terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Fazer uma coisa nova todo dia


Será possível fazer, dizer, experimentar, ver, sentir uma coisa nova a cada dia? No momento me parece impossível, mas é esse desafio que estarei me propondo no próximo ano. Eu não tenho ideia se conseguirei cumprir essa meta, mas esse é mais um plano de tantos que fazemos todos os anos, espero conseguir cumprir. Para os que desejam opinar sobre coisas novas a se fazer, ou acompanhar o desafio, fiquem à vontade ao visitarem a página Uma novidade a cada dia.

No mais, feliz ano novo a todos e que sempre possamos ter ânimo para novas e pequenas experiências, todos os dias de nossas vidas!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Três dias em Buenos Aires com dois filhos



Viajar sempre foi a minha maior ambição desde a infância, um sonho que parecia distante até que eu resolvi que seria possível. Buenos Aires foi escolhida por ser um destino popular entre os brasileiros, pela língua, o espanhol, que embora eu saiba muito pouco, seja capaz de entender e pelo preço, que muitas vezes acaba saindo bem mais barato que viajar dentro do próprio país. Em setembro comecei as pesquisas de preços e comprei um pacote pela Decolar, o que é mais prático para quem não tem muita informação e experiência, como eu. Já de início enfrentei um problema, pois na ansiedade coloquei o nome do meio do meu filho ao invés de colocar o ultimo nome, e mesmo que fosse também o nome dele, poderia ser impedido de embarcar. Liguei, solicitei, me enrolaram, reclamei no Reclame aqui, eles me responderam e disseram que a companhia cobrava uma taxa de 100 dólares para a mudança do nome nas passagens. Preferi pagar do que arriscar.

Preparativos para a viagem

Os meus filhos tem 11 e 18 anos, como sou separada e iria viajar sozinha, o menos precisava da autorização do pai. Tive que providenciar a declaração, que pode ser encontrada na Policia Federal, e pedir que o pai reconhecesse sua assinatura em cartório. Eu tinha passaporte, mas os meninos viajaram com a própria carteira de identidade, que é aceita na Argentina. Brasileiros não precisam de visto para entrar na Argentina, essa é outra coisa que facilita muito a  viagem para o país de los hermanos. Se você for separada e tiver nome diferente em seus documentos e no documento do seu filho, é bom levar a certidão averbada de separação, especialmente se não tiver passaporte e não ter declarado as mudanças de nome na policia federal.

Eu não sabia nada da Argentina, a não ser sobre Messi, Maradona, Evita Perón e Ilhas Malvinas/Falklands, por isso precisei pesquisar bastante antes da viagem para ao menos ter uma noção do que fazer e de onde ir quando chegasse lá.

Eu sou uma pessoa bastante prática e detesto carregar malas, levamos apenas uma mala média e uma bolsa para os três dias, que embora as pessoas considerem pouco, foi perfeitamente suficiente.

O dia da viagem

No Jardim Japonês

É uma viagem cansativa, nós nos levantamos às 5:30 da manhã, fomos para a rodoviária, pegamos o ônibus de 7:00 horas para Belo Horizonte, chegamos aproximadamente às 9:00 da manhã. Pegamos outro ônibus para o aeroporto, demorou mais ou menos uma hora. Fizemos o Check-in, e fomos comer no McDonald's, não tínhamos outra opção. Como todos sabem, comer no aeroporto é algo que esvazia o seu bolso em 5 segundos: uma coxinha que custa R$ 2,50 em qualquer lugar do país, custa R$ 7,00 no aeroporto. Gastei muito mais que R$ 100,00 só lá, prepare seu bolso e seu estômago!

Pegamos o avião da Gol e em uma hora estávamos em São Paulo. Quando eu comprei as passagens, não tinha notado que teria que mudar de aeroporto, e chegando lá, cada um dava uma informação sobre o transporte e as bagagens. No desespero, comprei passagem para ir ao outro aeroporto, isso custou mais de R$ 100,00 e a moça disse que, como ela estava fazendo os bilhetes manualmente, não teria direito ao reembolso. Chegando lá no ponto, descobrimos que havia o ônibus da Gol que levava os passageiros para o outro aeroporto, ódio mortal! dinheiro desperdiçado. Fomos para o outro aeroporto, durou quase duas horas. O voo atrasou mais de uma hora, chegamos em Buenos Aires depois de meia noite.

Primeiro dia em Buenos Aires

Vista do Hotel Chile
Vista do Hotel Chile

Chegando no aeroporto de Buenos Aires, fui procurar o tal posto de troca de dinheiro, mas embora informações diziam que ficava aberto 24 horas, estava fechado. Fiquei aflita, pois precisava pegar um taxi para chegar ao hotel e não sabia como fazer para pagar. Fui ao posto de informações, misturando portunhol e inglês e a menina nos indicou as empresas de taxi, lá tambem aceitavam real. Acho que custou uns R$ 58,00 para chegarmos ao Hotel Chile, mas naquela horas, estava pagando qualquer coisa. 


No caminho, apesar do adiantado da horas, o transito estava congestionado. Os argentinos estavam loucos, surfavam em cima dos onibus, soltavam foguetes de dentro deles e balançavam as bandeiras do time, havia sido a final do campeonato e o River Plate havia sido campeão. Depois de alguns minutos, chegamos ao hotel e fomos para o nosso quarto.

O Hotel Chile fica bem no centro de Buenos Aires, na Avenida de Maio, ótima localização, porém é um edifício bem antigo. Os quartos são cobertos por carpetes, o banheiro não é lá essas coisas, tinha uma banheira velha e tudo muito desgastado. O café da manhã era só o café com leite, um suco de kisuco, umas torradas e umas medialunas, como dizem por lá. Comparando com a fartura do café nos hoteis de Porto Seguro, isso nem poderia ser chamado de café da manhã. Apesar de tudo, para mim estava ótimo. Se o lugar for limpo e tiver uma cama, chuveiro e internet, não precisa de mais nada. 


Acordamos bem cedo, tomamos apenas o café com leite e perguntamos ao recepcionista como cambiar. Ele explicou em espanhol e eu entendi bem pouco, saímos pela rua sem rumo. Andamos e resolvemos parar numa banca de revistas, o que incrivelmente ainda sobrevive lá nessa era da informática, são muitas. Comprei um mapa de Buenos Aires e perguntei ao senhor onde poderíamos trocar dinheiro, ele disse que ele trocava! Troquei R$ 500,00 reais. Ele me aconselhou a tomar cuidado com as pessoas que ficavam oferecendo cambio pelas ruas, que poderiam me levar para algum lugar escondido e me roubar. No cambio oficial, um real estava valendo aproximadamente 3 pesos, no não oficial pagaram 4,30. Infelizmente vale mais a pena ser ilegal.
Cemitério da Recoleta

Com dinheiro e com mapa estava mais fácil de se chegar a algum lugar. Os táxis passam o tempo todo. O senhor da banca também me aconselhou a não pegar taxi que fica parado, pois geralmente querem pegar turistas, falam que o dinheiro é falso e tentam enrolar e roubar.


