terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Veneno


Essa coisa te consome, invade todos os teus espaços, transborda para fora de ti e deixa-te exausto de tanto delirar; este delírio é tão doce, como o cheiro da Dama da Noite que penetra em tuas narinas sem que tenhas permitido. Às vezes, o delirar é quente, como os desertos africanos, te queima, te faz tremer e querer tanto, que nem sabes o que, como e onde, só consegues saber que tem que ser de imediato. Quando acordas, percebes que ainda estas dormindo e ainda sentes o cheiro, o calor e as vontades, que nunca cessam. As vontades aumentam, mudam, tornam-se suaves, mas as vontades te seguem até o fim. Quando imaginas que vai livrar-te do tormento que tanto te aprazes, ele volta mais forte e mais indubitavelmente louco que nunca. E não adianta falarem, nem adianta tentares provar de outros venenos, pois estás eternamente e definitivamente dependente desta poção que te mata e que te faz renascer a cada segundo de teus dias.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Modernidade - a vida de uma mulher


Ás 6:00 da manhã ela acorda assustada com o despertar do celular e se confunde sobre o dia da semana e sobre o que ela tem a fazer. Dá uma despreguiçada, estica as pernas doloridas e os olhos não querem ficar abertos, mas assim mesmo se levanta com muito esforço para aguentar o peso de seus 56 Kg. Calça os chinelos e mentalmente vai refazendo a lista das obrigações do dia, mas se distrai olhando as mensagens no celular. Vai até o quarto dos filhos e os sacode até que abram os olhos e dêem sinal de que acordaram. Vai até a cozinha, coloca a água do café no fogo enquanto arruma a bolsa, separa as roupas, dá uma varrida na papelada que o caçula deixou espalhada pela sala e vai tomar um banho rápido. Quando sai do banheiro, percebe que os filhos ainda estão na cama e a água do café está fervendo, e que faltam apenas 20 minutos para saírem de casa. Grita com as crianças e sai correndo para se vestir e fazer o café. As crianças começam a gritar por alguma besteira qualquer e ela se irrita ainda mais, não há tempo para tolices. Dá um esfregão nos dois, coloca o café e termina de se arrumar. Come uns trés biscoitos água e sal, joga uma maçã dentro da bolsa e saem correndo escada abaixo, enquanto o caçula começa a chorar por que tinha que levar alguma coisa pra escola.

Os meninos foram para a escola e ela para o trabalho. A  mesma rotina entediante, as mesmas pessoas maçantes, o mesmo trabalho idiota e repetitivo; ela se lembra de que tem que ligar para a companhia telefônica por causa de uma cobrança indevida e para a van que traz os meninos da escola, avisá-lo de que não precisará buscá-los. Logo naquele dia, o chefe reclamou que ela estava chegando atrasada e precisava mudar este hábito. Foi almoçar, não tinha nada que fazer com o restante do tempo. Até tinha, milhares de coisas, mas o que fazer em 20 minutos? Se sentou e foi pensar na vida, mas não gostou do que viu. Parou e foi trabalhar.

À tarde tinha reunião de pais na escola, ela teve que chegar atrasada por que ficou sem jeito de pedir para sair mais cedo, depois da puxada de orelha que o chefe lhe deu. O filho estava com os olhinhos cheios d'água, pensou que a mãe não fosse, mas ela chegou antes do fim. Saiu com os dois, foi até o mercado comprar algumas frutas e legumes, a geladeira andava vazia. Lembrou de que estava no dia de pagar a conta de luz, mas decidiu deixar para o dia seguinte. Foram para a casa, os filhos foram tomar banho, jogar video game e brigar, ela foi para a cozinha. Enquanto tentava fazer alguma comida rápida, lavava a louça acumulada e tentava dobrar a roupa que estava no varal. Comeram automaticamente, alguns gritos, como de costume, e depois de muita briga, as crianças foram dormir. Ela foi para a internet,  ver se encontrava algo que a tirasse daquele mundo. Dormiu tarde, chorou, teve pesadelos. Quando assustou, o celular estava tocando novamente, eram 6:00.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

How can I go on

 
Linda música cantada por FREDDIE MERCURY E MONTSERRAT CABALLE.


