sábado, 29 de dezembro de 2012

Dicas de viagem para Porto Seguro - um paraíso do tempo do descobrimento

Quando voltei da Índia já tinha em mente a minha nova viagem, desta vez com os meus filhos, pois como eles nunca tinham visto o mar, estava parcialmente decidido o nosso destino. Passei mais alguns meses juntando, economizando, guardando PIS, décimo terceiro e tudo o que sobrava para tornar o sonho realidade, até que o fim de ano chegou e resolvi que era hora. Alguns amigos me perguntaram como é que eu consigo viajar com esse salário ridículo, eu respondo que simplesmente não esbanjo dinheiro, não acumulo coisas, não desperdiço, quero juntar experiências.
Eu e o mar

Como eu teria uma semana de folga no natal, fui até uma agência saber sobre os valores dos pacotes. Ir de avião era muito  mais confortável e rápido, mas não caberia no meu orçamento, tivemos que ir de ônibus mesmo, dividindo as parcelas em 6 vezes. Porto seguro seria o nosso destino. A agência de turismo responsável era a Bravitur e no pacote estavam incluídos as passagens, as diárias, 5 refeições e o café da manhã. Ótimo, mas é melhor ir preparado, por que nada é barato na cidade turística.


Dia 21 partimos de Ouro Preto às três para pegar o ônibus às 7:00 da noite. Foi uma longa viagem até o hotel, chegamos aproximadamente ao meio dia do dia 22. Como bons farofeiros que somos, levamos salgadinhos, frutas e refrigerantes, pois os preços na estrada são um absurdo!


O hotel em que ficamos foi o Shangrilá, confortável, tinha frigobar sem taxas, televisão e cofre (cobram R$ 1,00 por dia pelo uso) e um café da manhã maravilhoso. Ao chegarmos, deixamos nossas coisas no hotel e nos preparamos para ir até a praia Axé Moi. Para quem gosta de diversão, lá é um ótimo lugar, tem música, fazem brincadeiras e o povo fica dançando com as instruções dos dançarinos/professores. O único problema é que em nenhuma das praias existe alguma refeição abaixo de R$ 60,00, isso quando há alguma nesse valor. Sucos à partir de R$ 5,00 e por aí vai. Se você gosta de passar a tarde inteira bebendo cerveja, prepare-se para gastar horrores.
Brincadeiras em Axé Moi

O meu filho adorou e não me deu sossego, tanto que perdeu os chinelos em algum lugar e veio choramingando pelo caminho, fritando os pés,  até que encontrei algum lugar onde vendesse chinelos.


Voltamos à tarde para o hotel, tomamos banho e fomos para a tal Passarela do Álcool, que nada mais é que uma longa rua onde as pessoas montam suas barraquinhas perto das calçadas e vendem algumas lembranças, produtos locais e a maioria made in China. No final dela fica um rapaz que faz tatuagens coloridas com spray e dá um show dançando enquanto pinta as pessoas, muito legal.

No segundo dia fomos à Praia da Coroa Vermelha, pelo ônibus da agência também. O mar é super calmo, parecia uma lagoa, ótima para crianças e mineiros como eu. Na viagem, um guia local nos acompanhou e fez a propaganda dos passeios opcionais, ou seja que são pagos. Eu sou muito cismada com guias, eu os imagino como pessoas dispostas a fazerem tudo e qualquer coisa para tirarem o dinheiro dos turistas, e na maioria das vezes, isso é verdadeiro. Ele nos apresentou os passeios e nos disse para decidirmos logo, pois em algumas praias havia um numero de visitantes permitido, e que em Trancoso esse número seria de 6000 por dia, mais ou menos isso. Eu, meus filhos, minha irmã e cunhado compramos um passeio até Trancoso, por R$ 35,00 cada pessoa. Ele foi até o hotel e pegou o dinheiro no mesmo dia. Uma dica: Não compre passeios sem pesquisar antes! Andando pela Passarela do Álcool vimos inúmeras agências vendendo os mesmos passeios por R$ 25,00 cada. Foi numa dessas que compramos o passeio para a Praia dos Espelhos, por R$ 40,00. Na volta o pessoal foi ver a parte histórica, eu queria ir, mas estava muito cansada.