Cemitério da Recoleta

Eu já tinha alguns lugares em mente, decidi irmos ao cemitério da Recoleta. O cemitério é famoso por que é ricamente ornamentado e as famílias mais importantes estão lá, inclusive Evita Perón. Os jazigos são profundos e dá pra ver vários caixões empilhados uns sobre os outros, deu um certo arrepio. O jazigo de Evita Perón não era nem um dos mais bonitos, foi difícil de ser encontrado.
Jazigo de Eva Peron

Depois disso, demos uma volta pelas redondezas esperando o Museu de Ciências abrir. O cartaz dizia 1:00 da tarde, mas depois de esperar mais de uma hora, a recepcionista antipática disse que o museu interativo só abria depois de 3:30. Fomos andando e encontramos um café, que é tudo ao mesmo tempo. Uma pena, não registrei o nome, mas o garçom foi bastante atencioso. Eu pedi uma macarrão a bolonhesa, e meus filhos pediram nhoque e sanduíche.


Uma coisa interessante é que sempre que chegamos a algum local para comer, eles trazem uma cestinha com pães para comermos até a comida chegar, e não são desses pães sem graça e sem gosto, são bem gostosinhos. A comida chega rápido e vem bastante, não conseguimos comer tudo. Depois da comida, fomos para o hotel. Os pratos custam de 50,00 a 70,00 pesos, em média.

Café Tortoni




Café Tortoni é bem famoso pela sua antiguidade e história. Os garçons também são bem simpáticos e o local agradável. Comi um Cheese cake com capuccino, o que não combinou muito, mas estava com vontade. Depois tiramos várias fotos no local, que também é aberto apenas para a visitação.




Segundo dia em Buenos Aires



Desta vez marcamos os locais no mapa e estudamos melhor. O mapa foi a nossa salvação! Acordamos tarde e fomos ao jardim japonês.As entradas custaram 32 pesos, menores de 12 anos não pagam. O lugar é bonito, mas depois que se conhece Inhotim, é difícil se impressionar. Não tem muito o que se ver lá, imaginei que haveria mais coisas relacionadas ao Japão. De qualquer forma, vale a pena ver. Saímos e fomos aos parques das redondezas, andamos sem destino e encontramos um  lugar onde comemos o tal bife de chorizo, que não tem nada a ver com chouriço. Saímos e pegamos outro táxi para a Fragata Sarmiento.





Para mim, que gosto de história e antiguidades, esse foi o melhor dos lugares. Trata-se de um barco museu que esta ancorado em Porto Madeiro, uma fragata que já viajou pelo mundo inteiro. Pagamos apenas 5 pesos para entrar. Entramos em quase todos os locais do barco e vimos o traje dos marinheiros, capitão e até um cachorro empalhado que fazia companhia aos navegantes. Lá também fica a famosa Puente de la Mujer. Saimos de lá e fomos comprar água num local próximo, cobraram 50 pesos por duas águas!

Soy capitan!
Uniforme de marinheiro

Cachorro empalhado

Antiga roupa de mergulho
Decidi ir para a rua Flórida, pois li que havia comércio lá. Fomos a pé mesmo, trata-se de uma rua onde não há trânsito e há comerciantes e muitas pessoas oferecendo câmbio. Se você pensa em fazer compras na Argentina, tire o seu cavalo da chuva, por que os preços lá são iguais ou maiores que no Brasil. Além do mais, no comercio normal, não pude encontrar nada de interessante para trazer. Como vinha embora no domingo, não deu para conhecer a tal feira de San Telmo, então não sei dizer se encontraria coisas mais interessantes. As únicas coisas que comprei foram umas camisas de futebol Argentino (120 e 160 pesos) e uns bonequinhos de lembrança. Decidi trocar dinheiro com uma mulher que estava oferecendo câmbio, troquei 400 reais. Fui ao um pequeno mercado e comprei algumas coisas para comermos. A mulher era japonesa e a grosseria era evidente. Fomos ao hotel e dormimos pesadamente.

Terceiro dia em Buenos Aires


No McDonald's de mentirinha

Levantamos e decidimos tomar café num café que fica aberto 24 horas, ao lado do hotel, e que só vimos no segundo dia. O preço era bem em conta, e a comida ótima. As aulas de espanhol online me ajudaram, ao contrario, nunca saberia que desayuno significa café da manhã. Depois de comer, decidimos ir andando ate os museus dos ninos pela Avenida Corrientes, o que me fez arrepender amargamente. nesta avenida há varios sebos, onde comprei revistas do Superman e Batman, além do CD do Carlos Gardel. O sol estava quentíssimo, e o destino era distante. Tomamos sorvete, e continuamos. O Museu fica no Shopping Abasto, adultos pagam 70 e menores 90 pesos. Para mim, esse foi um dos piores lugares, mas como não sou criança, sou suspeita. Trata-se de uma mini cidade com vários ambientes simulando locais de trabalho, como lanchonete, correio, rádio, carros e etc. Muitas crianças estavam lá, gritando e correndo, disputando lugares. Talvez o meu cansaço me fez ficar impaciente. Ficamos um tempo lá e voltamos andando, mas paramos para comer. Os meninos pegaram uns panchos, que são um tipo de cachorro quente e eu peguei uma empanada, um tipo de pastel assado. Essa Avenida Corrientes a a rua dos comércios, há muitos ambulantes pelas ruas, muitos parecem ser haitianos. No caminho encontramos manifestantes, cidade viva!  Fomos para o hotel e a noite comemos no mesmo local que tomamos o café. Boa comida e bom preço, atendimento simpático.Fiquei com medo, pois o dinheiro estava acabando e ainda tinha que pagar o taxi para o aeroporto, guardei 300 pesos, exatamente o que o táxi cobrou.

Protestos

A volta foi demorada, atraso no voo, cheguei em casa meia noite. Mas apesar de tudo, valeu muito a pen, e cada vez que vou a algum lugar sinto que as portas se abrem mais para mim. Não vejo a hora de botar os meus pés na estrada novamente!