How Can I Go On

When all the salt is taken from the sea
I stand dethroned
I'm naked and I bleed
But when your finger points so savegely
Is anybody there to believe in me
To hear my plea and take care of me?


How can I go on
From day to day
Who can make me strong in every way
Where can I be safe
Where can I belong
In this great big world of sadness
How can I forget
Those beautiful dreams that we shared
They're lost and they're nowhere to be found
How can I go on?


Sometimes I start to tremble in the dark
I cannot see
When people frighten me
I try to hide myself so far from the crowd
Is anybody there to comfort me
Precious Lord hear my plea - yeah
Lord ... take care of me


How can I go on (how can I go on)
From day to day (from day to day)
Who can make me strong (who can make me strong)
In every way (in every way)
Where can I be safe (where can I be safe)
Where can I belong (where can I belong)
In this great big world (in this great big world of
sadness)
How can I forget (how can I forget)
Those beautiful dreams that we shared (those beautiful
dreams that we
shared)
They're lost and nowhere to be found
How can I go on?


How can I go on
How can I go on go on go on go on yeah yeah yeah

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Em frente, e avante!


Hoje foi um dia importante em minha vida, pois depois de quase um ano da publicação do resultado do concurso, e de ter passado em primeiríssimo lugar (ah, moleque!), finalmente tomei posse na reitoria do IFMG, em Belo Horizonte. Na verdade, tive muita sorte neste concurso e o que me salvou foi a ausência da matemática na prova, o que sempre me detona. Eu gosto de biblioteca, gosto dos livros, gosto do ambiente.

Espero que tudo dê certo e que me sinta feliz nesta nova jornada.  

Em frente e avante!

(Obrigada Marie, pela ajuda!)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Trajetória na Prefeitura de Ouro Preto

Nesta sexta-feira, dia 18 de janeiro, pedi a minha exoneração da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, onde trabalhava como agente administrativo. Entrei por meio de concurso e lá fiquei por 4 anos, com muitas histórias...

Quando eu entrei, fui lotada na  Secretaria da Educação; talvez por eu ter feito Letras, eles achassem que seria melhor para mim e para eles.  A coordenadora do RH da Educação me mandou para um distrito de Ouro Preto e disse que eu teria transporte para ir e para voltar, e que voltando, pegaria o ônibus que lavava os estudantes para o IFMG. O problema é que eu trabalhava de 7:00 da manhã até às 5:00 da tarde, e o ônibus só saia depois das 6:00. As professoras da tarde disseram que até tentaram pegar o tal ônibus, mas eram tratadas com hostilidade pelos alunos e receberam cusparadas, então pararam de pegar o ônibus e começaram a pedir carona. O problema é que existiam vans para levar e trazer os professores da manhã e apenas levavam os da tarde, e eu, como ficava o dia todo, também ficava em desvantagem. Foram tantas caronas inesquecíveis... Uma vez quase morremos esmagadas por chafarizes na carroceria de uma caminhonete, parecia que o  motorista fazia de proposito. Outra vez, pegamos uma carona, quando chegamos à Ouro Preto agradecemos, dissemos Deus que lhe ajude, mas o cara respondeu: É o preço da passagem! Foram tantas humilhações, incontáveis! 

Na escola em que trabalhei conheci pessoas maravilhosas. Lá eu tinha toda a liberdade para criar, inventar, trabalhar. Fui gestora da merenda, criamos o jornalzinho, inventamos promoções, tentei criar uma maneira de catalogar todos os livros da biblioteca, pena que não pude terminar... O ambiente de trabalho era agradável, mas as condições  não estavam boas, principalmente por que eu tinha passado no vestibular novamente e tinha que estudar, por isso, pedi minha transferência para a cidade. Aquela mulher me enrolou, enrolou, como enrolou a tantos que não suportaram e pediram exoneração. Enquanto isso, minhas colegas e eu fomos ao sindicato lutar pelo nosso direito ao transporte. Depois de falar com o vice-prefeito, finalmente, conseguimos a van para nos buscar.

