quinta-feira, 22 de maio de 2014

Eu quero


Eu não quero inúmeras noites quentes e barulhentas terminando em silêncio arrebatador;
Eu não quero conhecer diversos corpos sem conhecer o universo de um ao menos;
Eu não quero provar diversos sabores, eu não quero malabarismos;
Eu não quero ter que adivinhar todas as noites o que fazer;
Eu não quero a aventura de conquistar por uma noite, todas as noites;
Eu não quero tocar a superficialidade;
Eu não quero ser tocada por quem nada de mim sabe.

Eu quero, todas as noites, sem falar nada, dizer e saber tudo;
Eu quero explorar todos os dias o corpo que me acompanha, conhecendo-o por completo;
Eu quero descobrir a cada dia um novo sabor, de diferentes formas;
Eu quero conquistar todas as noites o respeito e a profunda ternura de um só;
Eu quero saber o que preciso, devo, e posso fazer;
Eu quero encontrar novas formas de surpreender quem amo, todas as noites;
Eu quero tocar com as mãos a sua alma;
Eu quero ser tocada apenas por aquele que escolhi, sempre, até o fim.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Justiça com as próprias mãos - Brasil de volta à idade média


Basta assistir aos noticiários diários para ficarmos aterrorizados com tamanha violência que vem acontecendo em nosso país. Nós estamos acostumados a nos comover com as mortes de milhares nas guerras do oriente (ou não), a ficarmos abismados com os ataques terroristas, as milícias, as crianças órfãs, as bombas explodindo em países distantes, mas não nos demos conta ainda de que estamos vivendo em situação semelhante. Os marginais dominam as favelas dos grandes centros, fazem suas próprias leis, armados de todas as formas. As pessoas que querem apenas ganhar o seu dinheiro com o trabalho diário e tentar dar uma vida mais confortável para os que amam, se veem de mãos atadas em frente a situação de total vulnerabilidade dentro da sociedade. Não temos o direito de ir e vir, não temos o direito de possuir bens, não temos o direito de ter uma vida segura.

Que a violência faz parte da humanidade, isso é fato notório e verdadeiro. Viver em uma sociedade pacífica e adornada por sentimentos nobres onde reina a igualdade de direitos e o respeito pela vida alheia, talvez seja uma utopia ou um sonho que necessite de trabalho árduo ou, talvez, de algo que ainda não sabemos o que seja para que se concretize. Porém, em pleno século XXI, quando a tecnologia está nos surpreendendo cada vez mais com sua velocidade e o mundo parece estar caminhando para uma era mais nobre de intelectualidade, vem a humanidade e nos mostra quem somos, animais incontroláveis, dominados por instintos.

O que leva o ser humano a querer exterminar o outro sem ao menos ter a certeza de sua culpa? Que prazer macabro é esse em ver e fazer sofrer, matar, estraçalhar, ter o poder de acabar com alguém? 

Cenas assustadoras estão acontecendo em nosso país e isso é muito sério. Pessoas comuns (ou não) estão fazendo justiça com as próprias mãos, como se fazia na idade média. Pessoas estão se matando em estádios de futebol, defendendo times que lucram milhões com o fanatismo irracional de indivíduos que não tem nada mais nobre para defender e se apaixonar. As pessoas não tem nada pelo que se apaixonarem, nem mesmo a família é nobre, nada é nobre, nem a vida.

O vazio está tomando as pessoas e isso me assusta. Estamos vivendo em uma era superficial e de grande concentração de energia, que tende a ser liberada de maneira irracional, nos levando às nossas origens. Há um colapso das crenças, dos valores, das identidades. No meio do século da tecnologia, o homem está se voltando cada vez mais para a sua origem animalesca, mas com alto grau de perversidade e esvaziamento de sentido.

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