No dia 24 fomos ao Arraial d'Ajuda por conta própria. É só pegar a balsa por R$ 3,00 e depois a van, acho que R$  2,50. A praia também é muito linda e aproveitamos bastante a paisagem. À noite ficamos andando pelas ruas, não tinha muito o que fazer... Encontramos um Trenzinho da Alegria, que me fez lembrar da minha infância, só que os caminhos e a família responsável fez parecer um trem dos horrores. Não tinha ninguém fantasiado, apenas rostos estranhos. Acho que o ingresso foi R$ 5,00, mas o que fazer na noite de natal? passeamos uns 15 minutos no trenzinho e depois fomos para o hotel.


No dia do natal nos preparamos para a tal viagem para Trancoso. A van chegou ao hotel para nos chamar, só que faltavam 2 lugares. Essa situação já nos deixou bastante irritados e o guia a quem pagamos não estava lá. Depois de uns telefonemas, conseguiram um lugar no ônibus e meu cunhado teve que viajar com o meu filho de 9 anos no colo, enquanto nós fomos na van. Sem falar que no ônibus, os guias falavam sobre os lugares e faziam brincadeiras, na van, fomos apenas transportados. No caminho, pararam em um local para que pudéssemos consumir e depois seguimos. A praia também é muito linda, como todas, e a comida é muito cara, como sempre. À noite fomos até o hotel onde ficava a agencia do guia que nos vendeu as viagens para pegar os R$ 35,00 do menino que foi sentado no colo. Um guia da agência nos viu e pediu que aguardássemos do lado de fora pois iria chamar o outro guia que nos havia vendido. Ele chegou e ficou um longo tempo lá dentro, talvez inventando uma história para o ocorrido ou juntando dinheiro para nos devolver; voltou com uma história enrolada mas nos devolveu R$ 33,00.
A casa, o menino e o cão



No último dia fomos à Praia do Espelho. O motorista da van, também guia, nos falou sobre algumas historias e nos levou para ver as tartarugas no mar. Antes de chegar, ele nos indicou uma barraca, pra variar, e nos disse que nas outras barracas a consumação mínima por pessoa era de 100 reais; eu não acreditei nisso, mas ficamos naquela barraca mesmo, pois nem vi onde havia outra. Tudo caro. Bem, ao menos, a natureza compensou tudo! A praia era maravilhosa, a água tão límpida e transparente! Em um certo local consegui ver os peixes nas águas. É incrível que na região em que os portugueses chegaram pela primeira vez, há mais de 500 anos, ainda esteja tudo quase intacto, não sabia que era assim.


Bem, fomos também a um Shopping, brincamos nos brinquedos, tiramos fotos com Papai Noel. A comida do restaurante Mirage era muito boa, só tenho a elogiar.


O único inconveniente foram algumas baratas no primeiro dia, no hotel (que me fizeram dormir sempre com as luzes acesas) e o ar condicionado estragado do ônibus, que fez com que a temperatura na volta chegasse até 36°. Mas são coisas que acontecem, o Gilberto, guia da Bravitur, estava lá para nos ajudar.

Concluindo, é uma excelente viagem para quem quer ir até as origens do nosso descobrimento, para quem quer se sentir no paraíso, ficar perto da natureza e lavar um pouco a alma. Adorei.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

As Três senhoras


Três senhoras estavam conversando, contando os casos de suas vidas e lembrando sobre os seus falecidos maridos. Dona Alva, uma senhora altiva com o seus cabelos pintados de louro claro e seus óculos presos por uma cordinha disse:

_ Eu era completamente apaixonado pelo Joaquim... No começo ele dizia palavras bonitas, lindas declarações, trazia presentes, mas com o tempo, ele se acostumou e ficou meio quieto. A gente não conversava muito, mas eu acho que ele me amava. Vocês não acham que viver  a vida inteira ao lao de alguém não é amor?