Eu e  minhas colegas lutando por transporte - encontro com vice-prefeito (sou essa de bolsa roxa)

Depois de mais de um ano insistindo, a mulher do RH me ligou e disse que eu tinha apenas alguns minutos pra decidir sobre uma vaga em uma escola de Ouro Preto. Eu não conhecia a escola, mas como havia atazanado a todos para conseguir a transferência, decidi aceitar. 

Quando cheguei na tal escola, notei logo um clima nada amistoso. As pessoas mal responderam ao meu bom dia. O meu trabalho seria tomar conta da biblioteca, organizar os livros, "limpar" e dar "aulas de biblioteca". Seria até um trabalho interessante, se não fosse imposto. Porém, além de o clima de trabalho ser terrível, recheado por fofocas, intrigas, guerras de egos e de poderes, eu tinha um horário na grade escolar a cumprir, isto é, eu estava fazendo o papel de professora! As tais aulas estavam no horário das crianças de 03 anos ate os 11, eu tinha que preparar conteúdo, contar historias e dominar as crianças de várias idades, sem falar que o professor tinha esse horário livre. Algum deles dividia alguma parte do seu salário comigo? Oh, não! Como eu era "agente administrativo", achei injusto e fui procurar meus direitos pelo sindicato. Pedi novamente a minha transferência, desta vez, sai da secretaria Municipal de Educação e fui parar na Secretaria de Assistência Social.

Passeata dos trabalhadores municipais

O mal deste cargo, "agente administrativo", "auxiliar administrativo", o escambal admnistrativo, é que as suas funções não são bem definidas e acabamos fazendo trabalhos destinados a todos os outros cargos, desde office-boys até gerentes, sem falar que não existe um tal piso salarial. Na assistência Social, encontrei muita gente boa e que se tornaram amigos, mas o trabalho é imensamente entediante! Por dois anos eu tive que conferir processos, xerocar e anexar documentos, ver se as datas dos contratos, dos relatórios, dos empenhos e das portarias estavam na ordem certa, ver se os dados digitados estavam corretos, conferir e atualizar listas, digitar contratos, ligar cobrando documentos e por ai vai, todos os dias a mesma coisa. Quando eu chegava e olhava aquela mesa entulhada de papeis, dava vontade de sair correndo dali e não voltar nunca mais! Trabalho que não exige nenhum tipo de criatividade, que não nos estimula, que não traz nada e que não contribuímos com nada, não é o sonho de ninguém. O que compensava eram as conversas com os amigos e as delicias que a minha amiga trazia para vender, mãos de fadas!

Festa de fim de ano do sindicato - ganhei um forno elétrico!

A outra coisa que me chateou muito na prefeitura foi o salário, praticamente um salário mínimo! Uma vez, mesmo que trêmula, me levantei e fui ao palco do sindicato falar sobre a nossa condição salarial, que é vergonhosa! Resolvi fazer um manifesto em nome da categoria e colher assinaturas. Meus colegas me ajudaram, mas estávamos em épocas eleitorais, nada foi resolvido. Ao menos, o novo prefeito prometeu que nenhum servidor da prefeitura ganhará menos que dois salários mínimos; realmente espero que isto aconteça, embora não esteja mais lá.

