desejo de outros, como sabia que iria cumprir desde o inicio, vivendo feliz e com a consciência tranquila, construindo sua vida com o amor que outros ou ele que mesmo terá escolhido, mesmo depois de ter jurado amor àquele que tenha destruído. Não sei que tipo de vida essa pessoa conseguirá viver, se conseguirá ter paz quando se deitar olhando para um outro alguém, sabendo do que fez com aquele a quem disse amar. Uma pessoa assim poderá seguir o seu destino, esquecer de suas promessas e de seus atos, vivendo uma vida normal como todos os que o cercam, poderá se esquecer de que tenha sido fraco ou tenha traído a confiança de quem amou, se no fundo, essa é era a vida que sempre desejou, mas fingiu não aceitar. Porém, quem realmente amou e fez as suas escolhas de acordo com os seus desejos e convicções, embora nunca mais possa ter de volta a docilidade e a inocência que este tenha lhe roubado, embora talvez nunca mais volte a sorrir como antes, nunca se esquecerá de que sempre fez, desejou e desejará apenas o seu bem, por que isso é amor, e não palavras fracas seguidas de ações desprezíveis e traições. Amar alguém e mesmo assim preferir ficar com outro, usando os argumentos que for, é a pior fraqueza e o ato mais desprezível que pode existir, a não ser que nada tenha sido realmente amor; sendo assim, não seria o ato a coisa desprezível, mas sim o próprio ser que tenha usado da sensibilidade e da fraqueza de outro.

Resumindo, a vida não tem nenhum sentido se não temos a liberdade de escolher o que desejamos, e de rejeitar o que nos faz mal. Nada faz sentido se precisamos ser escravos de quem nos diz amar, acatando as vontades, por ordem ou por medo de ferir. O amor não faz sentido se não pode ser livre, espontâneo, respeitoso e incondicional. Mas há uma condição para o amor, e essa condição seria o comprometimento com esse amor, o respeito por quem  lhe dedica esse amor. Essa é a condição para amar. As pessoas não sabem amar.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Troque seu voto por um botijão de gás


Antes era a rigidez adotada pela sociedade governada por princípios católicos obscuros e controladores, a exaltação da tal "moral" e dos "bons costumes", quando a pessoa valia pela sua pureza, riqueza, conformidade e aceitação; vivemos a ditadura militar, quando nos era proibido expressar nossas opiniões e discordar do governo. Procurando se libertar de tal passado, a sociedade se rearranjou e partiu de um extremo para outro, condenando sem reflexão tudo o que era aceito e adotando uma postura mais "fashion", por que isso é ser moderno. Jogaram foram a velha e caduca "Moral e Cívica", mas o Ensino Religioso ainda é obrigatório nas escolas! Em datas religiosas, interrompem as aulas e levam as crianças até as igrejas, ignorando que religião é individual, pessoal e não é de competência da escola, mesmo que a maioria faça parte da mesma crença. Misturam-se os papeis, os deveres, os "achares", trouxeram o ranço do passado disfarçado de modernidade libertária, mas na verdade, tudo sem rumo.

A educação no Brasil é uma questão que urge por reforma, reforma de conceitos, reforma de parâmetros, reforma de imagem, reforma de papéis. Qual é o verdadeiro papel da escola e dos professores? Qual a importância da educação no crescimento do país e para a libertação das mentes em busca de uma sociedade onde haja igualdade e respeito?

As pessoas querem jogar os seus filhos nas escolas e querem que estas resolvam todos os problemas da educação deles e do mundo. No Brasil existe a visão de que o governo tem que ser responsável pela formação de nossos filhos e de que o professor é quem tem que "educá-los", serem suas babás, psicólogos e mestres. Há um grande equívoco sobre o papel da escola. A escola é o lugar onde o individuo vai para se instruir, se tornar um cidadão capaz de viver em sociedade, só que para isso, este deve aprender antes de tudo o que é viver em uma sociedade. As antigas aulas de etiqueta, tão ultrapassadas e vistas como matéria morta, ao menos serviam como base de conhecimento sobre como se comportar em sociedade. O brasileiro é extremamente egoísta e individualista, isso explica o "jeitinho brasileiro", as regras que sempre tem duas interpretações, uma para os outros e outra para nós mesmos; isso explica desde a mania de furar a fila descaradamente, de ficar com o troco errado, de pegar dinheiro emprestado e nunca mais pagar, de ligar alto-falantes mesmo que a rua inteira precise dormir, até a corrupção dos políticos e a violência explícita, expressão máxima do egoísmo e fruto de uma sociedade individualista. 