Dona Marica coçou os cabelos encardidos e presos num coque mal feito e disse:

_ Eu acho que amar é só no começo mesmo. No começo, as pernas ficam bambas, a gente sente aquele calor, quer ficar perto o tempo todo. Depois, as coisas esfriam e vem mais o costume mesmo, a companhia.

_Ah, eu não acho, falou Dona Luzia. Eu acho que quando a gente ama, a gente quer ficar junto sempre. Meu José não me deixava ir nem na porta de casa sozinha, queria controlar tudo, saber de tudo. Ele era doido por mim, nossa! Mas também, não me dava sossego.

A neta da dona Marica ouvia a tudo e resolveu meter a colher no assunto:

_ Eu não acho que nada disso seja amor. Esse fogo todo, sem explicação e sem motivo, é paixão, não é amor. Essa coisa de querer ficar grudado, é posse, ciúmes, desconfiança, não é amor. Querer agradar com palavras vazias e presentes, é não ter mais nada a oferecer.

Dona Alva se virou com o seu ar de autoridade máxima e perguntou:

_ Ah, diga então, madame, o que é o amor?

Marisa se sentou mais próximo ás senhoras e disse:

_ Primeiro pergunte-se a si mesma: Se eu ganhasse na loteria e não precisasse de mais nada, eu ficaria com este homem? Se ele ficasse totalmente pobre e miserável, continuaria com ele?  Se ele ficasse gravemente doente, nunca mais pudesse fazer sexo, ou nem mesmo me reconhecesse, eu continuaria amando e cuidando dele? Se eu tivesse muita raiva dele, mesmo assim, não diria as coisas que mais o machucam, e mesmo assim, não me sentiria mal em confortá-lo, se precisasse? Eu realmente gostaria de viver com ele em qualquer condição, e sempre me sinto bem, respeitada e amada por ele? Sim a resposta for sim, então, isso é amor.

As senhorinhas se entreolharam, pensaram por alguns segundos e aplaudiram a jovem menina.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ouro Preto em : A lenda do Caboclo Pau d'agua

Aqui na região, todos já ouviram falar sobre a lenda do caboclo d'agua,  um ser estranho que vive no rio São Francisco assombrando as pessoas e tirando-lhes pedaços, mas muitos ainda não conhecem a lenda do Caboclo Pau d'agua.

Caboclo Pau dágua é um ser também muito comum na região de Ouro Preto, podendo  se disfarçar de várias maneiras, mas seus hábitos são sempre os mesmos, se diferenciando apenas por algumas poucas circunstâncias e características. Há, basicamente, dois tipos de Caboclos Pau 'agua em Ouro preto:  Nativus e studantus. 


Caboclo Pau d'agua nativus

Geralmente são nascidos e criados em Ouro Preto, possuem o hábito de beber muitos litros de cerveja por semana, e algumas vezes, outros tipos de bebida que possuem teor alcoólico mais elevado. Infelizmente, muitos destes caboclos cometem diversos vexames durante toda a sua vida, o que se agrava com o passar do tempo; o seu hábito afeta diversas pessoas, principalmente a família do Caboclo, podendo viver diversas tensões, situações vexatórias, brigas homéricas e discussões não compreensíveis. O hábito começa já na adolescência, pois é tido como fator essencial de bem estar e única maneira de se encontrar a diversão e os prazeres. Dificilmente encontraremos alguma festa, mesmo que seja infantil, sem a presença do álcool, elemento potencializador da diversão. É triste notar que para os Caboclos não exista diversão sem o consumo exagerado de álcool; mas as consequencias, como as inúmeras famílias destruídas por este hábito, não são levadas  em conta. Sempre com um copo na mão durante os fins de semana, muitas vezes até mesmo durante a semana, o Caboclo Pau d'agua nativus se gaba pelos seus hábitos.