 
Passeata por melhores condições

Na verdade, muitas outras coisas que vi, que ouvi, que soube, me chatearam imensamente, não só relativas ao trabalho, mas por perceber como o mundo funciona e como a política é nojenta. Mas, quero esquecer tudo isso, por que apesar das coisas ruins, vivi momentos maravilhosos com pessoas maravilhosas, e apesar de pouco, foi com este salário que sobrevivi e que criei meus filhos. Obrigada PMOP.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Comportamento: De repente, você já não tem mais 20


Sempre brinco que para sempre terei 20 anos, mas o tempo é implacável! As marcas de tudo o que vivemos, de todas as dores e sofrimentos, grudam em cada molécula e vão destruindo o nosso corpo frágil. De repente, você não é mais aquela pessoa infalível, invencível e imortal que era aos 20 anos. Sem que percebamos, nossas capacidades vão se diminuindo gradualmente, e o que estava distante, vem de encontro a nós e nos assombra. Neste momento você se olha no espelho e percebe as linhas crescentes, os poros, as manchas, tudo o que não estava ali até ontem. Você não tem a mesma disposição nem a mesma coragem; você não é o mesmo e, não, não tem mais 20 anos apenas... De repente, você não é tão saudável quanto antes e precisa se cuidar, e é neste momento que você começa a prestar mais atenção e dar valor a cada segundo de sua vida. E tudo isso, de repente!

É quando o peso fica sobrecarregado e os atos tem maiores consequências, que começamos a nos preocupar com a nossa rotina, com tudo o que estávamos habituados, e, de repente, devemos mudar tudo! è assim, de repente. É neste momento que descobrimos também que, talvez ainda tenhamos 20, por que ter 20 não depende só do corpo; o corpo se deteriora, mas não é de corpos apenas que somos feitos, somos a energia do que realizamos, pensamos e externamos com nossas ações e expressões, todos os dias. Começamos a perceber também que a maneira que vivemos e sentimos as coisas, interferiram mais em nossos corpos do que o próprio tempo... e é disso que devemos cuidar antes de tudo, de quem  somos, tratando de ter pra sempre 20, até que os nossos corpos se cansem e nos libertem.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

As melhores invenções da face da terra


Água sanitária : Limpa, desinfeta, tira o mofo e clareia. O único mal é o cheiro que gruda eternamente no nariz e as roupas manchadas por descuido;

Máquina de lavar roupa: Deus que me livre passar horas esfregando, torcendo e estendendo roupa! Ninguém merece mais esse tipo de tortura!

Fogão a gás: Esfregar pauzinhos ou ficar catando lenha eram trabalhos árduos e que tomavam grande parte do tempo e muitas energias das pessoas. Obrigado e fiat lux!

Energia elétrica: Nem preciso dizer como isso facilitou a vida da humanidade e nos tornou zumbis, escravos da TV,  do computador, e por ai vai. E por falar em...

Computador: Essa  ferramenta, realmente pode mudar o mundo, pois é uma grande porta de informação e interatividade com todo o planeta. Espero que saibamos usá-lo.

Telefone celular: Não sei se foi boa ou ruim... Quando precisamos falar com alguém, não precisamos mais ficar ligando para a escola, casa de amigos ou ficarmos desesperados sem saber como entrar em contato, a maioria das pessoas tem um celular em mãos e isso tranquiliza nossos corações. Mas, ao mesmo tempo, quando não somos atendidos ou quando ficamos aguardando alguma ligação ou mensagem, se torna o pior aparelho de tortura,

Culinária: Essa química maravilhosa que nos livrou das verduras e carnes cruas e destemperadas e aumentou nossos prazeres!

Arte: Qualquer uma de suas manifestações alimenta nossas almas e nos leva mais perto de Deus.

Avião: Obrigado Santos Dummond! Hoje é possível conhecer o mundo inteiro antes da velhice e prestigiar todas as culturas, se você for rico, claro.

Por enquanto é isso, volto com as piores.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Desculpe - me

Desculpe - me se o meu gole é amargo
E se meus olhos estão secos;
Sinto por não ser tão suave
Ou se às vezes cheiro a esterco.

As esperanças mataram a esperança
E as lágrimas secaram a fonte.
La se foram a alegria mansa
E a luz que havia no monte.

Desculpe - me se desaprendi a amar,
Ou se tudo parece escuro...
Sinto por parecer hesitar,
Ou estar em cima do muro.

Desculpe - me,
Por despertar tarde
E estar de mau-humor...
Abra a janela devagar
Sinto que o sol me invade,
Devagar, nascerá uma flor.

