domingo, 25 de agosto de 2013

Marcha das vadias em Ouro Preto


A moda agora é protestar, e cada uma protesta à sua maneira. Neste sábado, mulheres saíram com os seios à mostra em Ouro Preto para protestar contra o machismo, o preconceito e sei lá mais o quê. Quem me conhece sabe sobre a minha revolta contra todos os tipos de preconceitos e sobretudo contra o preconceito sofrido pelas mulheres pelo mundo, mas uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.

Toda mulher, assim como qualquer pessoa, deveria ter o direito de usar o que quiser sem sofrer algum tipo de violência ou discriminação, seja uma minissaia ou o hijab (lenço utilizado pelas muçulmanas para cobrirem os cabelos). Mas qual é a linha que divide direitos e respeito, se é que há uma linha entre essas duas coisas, não necessariamente opostas?

A partir do momento em que você pensar ter direito de sair nu pela rua e que as pessoas devem aceitar esse modo de agir, talvez você devesse morar numa floresta cercada de animais, por que lá, essas questões não tem nenhum valor e não interferem na maneira como você se relaciona. Se uma mulher for à Arábia Saudita e não se cobrir por inteira, vai ser apedrejada até a morte, por que lá é assim que é, e é assim que as pessoas vivem. Isso está certo? Logicamente, não, mas para esta sociedade, a mulher não se cobrir por inteiro é um fato digno de morte, e se você quer ir até lá, precisa saber disso. Devemos lutar contra estas leis radicais? Sim, mas também devemos respeitar as regras sociais se quisermos ter algum espaço e sermos vistas com respeito. Queremos chocar e enfiar pela guela abaixo as nossas ideias? Isso funciona?

Cada um faz de seu corpo o que quiser, desde que não interfira na vida dos outros. Talvez você tenha vontade de fazer sexo no meio da praça, mas você fará isso só por que quer ter essa liberdade? Talvez você pense que as muçulmanas são infelizes, mas se elas não pensam desta forma, você vai obrigá-las a tirarem o véu e serem livres, da maneira que você pensa que é ser livre, mostrando os seios na praça? Isso é ser livre? Isso é ser justa e respeitar os direitos?

A grande dificuldade que enfrentamos é a de definir o que é certo ou errado na humanidade, por que simplesmente não há! Tudo é convencionado, todas as regras de convivência, até o amor é uma convenção, que sabe-se lá como surgiu! Simplesmente não há certo e errado, há o que machuca, o que fere, o que ofende, e se isso interfere na vida dos outros, não deveria ser praticado, isso se chama respeito. E respeito não se consegue com protestos vazios de palavras ainda mais vazias, com fotos no Facebook e com o dia seguinte na mesma e velha rotina. O respeito se conquista por uma luta diária, com metas, com reivindicações claras, e principalmente, respeitando e não ferindo ninguém de nenhuma maneira. O mundo só precisa de respeito!

Alguns  links no Facebook:   Foto retirada
                                                Em nome da moral e dos bons costumes
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sábado, 24 de agosto de 2013

Sou sem noção


Eu sempre tive um grande problema com o meu tempo, eu nunca sei quanto tempo preciso para estar em tal lugar em tal hora. Mesmo que eu faça todos os dias as mesmas tarefas, parece que o meu cérebro falta um pedaço e nunca me lembro a exatidão das coisas. Diariamente, quando vou para a aula, eu tenho que calcular a que horas devo colocar o relógio para despertar, que ônibus devo pegar para chegar lá às 7:30, que horas esse ônibus sai da rodoviária e passa lá no meu ponto, quanto tempo eu devo gastar para chegar até o ponto e assim por diante. Só que me esqueço de calcular quanto tempo levarei para me levantar da cama, tomar banho, fazer e tomar café e tentar acordar o menino, gritar com ele por estarmos atrasados e levá-lo até o caminho da casa da minha irmã. Uma coisa que é simples para a maioria, para mim é uma tortura e sempre me deixa a impressão de ser uma completa irresponsável.

Outra falta de noção que me acompanha é a de direção. Sinceramente, eu não sou normal! Eu moro nesta cidade há mais de 25 anos, mas sempre que vou ao banco, por exemplo, tenho que ficar olhando para as casas para ver se já passei do lugar. Eu posso ir a um novo lugar por mais de três vezes, que eu terei problemas para voltar. Eu nunca me lembro dos caminhos e das direções. Foi um verdadeiro milagre ter conseguido ir até a Índia sozinha! O meu maior pesadelo é quando um turista vai parando o carro perto de mim para perguntar algo, eu simplesmente, não sei indicar nada! Como diria Paulo Freire, o meu cérebro nasceu sem bússola!

Tudo isso desagua numa desorganização e numa frustração diárias. Compro agendas mas não as uso. É realmente um milagre que eu consiga estudar, trabalhar e ainda cuidar de casas e filhos sozinha, nem eu sei como consigo. Logicamente, as coisas não são uma perfeição, mas e daí? O meu sonho é ganhar na Mega-Sena e não fazer mais nada além de viajar e ver coisas belas, por que quem gosta de dizer que devemos viver do trabalho duro são os dominadores religiosos que definiram castas e definiram que a preguiça era um dos 7 pecados capitais, puníveis com as chamas do inferno, só para garantirem o seu próprio ócio, riqueza e regalias, enquanto os pecadores e dalits catavam bosta e trabalhavam 18 horas nas lavouras.