Caboclo Pau d'agua studantus

O Caboclo Pau d'agua studantus é uma espécie que não pertence  necessariamente à região; eles migram de outras regiões a fim de  adquirirem conhecimento e alguma formação, mas quando aqui chegam, encontram o Reino de Baco. As tradições que existem nas casas onde estes caboclos vão  morar os obrigam (se já não o fazem por gosto) a consumirem altíssimos níveis de álcool e a enfrentarem diversas provas até se tornarem um verdadeiro Caboclo Pau d'agua studantus. Ele tem que provar que é merecedor de tal título e defendê-lo com unhas e dentes. A formação ficará para segundo plano, depois que todas as outras fases tiverem sido concluídas e concretizadas. O caboclo studantus, geralmente, não se relaciona diretamente com o caboclo nativus. São dois mundos distintos e duas relações diferentes com o local onde habitam. o studantus ajuda a manter a tradição, o nativus vive nela até a morte.

O que há em comum nestes dois tipos de Caboclo é a negação; negam que seus hábitos sejam prejudiciais à cidade e a eles próprios, negam que isso seja anormal, negam sempre. Enquanto isso, as notícias e as provas só fazem aumentar. Ouro Preto já ganhou a fama de cidade onde os caboclos mais consomem bebida alcoólica no Brasil, e os caboclos comemoraram bebendo. Porém, este título não é bom para ningém, aposto que nenhuma empresa de bebida gostaria de fazer uma propaganda de seu produto em Ouro Preto. aposto também que as famílias de dois caboclos studantus que morreram não pense que sejam normais tais hábitos.

Felizmente, não existem apenas caboclos em Ouro Preto. Esta cidade exala arte, cultura, beleza e história. Espero que os caboclos se tornem apenas lendas e que as autoridades saiam das sombras.


domingo, 9 de dezembro de 2012

O fim do mundo


Dizem que o fim do mundo acontecerá no próximo dia 21 de dezembro, segundo o tal calendário Maia. Muitas pessoas realmente acreditam nessa história e alguns já até se prepararam fazendo estoques de itens de primeiras necessidades e construindo abrigos subterrâneos, já que ainda não tem certeza de como se dará o "acabamento do mundo". Nos últimos tempos, eu gostaria de acreditar que este mundo vai acabar, que tudo mudará, que iremos para uma nova dimensão, ou seja lá o que acontece depois do fim do mundo. As coisas não têm sido fáceis e a decepção com os seres humanos, a cada dia, se torna mais insuportável. Algumas vezes, viver é dolorido, penoso e decepcionante, algumas vezes sentimos como se nada valesse a pena, que nada ou ninguém merece o seu respeito e amor; algumas vezes, parece que o nosso mundo já se acabou há muito tempo, e que respiramos sem ao menos nos darmos conta de que existimos... Muitas vezes eu quis que o meu mundo se acabasse, mas graças à Deus, nunca foi de verdade essa minha vontade. É que há momentos em que nos tornamos  mais frágeis e deixamos de ver o que realmente ainda vale a pena neste mundo. Mas, o que vale a pena neste mundo, ou no meu mundo?

_  Deitar no sofá e ficar o fim de semana assistindo à filmes com os filhos, rindo, chorando, me emocionando;
_ Comprar algumas coisas calóricas e deliciosas e fazer uma surpresa de vez em quando;
_  Tomar um sorvete no verão, saboreando cada pedacinho,
_ Conversar com os amigos do trabalho, cantar, dar muitas risadas, mesmo estando em ambiente de trabalho;
_ Ir para festa de confraternização de fim de ano e morrer de rir com as besteiras e os vexames dos colegas, e tomara que não dos meus;
_ Fazer aulas de teatro, rolar pelo chão, me quebrar todinha e me divertir de montão com os colegas, sem falar em me emocionar com o talento deles;
_ Chorar quando meu filho faz alguma apresentação na escola, mesmo que seja a mais sem graça;
_ Ter ainda a esperança de conhecer vários lugares do Brasil e do mundo, ver gente e culturas diferentes;
_ Ficar andando descompromissada pelas ruas, apenas pensando, falando com algum desconhecido no ponto de ônibus, com o senhor Jair na porta do cinema, dando-lhes atenção;
_ Ver a alegria dos meus filhos e sobrinhos por coisas tão pequeninas, como ganhar uma bala;
_ Chegar em casa e poder deitar, sem nenhuma dívida, sossegada;
_ Ser capaz de realizar um grande sonho ganhando praticamente um salário mínimo;
_ Estar com os meus amados;
_ Arte, e por aí vai...