Para terminar, trilha sonora da viagem:

Abel Pintos - El Mar

 
 


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Coral IFMG Ouro Preto - apresentação de natal - 2014


O coral IFMG do Instituto Federal de Minas Gerais, Ouro Preto, fez uma belíssima apresentação nesta quinta feira, dia 4 de dezembro, em ocasião da inauguração da árvore de natal do instituto. Um momento belíssimo proporcionado pelos coralistas e pelo maestro Arlindo, que sempre se empenha em dar continuidade à belíssima história do Coral IFMG, Eu não estava presente cantando neste dia, mas pude fazer essas imagens desta linda apresentação. Parabéns a todos!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O martírio no curso de Letras


O meu martírio no curso de Letras começou há mais de dez anos, penso que em 2001. Eu me casei aos 19 anos e ainda não havia terminado o Ensino Médio, mas sempre tive em mente o objetivo de me formar. Quando o meu filho foi para a escolinha, eu também entrei para a escola à tarde a fim de terminar o Ensino Médio e tentar a faculdade; foi algo um pouco desagradável, ser a única mulher casada e com filho no meio dos adolescentes, apesar de eu não ser tão mais velha que a maioria. Foi complicado, mas terminei o curso e em seguida prestei vestibular para Letras, na UFOP. Na época, ainda tínhamos que fazer os terríveis e dificílimos vestibulares, passei na primeira chamada, colocação 40ª de 40 vagas. Eu escolhi Letras por que sempre gostei muito de escrever e  de ler, mas eu não tinha nenhuma noção sobre o que realmente era o curso. Eu era um ET, nunca tinha ouvido em minha vida palavras como dialética, linguística, retórica, funcionalismo, dicotomia e tantas outras que dificultaram a minha inserção naquele mundo "Letrístico". Continuei me sentindo deslocada, ainda era a única mulher casada e com filhos no meio dos "jovens".

Naquela época não havia muita orientação e o curso era relativamente desorganizado; no currículo havia disciplinas obrigatórias, eletivas, optativas, facultativas (até hoje não sei a diferença entre elas); as obrigatórias eram pouquíssimas e nós, os alunos, deveríamos construir o currículo como bem entendêssemos, sem nada que nos orientasse. Naqueles tempos, tínhamos ainda que fazer a pré matricula, depois a matricula, tudo presencial e que levava horas, era um inferno! Eu não sabia o que era um projeto de extensão, não sabia dos benefícios, não sabia de nada.



Fui levando o curso e minhas notas sempre eram ótimas, apesar de pouco esforço (o que causava alguns olhares de inveja de falsos colegas). Eu já estava no último período da licenciatura em língua portuguesa quando me separei e minha vida se tumultuou. Naquela época, se não me engano, precisávamos fazer apenas umas 6 horas de estágio para nos formar. Não havia o tal auxílio transporte e nem essas bolsas todas que existem hoje em dia, eu não tinha condições de ir para outra cidade todos os dias, decidi trancar o curso, porém, eu não fui renovar a matrícula no prazo e fui desligada da universidade, não adiantou chorar. Eu fiquei super triste e desanimada, mas não podia fazer mais nada no momento.

Em 2009 decidi fazer novamente o tal vestibular e tentar acabar com essa porqueira desse curso de Letras. Sim, ainda era o vestibular e dessa vez fiquei em 13º lugar. Isso não fazia nenhuma diferença, o que me interessava era ter o meu diploma. Porém, o currículo havia mudado e embora tenha aproveitado todas as disciplinas, haviam muitas outras novas que tive que cursar. Trabalhando como assistente administrativo em escolas públicas eu tive a oportunidade de ficar em sala de aula e aquilo foi traumatizante, eu sabia que não queria aquilo pra mim. Além disso, eu queria apenas um diploma de curso superior. Analisando o currículo, percebi que fazer  bacharelado em estudos literários seria mais rápido, embarquei nessa doce ilusão...

Essa nova turma que entrei era a pior de todas. Talvez, por eu frequentar apenas umas duas cadeiras com eles, talvez por minha cara de pobre, por eu ser mais velha, sei lá que diacho foi aquilo, aqueles idiotas começaram a me hostilizar na sala de aula. Não digo a maioria, pois conheci algumas pessoas ótimas naquela sala, mas quando me lembro da infantilidade, da babaquice, da cretinice de alguns, eu tenho vontade de sair desse país e nunca mais voltar, por que a cada dia, essa cretinice e essa babaquice das classes mais privilegiadas estão sendo estampadas nos jornais e me indignando, mas isso é outro assunto. O que importa é que tudo isso me fez sentir, mais uma vez, um ET. 

Todas aquelas teorias lietrárias, nas quais nunca me aprofundei, todo aquele blablablá sem razão de ser, toda aquelas considerações sobre obras, isolando-as de seus autores, aquilo me fez mergulhar em desespero. Eu gosto de boas historias e de refletir sobre elas, eu gosto de escrever, embora mediocramente, mas eu, absolutamente, não gosto dessas teorias.


Fiquei desesperada e não conseguia encontrar um tema para monografia. Aliás, por que temos que escrever qualquer trabalho, mesmo que insignificante? Eu sei perfeitamente que universidade é diferente de curso técnico e profissionalizante, mas não penso que necessariamente todos os alunos fossem obrigados a desenvolver alguma tese científica. Diabo dos infernos, eu só quero o meu diploma, só quero ter uma profissão, não quero, ainda, desenvolver nenhuma teoria sobre nada! 

A universidade é totalmente voltada para a área de pesquisa. Você não aprende a coisa, você aprende a questionar o que dizem sobre a coisa. Você não sairá da faculdade de Letras sabendo a gramática de cor, sairá questionando qual gramática deveria ser a melhor. No início, eu só queria ser uma professora, nada mais.

Bem, tive vários problemas pessoais, não consegui me concentrar em nada, não consegui desenvolver nada e me veio a luz de mudar para o inglês. Eu sempre gostei de inglês, mas não pensava que tinha conhecimento suficiente para seguir na universidade, pois aprendi tudo sozinha. Mesmo assim arrisquei, mas a anta fez o quê? Ao invés de tentar licenciatura em inglês, foi novamente para o bacharelado. Anta!

Eu gostei muito de ter mudado para o inglês, mas ao escolher novamente o bacharelado, dei novamente um tiro no pé. Neste momento, com todos os problemas pessoais, psicológicos e traumáticos em relação a esse curso, eu não me sinto capaz de desenvolver nenhum trabalho científico. O meu tempo para continuar na universidade está por um triz e a minha vontade é de mandar tudo para o inferno.

Este ano eu fiz o ENEM, a única forma de se entrar em uma faculdade publica atualmente. Talvez eu tente pela terceira vez o curso de Letras, mas não sei o que é mais "fracassante", continuar tentando ou desistir de vez. Estou na luta, e seja o que Deus quiser.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Ah, meu bebê!


Ah, meu bebê!
Chegou inesperadamente,
E logo mostrou-se um presente.
Fez me rir, tantas vezes,
Assim como fez-me chorar.

Chorei tanto, 
Que as lágrimas fez secar...

Fiz tantos planos para você,
Construi seus castelos,
Mas quem ama, nem sempre vê,
Que apesar de muitos belos,
Nossos sonhos se vão para um canto.

Ah, meu bebê!
Não suporto ver-lhe triste,
Sua dor me atormenta.
Saiba que aqui existe
Alguém que enfrenta
O mundo, só por você!

Ah, meu bebê!
Se meus sonhos causam sofrer
Liberto-o de minhas asas,
Vá, vá viver,
E deixe-me com minhas brasas.