 

sábado, 5 de janeiro de 2013

Coisas aleatórias e irritantes

 Padrão de tomadas

Eu odeio as tomadas brasileiras, nada faz sentido! Por que diabos existem milhares de formas diferentes de tomadas, por que não podem ser todas iguais? Agora inventaram o padrão brasileiro, só que, haja adaptador pra dar conta de tudo. Pra piorar, comprei um celular "paraguation" e quando fui olhar mais  minuciosamente, descobri que ele era da Índia, pois no seu menu de linguagens havia línguas hindi, gujarate, urdu e outras, quase me ferrei testando as linguagens, nunca mais saberia como voltar ao português de Portugal instalado. Mas o mais importante em questão é: aquela tomada dos infernos não cabia em nenhum lugar! Era de dois pinos, mas o negócio era tão grosso que foi impossível enfiar nos buraquinhos (sem trocadilhos). O meu filho forçou num adaptador de tomadas, chamado "T" e  nunca mais saiu. Ao menos consigo usá-lo, menos onde há o  novo padrão de tomadas de três pinos, como no hotel de Porto Seguro.

 
gambiarra para carregar celular no hotel


Sacolas de plástico

Outra coisa que me irritou hoje, fui quando fui comprar salgadinhos numa lanchonete e a menina colocou tudo num saquinho minúsculo  de papel e disse: _ Só não tem  mais sacolinha de plástico,  agora é lei! Que ódio! Tive que trazer o pacotinho no ônibus, cheio de gordura, todo o mundo vendo que eram coxinhas, pasteis, e quase rasgando. Curiosamente achei um video do PC Siqueira, um cara do youtube, que fala exatamente o que eu penso sobre isso. Agora vamos ter que comprar sacolas para colocar nas lixeiras e sair carregando aquelas antigas sacolas de feira para onde formos... o vídeo fala melhor sobre esses dois assuntos.


 

No mais é isso, estou irritada e com sono.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

comportamento: A culpa é sempre DELAS

Desde a a bíblia a mulher é a culpada por todo o mal que há na terra, pois Eva, a fraca e dissimulada, se deixou tentar pela serpente maligna e comeu o fruto do bem e do mal, e não satisfeita em ser desgraçada, persuadiu o pobre Adão a participar de sua maldição. A mulher foi criada de uma costela do homem, ela nada mais é do que uma parte insignificante de seu corpo; o homem lhe deu a luz antes que ela, a mulher, e apenas ela, tivesse essa possibilidade; foi amaldiçoada e por isso menstrua e sofre as dores do parto. Ela já foi bruxa e queimada na fogueira se possuísse olhos tortos. De acordo ainda com o livro sagrado, a mulher deve ser submissa e deve obediência ao homem, deve ser uma boa esposa e só.

 Coma, querido, é "free cost"!

De acordo com alguns países islâmicos mais radicais, a mulher não pode sequer mostrar o seu rosto. Na Arábia Saudita, ela não tem o direito de dirigir, de sair sozinha, de viajar sem o consentimento de algum homem da família, mesmo que este seja o seu filho, e não pode conversar com outros homens, correndo o risco de ser morta apedrejada. Qualquer coisa lhe servirá como prova de sua total desonra e desonestidade.

 Mulheres árabes na praia

Aqui mesmo no Brasil, até algumas décadas atrás, a mulher era criada e educada para o casamento; colecionava peças para o seu enxoval durante toda a vida e aprendia o básico para ser uma boa esposa, como bordar, lavar, passar e cozinhar. Uma mulher separada era pior do que uma prostituta, não tinha direitos, não tinha chances, não tinha liberdade. Até mesmo hoje em dia, em algumas cidades mais interioranas, as mulheres separadas ainda são vista de maneira diferente, são julgadas, mesmo que veladamente. Se ela se separou, a culpa é dela, de sua incompetência, sua fraqueza.