Vou levando a vida, mas tudo isso não é sem preço. A rotina estressante e de pouco sono, pouco tempo para pensar e cuidar de mim mesma traz consequências e traz a impressão de desperdício de tempo. As pessoas estudam, trabalham, fazem tudo para a aproveitarem a vida, mas isso não lhes deixa tempo para aproveitar esta vida, não é irônico? Estamos vivendo como loucos suicidas.

A minha falta de noção de tempo e direção não falham ao diagnosticar o desperdício diário destes minutos precisos.  Uma vez alguém me disse:

_Imagine se você ganhasse 3600 reais por minuto, mas você só poderia gastá-lo neste um minuto. O que você faria? Pois então, estes 3600 reais são os segundos que você ganha de vida a cada minuto, você os está gastando bem?

No momento, eu não soube responder, mas sabia que os estava jogando no lixo. Embora eu seja desorganizada e sem noção de tempo e de espaço, eu tenho muito cuidado com as minhas economias, mas não estava tendo cuidado com os meus segundos de vida. E de que valem as moedas se não as aproveito?

Quero gastar todos os meus centavos em coisas gostosas, já que não sou uma princesa, me darei segundos de princesa!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Crise identidária



A mulher moderna está sofrendo de uma doença que a abate, sufoca e fragiliza, essa doença é a carência identidária. O que seria essa carência identidária?

Depois das obras "O complexo de Cinderela" e "O segundo sexo", a mulher passou a olhar para si mesma por um novo ângulo, e passou também a cobrar de si mesma uma maior autonomia e independência que supunha ter direito, assim como os homens tem; porém, essa suposta autonomia que a mulher de algumas culturas vêm conquistando, e não vamos nos esquecer que estamos falando da mulher da cultura ocidental, pois a mulher oriental ainda vive em um outro patamar na sociedade, não parece ser o que se esperava. 

Disseram que a mulher tinha que ser independente, que não deveria ficar dentro de casa comodamente esperando que alguém a sustentasse, que ela deveria ir para o mercado de trabalho e lutar de igual pra igual com os homens; disseram que as mulheres deveriam ter a mesma liberdade sexual que os homens, e que não deveriam ser obrigadas a viver apenas para a família, mas deveriam explorar o seu potencial. Concordo plenamente, obviamente. Mas, todas essas cobranças da sociedade e delas mesmas criaram uma pressão quase que insuportável, e, ao contrário de dar mais confiança, a fragilizaram ainda mais, criando uma insegurança em diversas áreas e tirando destas mulheres todas as poucas certezas que tinha.

A mulher ocidental não sabe mais qual é o seu lugar no mundo. não abandonou o seu dever de mãe, organizadora do lar e da família, mas ainda acumulou os papeis de mantenedora, símbolo sexual, leoa em busca de tudo, sempre super capacitada. Muitas não sabem mais nem se deveriam se casar, não sabem se deveriam ter filhos, não sabem o que fazer com uma família. São tantas as funções e as cobranças que elas não tem tempo de pensar o que é ser mulher ou sobre o que é ser ela mesma, ela só sabe que precisa ser como o mundo diz que deve ser, sexualmente independente, ativa, estudiosa, trabalhadora e linda.

A mulher do século XXI é extremamente carente. Dentro dela ainda há alguém que aguarda o príncipe que irá transformar todas as lágrimas e o cansaço em alegria, porém, ela não sabe mais como realizar esse sonho, ela não sabe mais como se relacionar, ela não sabe nem diferenciar a realidade da fantasia em meio a tanta superficialidade e descartabilidade; isso tem consequências, como o aumento de mulheres que são enganadas, trapaceadas, exploradas por amantes virtuais ou reais que preenchem esse vazio que ainda permanece em suas almas.

A mulher não sabe quem é ou quem deveria ser, mas a carência que experimenta no mundo de hoje é real e está transformando as relações. Apesar de todos os papéis que ela se vê obrigada a assumir, ainda continua a desejar ser amada como nenhuma outra mulher já foi, deseja ser salva por um homem. A mulher do século XXI é uma carente extremada.

Como solucionar este problema? Gostaria de saber... Mas ainda é cedo para dizer o que todas essas transformações sociais, e principalmente se o contato crescente entre realidades tão diferentes propiciado pela internet, podem mudar o mundo como conhecemos. O que sabemos é que precisamos ter muito cuidado quando estamos fragilizadas dessa forma, por que o nosso mundo, o que pensamos ser correto, ou até mesmo a nossa liberdade, serão vistos de forma totalmente diferente em lugares onde a mulher ainda é obrigada a obedecer e calar, onde a virgindade continua tabu, onde as mulheres cobrem o rosto e se fazem casamentos arranjados. Não podemos supor que temos o mesmo valor nestes lugares e que o universo seja um conto de fadas colorido, onde o amor vence todas as barreiras, por que não vence e por que, muitas vezes, não se trata de amor, mas de business!

Penso que a mulher deve se conscientizar da carência que ela está enfrentando e se fortalecer, buscando definir parâmetros para futuras relações, não se deixando levar por palavras românticas do século passado ou abrindo mão de bens ou conquistas por supostos amores eternos.

Muitas coisas precisam ser debatidas sobre este assunto, precisamos abrir nossas mentes e nossas bocas, utilizando das ferramentas disponíveis hoje em dia para tentarmos superar essa fase e amadurecermos neste difícil papel que é ser mulher.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Toada - gosto de infância

Tem coisas que nos  levam para um tempo onde eram felizes e tínhamos esperanças, e dá uma saudade danada de ser feliz sem  medo do futuro! Essa música é uma destas coisas que me levam para um tempo em que meu pai tocava viola, e apesar de todos os contratempos, eu tinha esperanças eternas.

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