Ah, meu bebê!
Se necessita de mim como do ar,
Venha, mas, para ficar.
Com amor, cuidarei de você,
Até os cabelos branquear.

Ah, meu bebê!
Mas se o peso de meu cuidado for demais
Troque o seu caminho, siga em paz!
Eu vou para o outro lado,
Criarei também outros laços,
Não esquecendo, jamais!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

As eleições que mostraram a cara do Brasíl


Pela primeira vez na vida vejo o Brasil escancarar sua divisão ideológica, e o que vi me deixou mais perplexa e desanimada. Essas eleições foram as mais acaloradas e disputadas desde que me lembre, nunca vi eleitores defendendo tanto os seus candidatos.

Este ano foi um ano interessante, ano em que a população saiu às ruas por um protesto que começou por causa do aumento de 20 centavos no preço da passagem e continuou por motivos não muito bem delineados, como a corrupção. Eu sou a primeira a defender a mobilização, mas de cara percebi que essa falsa mobilização não tinha consistência alguma, não tinha reivindicações definidas, não tinham foco, tudo não passava de um modismo gerado também por uma certa inquietação da situação do país, que não é de hoje a mesma. Muitos me criticaram por eu não apoiar a mobilização como se eu não fosse uma brasileira e não tivesse orgulho do nosso país, mas como não criticar algo tão fraco e sem foco? Contra a corrupção, fome, pela saúde, educação, todos nós somos, mas quais são as reivindicações? Como negociar com uma massa que nem sabe direito o que quer? Impossível. Tudo não passou de um grande evento para postar fotos no Facebook.

O segundo turno das eleições trouxe dois candidatos, Dilma e Aécio, PT e PSDB. Eu não desejava nenhum dos dois, desejava uma mudança real no governo, mas foi entre eles que fui obrigada a escolher.

Dilma tem uma história interessante de vida, na juventude lutou contra a ditadura chegando a ser torturada. A esse episódio, os "contra-Dilma" acusaram-na de ter roubado banco, de ser comunista, terrorista e o diabo a quatro. Aliás, uma coisa que me chamou muita atenção nessa eleição e nessa pós eleição foram os argumentos utilizados para hostilizar a presidente: disseram que ela acabaria com o Brasil, que o Brasil precisa deixar de ser Cuba, e coisas do gênero. Aliás, um tal porto financiado pelo governo e construído em Cuba foi um dos ataque favoritos do candidato Aécio.

Quando é que o Brasil foi comunista? Eu acho que eu ainda não havia nascido. O que é o comunismo para que as pessoas se refiram a ele, assim como na época da ditadura, como uma ameaça terrível que irá destruir o nosso país?

Conhecemos a tentativa de comunismo em Cuba, Rússia, mas aquilo não foi o comunismo de acordo com suas bases teóricas. Apesar de não conhecer profundamente as teorias Marxistas, eu sei que o comunismo defende direitos iguais a todos; o que ocorreu nestes países foi algo semelhante a ditadura, o que escravizava o povo, e não o libertava. Na verdade, o comunismo como foi pensado não cabe mais em nosso mundo, se é que um dia coube. É necessário visualizar uma nova forma de administrar tudo o que chamamos de governo.

Quem é Aécio Neves? Neto de Tancredo Neves e por este nome se lançou no mundo político. Quem foi Tancredo Neves? Um político que representou o pedido do povo pelas eleições diretas, pois o povo não escolhia seu presidente até 1985. Ele venceu as eleições indiretas, o povo comemorou fervorosamente, mas ele morreu antes de poder governar. Quem foi Tancredo Neves na mente do povo? Uma promessa. Aécio Neves foi governador de Minas, deputado, mas sua ficha também não é imaculada. Há muitas publicações falando de seu uso de drogas, de sua manipulação da imprensa, chegando a demitir jornalistas, da construção de um aeroporto em terras de sua família com dinheiro público e do descaso com os professores mineiros, embora ele se vanglorie de que Minas Gerais tenha a melhor educação do Brasil. Não, ele e seu partido não são isentos de corrupção.

O mais engraçado de tudo isso é que quem defende Aécio Neves tem a mania de falar que os brasileiros querem continuar com a corrupção, que foram protestar por mudanças mas preferiram continuar na "merda",  que tudo isso é culpa dos nordestinos que preferiram continuar com o "Bolsa-esmola", que a elite de São Paulo, povo inteligente e culto que pensa, deve se unir e pedir o impeachment da Dilma...  O brasileiro de classe média finalmente mostrou a sua cara!

 
Reportagem do Jornal Nacional sobre a fome

O programa Bolsa-familia tirou o Brasil do mapa da fome. Bolsa familia nada mais é que um programa do governo, que Aécio teima em dizer que é um ideia que havia surgido no governo do PSDB, que distribui uma pequena quantia para familias de renda baixa, com a condição de que os filhos estejam matriculados em escolas e com o cartão de vacina em dia. A quantia é mínima e não permite que ninguém viva apenas disso, mas muitos sobrevivem. Há uns 15 anos atrás, no Brasil morriam milhares de pessoas por causa da fome, e não por que eram vagabundos, mas por que não tinham como ganhar dinheiro onde moravam e, devido a seca, não tinham como plantar para consumo, literalmente, não tinham o que fazer. Não podemos negar que algumas familias não precisam de Bolsa-familia, mas recebem o beneficio; há tambem familias que não querem saber de trabalhar, mas esses casos não são a maioria. Eu não entendo a acusação sobre os que recebem o benefícios, principalmente os nordestinos. Só quem teve um filho morrendo, olhou ao redor e não viu nada além de barro seco por quilômetros sem poder fazer nada, pode imaginar o que um real representa. O Bolsa-familia não é um problema, principalmente por que o beneficio esta vinculado ao desenvolvimento da criança desta familia, para que ela tenha um futuro melhor, então não me venham falar de Bolsa-familia como se fosse uma prática corruptiva, por que não é!

Abro a internet e vejo este video, não sei se vomito, não sei o que pensar. O preconceito e a intolerância estão estampados nas palavras dessa mulher, que provavelmente não sabe e não quer saber o que é pobreza. Na cabeça dela, Bolsa-familia traz a pobreza. Na verdade, ela não queria melhorar nada pra ninguém, ela queria apenas que as coisas continuassem como antes, que os pobres não pegassem avião, que os filhos de empregados não se sentassem ao seu lado na universidade. 

 Charge sobre o Bolsa Familia

Eu entrei na universidade pela primeira vez em 2001, e me lembro bem como era: Vestibulares concorridíssimos, nas universidades públicas, dificilmente entrava alguém da classe baixa. Havia o grande negócio dos cursinhos pré-vestibulares, que mais uma vez, só quem tinha um bom dinheiro podia pagar. A população de baixa renda, que já vinha de uma educação deficiente, não tinha condição de disputar com aqueles que sempre tiveram a melhor escola privada. Não havia bolsas como a bolsa permanência e transporte, o que foi um dos motivos pelos quais parei de estudar e fui desligada, após minha separação. Era um clube seleto que eu em tive a sorte de conseguir penetrar. Na verdade, entrar na faculdade no Brasil é festejado como se já fosse a formatura, só por este fato podemos perceber como as coisas funcionam.