Atualmente, na Índia, uma jovem foi estuprada por uma gangue em um ônibus, e vários casos de estupro estão virando notícia. Alguns homens e até mesmo mulheres dizem que é preciso tomar providências, mas as mulheres deveriam aprender a se vestir e a se comportar melhor. Claro, a culpa é delas! Elas não deveriam se vestir de maneira em que os animais não pudessem se controlar ao vê-las, por que elas não são donas de seus corpos e de suas vidas. Os homens tem todos os direitos neste mundo, as mulheres não servem para nada além de lhes saciar todas as vontades, de lhes servir. 
 Jovem estuprada na Índia por uma gangue

No caso indiano, é uma questão muito mais complexa e que não irá mudar tão facilmente, aliás, a minha previsão é de que piore. Na Índia ainda acontecem os casamentos arranjados e em alguns lugares  mais isolados, ainda realizam casamentos infantis. Ter uma filha é um grande peso para as famílias, desde o nascimento até a hora do casamento. Na maioria das vezes, elas não são criadas para outra coisa a não ser para o casamento, e nesta ocasião, todas as despesas são por conta da família da noiva, o casamento sempre tem que ser grandioso. De uma maneira mais fria, meninas só dão prejuízos às famílias, e esse é um dos motivos que levaram muitas famílias a matarem as suas filhas logo após o nascimento. Desde a infância, meninas e meninos ficam separados, não aprendem a se relacionar nas escolas, e muitos, rapazes e moças, permanecem virgens até o casamento. Junta-se a isso toda a informação que a tecnologia traz, todos os vídeos, fotos e contatos com o exterior, e uma cultura machista e radical, temos, então, uma bomba prestes a explodir.

Não gosto de generalizações, assim como no Brasil e em todos os outros lugares, na Índia, a maioria é gente do bem e que está horrorizada com os atos destes animais. Mas as questões precisam ser encaradas de frente para que possam começar a serem resolvidas.

A culpa é sempre delas. Elas que fiquem com as chatices dos afazeres domésticos e das crianças, enquanto os homens vão brincar de fazer guerras e mudar os destinos da  humanidade! Quando eles voltarem, que elas estejam prontas para trata-los como reis, que é o que eles são.

Recentemente vi um video evangélico onde as mulheres falavam sobre a submissão da mulher dentro do casamento. Foi triste. Ninguém deve ser submisso, meu Deus! Temos todos os mesmo direitos e os mesmos deveres. Não temos todos as mesmas necessidades nem preferências, mas todos gostamos de ser bem-tratados e valorizados. Quem disse que a  mulher não pode priorizar o trabalho antes da maternidade e do casamento? E quem disse que ela não será uma boa dona de casa se fizer isso? E quem disse que é ela quem deve cozinhar, lavar e passar, se ambos vivem na mesma casa, trabalham fora e tem as responsabilidades dos filhos? E por que ela não  merece ser valorizada e tratada como uma rainha ao chegar em casa, da mesma forma que ela deve tratar o marido? Por que ele pode chegar cansado e ter o seu espaço, a sua TV, e ela deve continuar servindo até a morte? Por quê?

Amor é doação, sim. Quem ama, quer ser bem tratado, valorizado, se sentir bem em ambiente familiar, e isso serve para ambos. Ambos devem se amar, se ajudar, cooperar, se valorizar.

Que "gracinhas"!

Estou quase me convencendo de que a culpa é realmente delas. Elas perpetuam o machismo de seus filhos, as tradições prejudiciais a elas, os preconceitos. Quando não prendem as suas filhas, lhes ensinam que devem valorizar o corpo acima de tudo e aplaudem quando elas balançam o bumbum até o chão "mexendo o poposão"; elas aceitam ser submissas e ter um papel secundário no mundo; elas abrem mão de toda a sua vida em nome da família, do casamento, como se toda a carga devesse ser carregada só por ela. Ela diz amém e concorda que foi Eva quem envenenou o mundo, aquela cigana de olhos oblíquos, de ressaca. 

A culpa é toda dela!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Dois e Dois são Quatro


Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.

 Ferreira Goullart


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