Criaram os direitos da criança e do adolescente, a Lei da Palmada e o escambau, criaram o Bolsa Família vinculado à permanência da criança na escola, mas ainda não criaram uma ação efetiva que realmente faça diferença e proteja essas criança, preparando-a de fato para viver numa sociedade onde o bem coletivo signifique o bem para cada um. Não é teoria Marxista, na verdade precisamos de novas teorias que tentem dar conta do mundo em que vivemos, um mundo capitalista e cada vez mais individualista.

O ser humano é naturalmente egoísta e egocêntrico, todos querem ser únicos, especiais, adorados e ter vantagens, isso é natural, porém, se a sociedade cultivar e alimentar esse comportamento, ninguém mais se importará com nada que não traga benefício só a si mesmo, e uma sociedade com esses princípios gera violência, insegurança, desconforto e infelicidade. Quanto maior forem as diferenças sociais e econômicas, mais conflitos acontecerão a fim de sanar essas desigualdade, por que ninguém quer ser menos que o outro. Moldar esse sentimento de pertença, de respeito mútuo, é papel da escola? Também.

A escola tem o papel de instrução. Os primeiros anos escolares, os mais importantes e os que são totalmente desvalorizados em nosso país, são fundamentais; é nessa época que o caráter, as certezas, a personalidade do individuo são formados, são as experiências dessa época que vão moldar o cidadão que teremos. Nessa época somos todos mais frágeis e sensíveis, é nesse período que as nossas habilidades vão sendo descobertas. 

Tanta coisa mudou nos conceitos sobre a educação, mas não vejo grandes melhoras. Não ouço mais as crianças cantando músicas nos pátios, não vejo essa socialização. Ao invés disso, vejo tarefas e cópias intermináveis, rigidez. Vejo o caquético Ensino Religioso, que não ensina quando é o Ramadã, ou sobre as filosofias do budismo, espiritismo,  candomblé, hinduísmo, ou nada além de catolicismo. Vejo uma escola que não inclui em suas disciplinas matérias que ensinem sobre a política, os poderes, o papel de cada um, e principalmente, não deixa claro que um vereador que doa um botijão de gás estará comprando o seu voto, e que o papel dele é criar leis para que ninguém precise mendigar coisas básicas como essa; não deixa claro que essa pessoa é desonesta e não um "amigo" que se não vencer as eleições, nunca mais dará a ajuda quando precisar. Mais uma vez entra o individualismo, uma qualidade que é cultivada por nossa sociedade nestes pequenos gestos, o pensar apenas em suas necessidades e desejos.

Rios de dinheiros são destinados para o ensino superior e técnico, excelente! Milhares de bolsas são enviadas aos estudantes, que recebem alimentação, moradia e ainda bolsa permanência para que possam terminar seus estudos com tranquilidade, enquanto que em escolas públicas de ensino fundamental e básico os alunos mal recebem uma refeição pobre por dia, onde toda a rede física é precária, onde os professores são chamados de vagabundos pelos próprios pais dos alunos e tem salários baixíssimos se comparados com os de outros cargos que também exigem ensino superior. As escolas ainda seguem o mesmo modelo do tempo da palmatória, só excluindo a palmatória, por que agora crianças e adolescentes tem direitos, só não tem ainda os deveres. A violência física pode até ter acabado, para os alunos, mas a violência psicológica para ambos os lados, não. Querem sair da obscuridade, mas não sabem por qual caminho, estão todos perdidos e sem rumo. Então, vêm os "universitários" e pregam seus cartazes Marxistas com suas reivindicações, as quais muitas vezes fazem me rir! São contra o financiamento estudantil, querem uma assistência estudantil melhor, são contra o sucateamento de não sei o que. Individualismo. O governo está pagando para que este aluno conclua a universidade! Onde no mundo existem programas assistenciais como estes? Universidades publicas de qualidade? Concordo que devemos sempre lutar por melhores condições, mas vejamos o problema como um todo. As escolas e a educação de ensino fundamental é que estão sucateadas! São estes indivíduos, estes alunos, que precisam de maior assistência e de cuidado, de melhores opções e recursos didáticos que estimulem sua criatividade e crescimento, para que possam chegar na universidade inteiros e em perfeitas condições de terminar o curso brilhantemente, sem precisar de cotas, programas, ou seja lá do que for. 

Enquanto cada um pensar só no seu umbigo e continuar a querer ter sempre mais que os outros, a achar que tem o direito de furar uma fila em que o alguém estava aguardando por horas, só por que encontrou um conhecido, enquanto você não souber quem é, sobre o que tem direito e entender que todos tem esses mesmo direitos, e que quando a maioria estiver bem, você terá uma sociedade e uma vida muito mais segura, harmoniosa e feliz, enquanto não perceber isso tudo, continue se humilhando e pedindo um botijão de gás a um idiota que queira lhe comprar e seja você ainda mais idiota que o idiota que compra o seu voto.

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