Com o governo do PT, não podemos negar que a educação foi democratizada. Criaram sistemas de cotas para negros, para quem sempre estudou em escola publica, e ampliaram os benefícios estudantis. Confesso que a educação básica, a que considero mais importante, esteja um lixo, mas isso ainda é responsabilidade máxima dos municipios; confesso que sou a favor de cotas, mas apenas até que a questão historica que prejudicou os negros esteja superada, mas ninguém pode negar que as mudanças que aconteceram.

Fernando Henrique criou o Plano Real, e graças a essa moeda forte, a economia do Brasil se estabilizou e todas essas mudanças puderam acontecer. Vejo noticias, até mesmo de jornais internacionais falando sobre a pausa no crescimento econômico do Brasil e citam Índia e China. Mas o que levam em consideração neste crescimento é a quantidade de riqueza que entra no país, e nunca a qualidade de vida de seu povo ou a distribuição dessa renda. A China, por exemplo, pode ter uma das maiores economias, mas a população é escravizada, trabalha como louca, não tem espaço, não tem qualidade de vida. Isso é sinônimo de crescimento? Isso é sinônimo de qualidade? Talvez para aqueles que são empresários e querem continuar escravizando o povo.

Apenas por estes detalhes, votei em Dilma. Ela não tem a oratória nem a ironia de Aécio, ela tem um ar carrancudo, mas enquanto Aécio surfava, ela estava sendo torturada, não por ser terrorista, mas por não concordar com a ditadura. Foi no governo dela e de Lula que o povo pode subir um degrau, e eu também sou povo. Eu não votei em Aécio por que ele não é menos corrupto, mais certo, apesar de ser o mais bonitinho e simpático. Ele sim, de acordo com muitas noticias, teria manipulado a imprensa, ele sim, manipula o povo. Não me interessava um boneco que representasse essas pessoas que postam esse tipo de video na internet, os que sempre estiveram "acima".  Eu queria uma mudança de verdade, mas já que não foi possível, escolhi Dilma, por que, de certa forma, ela trouxe mudanças.

Porém, tudo está apenas começando. O nosso papel não é apenas eleger e ficar quietos, o nosso papel é acompanhar, reivindicar, lutar e começar a mudança em nós mesmos. Avante!




domingo, 12 de outubro de 2014

Desejo de partir


O ardor com que desejei o paraíso não é maior que a urgencia com que desejo partir,
Partir dessa dor que esmaga o peito insistentemente, que me diz que não há solução,
Partir dessa rotina que nada mais me diz a não ser sobre o que não posso mais ser,
Partir dessa existência em que nada mais existe além da dor de não mais existir.

O simples ato de abrir os olhos toma-me toda a energia e tira-me toda a lucidez;
As conveniências das convenções nada fazem além de afirmarem sobre suas inutilidades,
A luta pela sobrevivencia apenas me mostra que nada desejo e nada me apraz,
Nada tem conserto ou sentido, nada é verdadeiro ou real e de nada sei.

O que era a minha verdade, na verdade, jamais existiu ou existirá,
No fim de tudo, nada tenho e nada nunca tive, nada existe como pensei existir,
Na verdade, pessoas, coisas, realidades, sentimentos, tudo é relativo e tudo interesseiro,
Na verdade, nada é puro ou verdadeiramente forte, nada está em sua essência.

Quando abrimos os olhos e enxergamos que na verdade não existem verdades,
Que tudo o que vivemos, desejamos, sonhamos, eram apenas delírios individuais,
Que deixamos nosso destino deitado em algo frágil e condicionamos a felicidade a esse algo,
Percebemos que construimos nossa existência dentro de um castelo de areia na beira da praia.

Quando nada mais resta, quando não há mais ilusões e a dor tritura-nos ao simples respirar,
Quando é hora de aceitar a dureza e o cinza da verdade, temos apenas duas escolhas a fazer:
Desistir de lutar e sucumbir à dor alucinante da decepção que tudo e todos nos causaram,
Ou procurar um novo caminho onde essa nova verdade faça sentido e nos traga alguma paz.

Eu nunca  antes desejei tanto partir de tudo e de todos,
Mas não partirei para outro mundo, não ainda,
Partirei para uma nova realidade
Onde a dor da mentira não mais exista.
Amém.





segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Por que não conseguimos o que desejamos?


Muitas vezes Deus não nos dá o que desejamos, seja esse Deus Alah, Jesus, Krishna, Tupã ou toda a energia cósmica. Às vezes pedimos com tanta força, imploramos chorosos, mas talvez nem nós mesmos tenhamos a certeza sobre o que queremos; talvez o nosso querer seja motivado pela impossibilidade, pelo mundo fantasioso que nos obrigamos a viver dentro desse desejo, fugindo da realidade; talvez seja agradável viver sonhando e chorando, se lamentando pela luta, delirando com a vida impossível ao invés de sair e tomar decisões de verdade. 

Quem realmente sabe o que quer e toma decisões voltadas para o seu objetivo, conquista o seu desejo. Obviamente há questões que não dependem apenas de nós mesmos, pois neste universo não estamos sós e todos também tem os seus desejos; Não podemos obrigar ninguém a nos amar, assim como não podemos desejar coisas que estão acima da realidade, como se tornar um jogador de futebol famoso depois dos 50 anos. Porém, todos aqueles que chegaram longe foram aqueles que tinham a certeza de onde queriam chegar, e agiram insistentemente naquela direção. Essas pessoas confiavam em si e na vida, estavam certas de que mereciam e que teriam o que desejavam. Essas  pessoas não ficaram paradas no meio do caminho se lamentando pelas dezenas de fatores que estavam contra, elas apenas seguiram tentando resolver cada problema em seu tempo, e resolveram, por que a vida é assim. 

Talvez eu ainda não soubesse o que eu realmente queria, e por isso eu não tenha ido a lugar algum. Ao menos agora eu sei o que eu não quero. Eu não quero ser coadjuvante dentro da minha própria vida, eu mereço ser a estrela, com todos os dramas e alegrias. Eu não preciso de alguém para me escorar, não preciso de alguém para me dizer quem eu sou, eu sou e estou viva. Eu estou viva e não quero desperdiçar mais os meus minutos com nada que me faça mal, ou pessoas que me desvalorizem. Eu quero me sentir milionária quando sentir a brisa na minha pele e quando poder deitar na minha cama e dormir o sono dos inocentes. Nunca fiz mal a ninguém,e nunca farei, e se magoei, foi por imaturidade e sem o desejo disto. Quero apenas ser livre e ser guiada pelo universo, não quero desejar ser amada, serei quando merecer e o outro me merecer. Até lá, vou vivendo e aprendendo, definindo os meus desejos verdadeiros, genuínos.