O que não vale mais a pena no meu mundo?

_ Deixar que as pessoas me conduzam para onde elas queiram que eu vá e não ir para onde eu deveria;
_ Acreditar cegamente que todos pensam e sentem como eu;
_ Esperar demais, mesmo sem ter nada que me diga para esperar;
_ Lágrimas perdidas por atos de quem não se importa com o meu sofrimento;
_ Melancolia;
_ Deixar pra depois;
_ Procrastinar os sonhos realizáveis;
_ Preguiça;
_ Desorganização;
_ Priorizar aquele não me prioriza, e muitas outras coisas que tenho que analisar ainda.

Espero que o mundo não se acabe no dia 21, até por que farei algo importante neste dia; espero que essa finalização fique para outra data! Mas sei que algumas coisas no meu mundo tem que acabar agora,  mesmo que rasgue o meu peito deixá-las. Uma parte do meu mundo tem que acabar, para que outra nova surja, livre, linda e em paz.

E você, que parte do seu mundo precisa acabar agora?







quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ouro Preto - Repúblicas Federais e os problemas na cidade


Ouro preto são muitas, mas a principal divisão é feita  baseando-se em duas categorias,  "forasteiros e nativos". Forasteiros são os turistas e principalmente os estudantes universitários, nativos são o povo que nasceu na cidade. Existe uma pequena animosidade entre essas duas porções, alimentada por anos e que faz crescer as diferenças entre elas. Antigamente, era muito difícil de se encontrar um ouropretano dentro das universidades, hoje, felizmente, essa realidade está mudada. Mas o fato é que são dois mundo diferentes que quase não se encontram, a não ser através do comércio.

Ouro Preto é uma cidade importantíssima no cenário mundial, palco da tal "Inconfidência Mineira", fato que usaram para criar marcos históricos para o Brasil. É também patrimônio Mundial da Humanidade, possui o seu riquíssimo conjunto arquitetônico, é um lugar efervescente de cultura e de saber, mas é também um local sombrio e cheio de histórias sinistras que as autoridades sempre tentam esconder.

A cidade possui a UFOP, o IFMG, grandes centro de educação e importantíssimos para a cidade e até mesmo para o Brasil. As qualidades destas instituições são reconhecidas e isso ninguém discute. A UFOP oferece aos seus alunos todas as condições necessárias para a permanência destes nos estudos, como bolsa alimentação, bolsa permanência e alojamentos, sem falar em programas voltados para a saúde, atendimento psicológico e outros que buscam promover o bem estar. Mas há algo que sempre incomodou a todos e que já foi alvo de muitas discussões que é a questão das repúblicas federais.

Repúblicas são casas destinadas à moradia de estudantes, podem ser particulares ou privadas. Em Ouro Preto há dezenas de repúblicas e muitas pertencem à universidade; são casas centenárias localizadas no centro, e que possuem uma longa tradição. O problema é que nestas repúblicas não entra quem não tem condição para pagar moradia, mas quem os moradores decidirem; para tanto, é necessário enfrentar uma longa "batalha", onde o calouro ou "bixo" é obrigado a passar por várias provações até ser admitido. Muitos são desrespeitados, tem seus pertences jogados na rua, são obrigados a fazer os piores serviços domésticos e a consumirem enormes quantidades de álcool. Muitos perdem o período e desenvolvem problemas psicológicos, alguns até gostam e esperam o momento de se tornarem moradores e adquirirem o direito de repetir o que lhes foi feito com um novo calouro.

Eu nunca participei de nenhuma festa dentro dessas republicas, mas já ouvi inúmeros relatos sobre o que acontece ali. Consumo de álcool e drogas, orgias, e tudo o que se imaginar, sem restrições. Tudo isso seria aceitável, se não acontecesse dentro de casas pertencentes a uma instituição de ensino.