Os meus desejos passados, verdadeiros ou não, os guardarei na lembrança, que sirvam de lição. Não podemos desejar algo que não depende apenas de nós mesmos, algo que não estamos certos de sua verdade. 

Aos que eu aprisionei pelos meus desejos, que se libertem! Que estes construam seus novos desejos, que dessa vez sejam verdadeiros e não apenas uma fraca vontade de viver uma aventura ilusória. Que encontrem o seu caminho, que vivam o que realmente quiseram desde o início. Que se libertem e me libertem para que possamos criar novos desejos e caminhar por nossos novos caminhos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Estou viva


Posso sentar-me na cadeira de balanço e sentir o frescor do ar em minha pele,
Ver o sorriso dos que me amam e ouvir suas vozes e gargalhadas;
Sou capaz de sentir a textura agradável do sorvete de creme e me deliciar,
Abrandar o calor com um suculento néctar de frutas,
ou matar a minha fome aguçando o paladar com os mais diversos sabores.
Vejo um espetáculo feito por várias pessoas e me emociono,
Assim como os belos trabalhos artísticos expostos.
Rio das comédias e dos comediantes do dia dia, e me transformo em um,
Posso dormir nos dias de folga e me enrolar no cobertor,
Depois fazer um café quentinho pra me aconchegar.
Posso planejar viagens, pisar em novas terras,
Posso ver e ouvir o que nunca vira antes.
Posso abraçar minha familia e contar com eles quando doente,
Posso pedir colo.
Posso ser louca e mesmo assim serei amada,
Posso ser eu mesma.
Posso ver todas as cores das flores, e toda a beleza que Deus desenhou,
Posso sonhar
Eu posso tudo, por que ainda estou
VIVA.






segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Crescer dói


Crescer dói, e crescer não é ficar grande ou velho, não é deixar de ser estudante para se tornar um trabalhador; crescer é passar a enxergar tudo com outros olhos, é ver que tudo aquilo em que você acreditava, pode não ser verdade. crescer é não ter o mesmo pensamento que tinha quando ainda era pequeno fisicamente, mas incrivelmente, muitas pessoas nunca mudam suas certezas, e nelas se escoram até a morte. Talvez estes sejam mais felizes, recebem o prêmio das certezas ignorantes. 

Muitos podem pensar que crescer pode nos tornar amargos, e pode mesmo. Quando você vir que as pessoas, em sua maioria, são cruéis e egoístas, quando perceber que o ser humano é o unico que sente imenso prazer na destruição, mesmo que seja de vidas inocentes, quando você deixar de acreditar na honestidade e perceber que todos os governos são corruptos, quando tiver a certeza de que todos são capazes de matar, quando precisar de ajuda e o seu maior amigo lhe virar as costas, quando descobrir que o amor talvez não exista, ao menos dessa forma que o ocidente o desenha, nesta hora, talvez, a vida deixe de ter sentido e você se torne profundamente decepcionado. É nessa hora que todo o seu mundo cor de rosa desaba sobre suas convicções e você fica sem parâmetros, fica com tudo o de mais negativo que pudera vivenciar até aquele momento. Você começa a crescer.

É essa ruptura do mundo imaginário que promove o crescimento, quando as suas certezas deixam de existir e você começa a construir novas teorias sobre tudo. Você então tenta descobrir o sentido de sua vida, o que o move, o que o mantém vivo e o que o impulsiona Quando você consegue a paz, mesmo reconhecendo o caos do mundo, você cresce para você mesmo.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Inclusão digital, racismo e impunidade na internet

Inclusão digital significa que todos devem ter acesso à internet, o que é uma forma justa de promover a igualdade; mas o que acontece quando pessoas despreparadas, racistas, criminosas adquirem o direito de acessar a internet e publicar o que bem entenderem, sem que haja uma norma ou punição? Basta acessar qualquer link de notícias, desde os assuntos mais simples aos mais mais polêmicos, para se deparar com uma enxurrada de insultos, palavrões, xingamentos, demonstrações de racismo e total desrespeito, sejam direcionados a quem postou, a quem comentou ou ao que se relaciona a postagem. 

De acordo com o marco civil da internet sancionado pela nossa presidente Dilma Roussef: 

O Marco Civil estabelece como regra que um conteúdo só pode ser retirado do ar após uma ordem judicial, e que o provedor não pode ser responsabilizado por conteúdo ofensivo postado em seu serviço pelos usuários. Com isso, o projeto pretende evitar a censura na internet: para se provar que um conteúdo é ofensivo, o responsável deve ter o direito ao contraditório na Justiça.
O texto, porém, prevê exceções. Um conteúdo pode ser retirado do ar sem ordem judicial desde que infrinja alguma matéria penal (como pedofilia, racismo ou violência, por exemplo). Isso evita que um material que possa causar riscos a algum usuário fique no ar enquanto aguarda decisão da Justiça. O que se pretende com isso, segundo Varella, é que a internet ganhe mais segurança jurídica na retirada de conteúdo. A regra é que os conteúdos têm que continuar funcionando, a não ser que firam a lei.

Isso significa que não os provedores, mas os usuários serão responsáveis por suas postagens; porém, e apesar disso, as pessoas continuam a publicar suas asneiras sem fim, humilhando, agredindo e agindo criminalmente, sem que alguma coisa aconteça quanto a isso. Muitas vidas já foram destruídas por estes meios, são pessoas que tiveram sua intimidade exposta indiscriminadamente ou sofreram bullying de algum tipo, pessoas que foram até mesmo linchadas por causa de publicações duvidosas, são tantos os casos que acontecem todos os dias, mas nada muda no ambiente virtual. Parece que todos querem sempre se destacar dizendo alguma coisa, querem mostrar seu poder e superioridade destruindo alguém que nem se sabe onde está.
 
Nesta semana foi destaque uma demonstração de racismo em uma foto de um casal, um rapaz branco e uma moça negra:


Segundo informações, haverá investigação neste caso, mas e quanto a tantos outros casos que não repercutem na mídia, mas destroem vidas?

Outro assunto que está circulando pela mídia é o de uma torcedora flagrada chamando o goleiro Aranha de macaco, o que se tornou algo comum em campos de futebol. Depois da repercussão na internet, a moça foi afastada do emprego e ficou estigmatizada. Obviamente é inaceitável tal demonstração de racismo e difícil aceitar que o Brasil ainda esteja neste estágio, porém, apenas uma pessoa que teve a infelicidade de ser mostrada na mídia irá pagar por todos os outros. Não sei até que ponto isso é justo ou não, talvez contribua para que as pessoas tenham medo de ofender e serem fotografadas ou filmadas, mas não resolve o problema do racismo e da destruição causada pela exposição nas redes sociais. 

Porém, o problema está aí e faz parte de nossa geração. Uma vez que o estrago seja feito na vida das pessoas, é difícil de se desfazer o mal, principalmente por que é quase impossível apagar definitivamente algo publicado na internet. Vivemos na época da impunidade e da crueldade gratuita, onde qualquer um que tenha um teclado e esteja conectado pode atirar para matar e desligar a rede, como se nada tivesse acontecido.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Historinhas do baú - timidez na escola

Meu irmão e eu

1 - Quando eu tinha oito ou nove anos, estudava em uma escola pública em Ipatinga. Sempre fui tímida, nunca falava durante as aulas e era mais tímida ainda  dependendo da hierarquia. Até o quinto ano eu não tive amigos na escola, sempre fui péssima em me socializar. Lembro-me que a aula havia acabado mais cedo e estávamos eu e mais alguns alunos, aguardando nossos pais do lado de fora da escola. Uma menina espevitada começou a brincar de levantar as saias das meninas, inclusive a minha. Naquela época, todas as escolas tinham o mesmo uniforme, camisa branda e saias azuis marinho. Eu não sei por que diabos as crianças gostam de brincadeiras tão idiotas, mas já que ela estava levantando a saia de todo mundo, eu resolvi levantar a dela também. Neste dia eu percebi como as pessoas gostam de vitimar, mas não toleram ser vitimas de brincadeiras de mal gosto. Quando levantei a saia da menina, ela me fulminou com os olhos, parecia que eu tinha cometido um crime. De repente, ela pegou quinhentas pedras começou a atirá-las em mim como louca. Eu parecia o Neil do Matrix, desviando de todas, foi um milagre nenhuma delas ter me atingido! Depois disso, eu fiquei chorando e esperando que minha mãe chegasse, mas ela demorou um bocado! Tive que me esforçar com as minhas lágrimas sem vontade pra que ela ainda me encontrasse chorando e tomasse alguma providencia.

2 - Eu era tão tímida que podia estar morrendo na escola que nunca falaria nada. No primeiro ano, estava copiando a lição, quando comecei a sentir dificuldade para enxergar o quadro, me sentindo mal e enjoada. Mesmo assim, quase desmaiando, esforçava-me para copiar e não dizer nada a ninguém. De repente vomitei na sala de aula e não me lembro de mais nada, acho que desmaiei e fui levada para a diretoria, só me lembro de minha mãe indo me buscar.

3 - No primeiro não havia um menino deficiente, ou portador de necessidades especiais, ou seja lá como chamam hoje em dia. Ele tinha só a metade dos braços, três dedos em uma mão e dois na outra. Apesar dessa característica ele era muito levado, um capetinha, como diziam, ô menino! Quando aconteceu uma festa junina na escola, a professora começou a escolher os pares, mas a escolha dela era perguntar pra cada menina se queria dançar com tal menino, algo bastante desagradável. A professora perguntou a todas as meninas se elas gostariam de dançar com o tal capetinha, nenhuma quis, eu fui a ultima, aceitei, não parecia ter outra escolha naquele momento. O menino não parava, não ensaiava, no dia da festa junina sumiu por aí, nossa! Mas tudo bem, são coisas da vida.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Amor não é para os fracos

O amor pode nascer em terras distantes,
Ou ao lado do seu quintal,
Trazer prazeres abundantes,
Ou fazer-lhe muito mal.

O amor é feito por dois,
Se apenas um quer, não vive amor.
Se um lado é agora e o outro, depois
Não há nada além de dor.

Amar não para fracos
Fracos não podem amar,
Pois aceitam apenas cacos
E jogam o ouro ao mar.

Amor verdadeiro não espera
Nem duvida de seu dever.
Quem ama mesmo, se esmera,
Quem ama, paga pra ver.

Se alguém o ama e nada faz
Se não corre  e não luta,
Esse amor não é capaz
De se transformar em fruta.

Amor verdadeiro não é fraco,
Não espera, não se resigna.
Amor  não vem em nacos,
É tudo ou vai para a faxina.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um dia de fúria de uma mulher




Não era um dia especial, era apenas uma terça-feira como outra qualquer e ela tinha que acordar às 5:30 para chegar até a faculdade, mas antes de chegar até a faculdade, era preciso ainda acordar as crianças, fazer o café, arrumar o quarto e o material do qual precisaria. O celular despertou pela terceira vez, mas os seus olhos eram insistentes e queriam permanecer fechados, o seu corpo não a obedecia, ela queria apenas dormir, dormir para sempre. Mas precisava se levantar. Procurou a roupa menos amassada, esquentou o leite, por que seria mais rápido, gritou com as crianças algumas vezes, não comeu e saiu correndo para pegar o ônibus. Estava atrasada. Olhou para o celular enquanto andava apressadamente, quando levantou os olhos, o ônibus estava quase chegando ao ponto, e ela ainda estava distante. Correu como uma doida desvairada, toda desengonçada, e percebeu que as pessoas a olhavam, por que não iam todos pro inferno, pensou. Correu tanto que conseguiu chegar ate o ponto, o ônibus ainda estava parado; bateu na porta, que já estava fechada, mas o ônibus saiu em disparada, deixando-a com cara de pamonha azeda no meio da rua. Que ódio! Pensou e resmungou. Percebeu que a sua roupa estava estranha, olhou para baixo e viu que a sua blusa estava desabotoada, entendeu por que as pessoas a olhavam enquanto corria. Precisou esperar mais meia hora, a essa altura pensava se valeria a pena chegar tão atrasada na aula, ainda mais que a sua vontade de assistir ao professor falando era inexistente. Mesmo assim, decidiu ir, melhor ganhar uma falta que duas.

Foi a ultima a chegar na sala de aula, entrou esbaforida e, para ser mais discreta ainda, chutou a lixeira que escorava a porta, fazendo-a parar quase aos pés do professor. Hoje eu me mato, pensou com os seus botões. Sorriu amareladamente e tentou se sentar fazendo o mínimo de barulho possível, o que já não importava mais depois do espetáculo inicial. O professor resolveu contar as faltas dos alunos, e ela não poderia faltar nem mais um dia, ou perderia o ano. Nem ela mesma se lembrava que tinha faltado tanto, mas estava escrito. Para piorar, ela teria que fazer um trabalho sobre um texto que ela nem sabia que existia, por que havia faltado à ultima aula, era para o dia seguinte. Tentou se segurar e não pensar no problema até que fosse a hora certa.

A aula acabou e mais uma vez ela teria que voar, se quisesse almoçar antes de chegar até o trabalho, 5 minutos fariam a diferença entre almoço ou pão de queijo. Quando ela ia saindo da sala, uma amiga veio ao seu encontro, motivo para revirar os olhos. Essa amiga também estava passando por um momento depressivo e sempre a procurava para se desabafar, só que não era um bom momento, não mesmo. Ela a acompanhou, falando sobre filosofia, sobre religião, tudo junto e misturado, falando de sua solidão e de sua tristeza. Nada era mais incomodo do que aquele tipo de assunto naquela hora, ela já tinha a sua própria solidão e depressão das quais mal conseguia tomar conta, sem falar que ficaria com o pão de queijo o dia todo, essa era a vida.



Quando conseguiu se desvencilhar da amiga, depois lhe de lhe oferecer algumas palavras de conforto, correu para pegar o ônibus que estava lotado. Mais uma viagem de 40 minutos em pé, num calor infernal. Durante o trajeto pensava sobre a vida e sobre tudo o que estava passando e que passara até ali, percebera que tudo era uma grande besteira, a rotina, os estudos, o trabalho, nada fazia sentido. Ela era uma vaca servindo aos outros, engordando com o capim e dormindo, quando conseguia. Não sentia prazer em nada, pensava que gastar noites em bares e boates era um desperdício de vida, não tinha paciência para conversa filosófica de bêbados, muito menos para suportar cantadas baratas de adolescentes ou barbados descarados. As pessoas são inúteis, pensou, eu sou inútil. Tudo é inútil.

 seu pensamento foi interrompido pelo ponto de descida, caminhou em direção à lanchonete e pegou o seu pão de queijo, que foi comendo pelo caminho. Que vida medíocre, foi ruminando com o pão de queijo. No caminho observava os adolescentes energéticos, pulando, gritando estridentemente, como se o mundo fosse maravilhoso. Via também pessoas simples e convictas de suas obrigações, até mesmo satisfeitas com elas, mesmo que fossem apenas limpar o chão. Idiotas, pensou.

Entrou no local de trabalho, e viu aquelas mesmas caras falsas e irônicas, sorrindo e cochichando. Sentiam-se pessoas reais, não de realidade, mas de realeza, apenas por terem cargozinhos provisórios dentro da empresa. Malditos! Pensou. Sentou-se em sua cadeira, onde redigia e corrigia textos o dia todo. 8 horas sentada, com pequenos intervalos evitados, já que se socializar com cobras não era a sua preferência. Abriu seus textos, seus e-mails, suas redes sociais, ficou rolando as paginas, uma, outra, e outra. Tentava se concentrar no trabalho, mas a sensação de inutilidade a invadia, não via o porquê de nada do que fazia, se sentia cada vez mais sufocada dentro daquela sala, sentada, imóvel, onde mexia apenas os olhos e as mãos. Foi subindo um calor pelo seu corpo, uma energia acumulada, uma raiva inexplicável, sentia vontade de quebrar tudo o que estava a sua volta, começando por aquele mouse dos infernos. Começou a pensar em sua rotina, em sua solidão, em sua vida de gado, não viu sentido para estar ali ou em qualquer outro lugar. Enquanto pensava, ouviu a voz do seu chefe se aproximando, e não existia voz mais irritante para ela do que a voz de seu chefe, uma voz rouca, aguda, sempre em alto volume, e sempre puxando o saco de algum superior. Vontade de enviar um murro na cara desse retardado, pensou.

Aquela voz não parava de falar e ela não parava de pensar em todos os que passaram em sua vida, todos as desrespeitaram de todas as formas possíveis. Nada que ela fizesse faria com que os outros a vissem como ela realmente era e lhe atribuíssem o justo valor, mas ela estava ali, sentada, cumprindo com o seu papel, como uma galinha botando os ovos para depois ser degolada e comida por aqueles que a alimentaram. Ela era uma galinha. De repente ela sentiu ódio, ódio por tudo e por todos, aqueles imbecis sem sentido, aquelas ovelhas, aqueles lobos. Se ela tivesse uma arma, atiraria em todos, um por um, até apagar os sorrisos falsos de suas faces. Sentiu o rosto em chamas, e sua inércia naquela cadeira deslocou a sua energia para os seus punhos que se cerravam cada vez mais forte. enquanto estava ali, a ponto de explodir, seu chefe se aproximou e perguntou com um sorriso irônico se ela já havia terminado a tarefa, por que estavam com pressa e alguns acordos dependiam daquele texto. Aquela voz estridente e aqueles olhos azuis sonsos eram a coisa mais irritante do universo. Por que ele tinha que ir falar com ela agora?  Ele a olhava fixamente, empinando a barriga em sua direção, ela o olhava como se estivesse olhando para uma parede branca. Impaciente, ele disse: _Então, minha filha, nós não temos o dia todo, não! Acorda!

Essa frase parece que ligou algum botão em sua cabeça. Os seus olhos se arregalaram, ela se levantou lentamente e disse, com voz calma:

_Você quer o contrato? Quer? 

Ele a olhou, talvez com um certo receio de responder, e balançou a cabeça, sinalizando que sim. Ela pegou a pilha de papeis que estava em sua mesa e os atirou todos na cara do chefe:

_Toma essas porcarias desses contratos! Engula esses contratos, enfie esses contratos no olho do seu cu, seu filho de uma égua!

O chefe ficou parado, sem saber como reagir, as pessoas do escritório se levantaram e ficaram olhando embasbacadas. A mulher tinha ficado maluca, era o que todos estavam pensando. Mas ela não se sentia maluca, se sentia estranhamente livre, sentia paz. Sempre teve a vontade de fazer isso, pela primeira vez estava concretizando um sonho:

_O que vocês estão olhando, bando de mal amados? Ficam aí, o dia todo, falando mal dos outros, fingindo que tem vidas maravilhosas, mas cada um é mais infeliz que o outro. Vão cuidar de suas vidas, seus frouxos, cambada de capachos! Vão todos à merda! Eu me demito, aleluia, nunca mais verei essas caras de otários!

Saiu pela porta enquanto todos a observavam calados. Que liberdade! Sorria pra si mesma, sensação maravilhosa. saiu pela rua assim, feliz, quando um rapaz a mediu de cima embaixo e disse:

_Nossa, que princesa, hein! Gostosa demais!

De novo algo se acendeu dentro dela. Ela voltou para o rapaz, que não esperava que ela assim fizesse, ficando sem reação:

_ Sou gostosa é? Você acha que sou gostosa? Então olha direitinho pra ver se eu sou gostosa!

Dizendo isso, foi desabotoando a blusa insanamente, jogando a peça sobre o rapaz, que ficou envergonhado, no meio da rua movimentada. 

_Olha direitinho, não é só isso que interessa pra vocês homens, seus ordinários, cambada de vagabundos! Olha bem pra mim, é isso que você quer!

Falando isso foi tirando todas as peças de roupa, as calças, a calcinha, tudo, ficando completamente nua no meio da rua. Todos pararam para entender o que estava acontecendo, para observar a louca no meio da rua. Ela gritava nua, pega aqui, não é isso que você quer? Mas o rapaz foi embora, envergonhado. Ela estava livre, livre de todas as amarras, de todas as convenções. Ela não queria mais nada, não desejava nada. Ela queria apenas se livrar de todo o ranço que a humanidade havia lhe deixado, impregnando o seu coração e a sua alma de amargura e tristeza.

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