As pessoas tem medo de falar sobre este assunto, embora gostem de reclamar sem compromisso. Alguns estudantes se defendem, dizem que outras coisas matam mais que o álcool e que são adultos e tem o direito de se desestressarem para manter a sanidade mental; sim, são adultos e tem o direito de fazer o que desejarem com o seu corpo e a sua saúde, mas o problema é que isso tudo esta acontecendo, na maioria das vezes, dentro de prédios públicos. 

Muitos celebraram o título de cidades onde os universitários mais consomem bebida alcoólica, isso demonstra o valor que dão a este hábito de consumir grandes quantidades de álcool. Este é um problema de saúde, mas que não pertence apenas aos universitários. Nossa cidade tem inúmeros casos de "nativos alcoólatras", famílias destruídas por este hábito socialmente aceito e celebrado.

Dois estudantes morreram em menos de um mês dentro nestas repúblicas, e alguns pensam que isso seja normal, atacam a mídia e a chamam de oportunista. Se a mídia é ou não oportunista, isso pouco importa! O que importa são os fatos que se tornam insuportáveis a cada dia.

Não podemos mais tampar o sol com a peneira e está na hora de a universidade tomar as rédeas de seus imóveis. Uma reforma se faz necessária, essas republicas precisam de um direcionamento e de um acompanhamento. Muitas coisas acontecem dentro destes imóveis e isso prejudica toda a população que vive fora dessa realidade de festas sem limites. A cada esquina existe um ponto de drogas, e alguns nativos pobres, sem rumo, sem instrução,  estão se consumindo em drogas e miséria, tudo isso financiado pelas festas diárias de quem não abre mão de sua "liberdade".

Chega de hipocrisia, ninguém está satisfeito com a situação de Ouro Preto, cidade que recebeu o título de Lugar onde se bebe mais. Isso é triste, e o que é mais triste é a apologia a essa cultura do álcool, que se perpetua não só aqui, mas por todo o Brasil.

Reportagem do jornal

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Família normal


O caçula começou a contar as histórias tristes de um coleguinha, falou sobre as brigas que  o menino havia presenciado entre os pais, que não moram juntos, sobre o hábito da mãe de beber e todas aquelas coisas capazes de enegrecer uma infância. Contando essa história, olhou para mim e disse:  "Coitado, ele queria tanto ter uma família normal igual a nossa..." Estranhamente eu me senti surpresa e feliz por ele considerar que a nossa família seja normal. Isso demonstra que o conceito de família normal está mudando, felizmente. 

Ser mulher, separada, trabalhadora, mãe de dois filhos, tentando terminar o curso de Letras e cuidando de todas as contas e serviços da casa não é tarefa muito fácil. Algumas vezes sinto que vou explodir e tenho vontade de ficar sozinha, sem fazer absolutamente nada, de não me preocupar com o almoço ou se o uniforme do menino está lavado; gostaria de poder dizer que não irei trabalhar e ficar o dia todo assistindo a filmes românticos na televisão, ou sair sem rumo, observando as coisas e as pessoas. Gostaria de me sentir livre.

Depois que virei "mulher" a  minha criatividade desapareceu quase que totalmente. A teoria sobre o ócio produtivo é corretíssima, não existe criatividade se a mente não tem espaço e liberdade para devanear, e se o corpo clama por descanso; não existe criatividade quando a rotina e as obrigações não nos deixam respirar. Se os grandes artistas renascentistas não tivessem os seus mecenas, nunca veríamos as magnificas obras que existem até hoje.

Enquanto isso, eu fico aqui, pela quarta vez matriculada na disciplina Projeto de Monografia e com o coeficiente de 5,8 pontos por zerar na mesma disciplina por três vezes consecutivas. A minha mente, simplesmente, não consegue produzir nada intelectualmente proveitoso, talvez por eu não conseguir encontrar nada de proveitoso em se discutir estilos e blablablas.

Mas estou aqui, caminhando, sozinha levando apenas a minha cara e coragem. Ao menos sinto-me realizada por saber que o meu filho considera que nossa família seja normal, algo inimaginável há algum tempo atrás.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Eu tenho a força!













Perguntas


Quem me tornei?
Já fui tantas, tantas concepções eu tive e tantas certezas das quais não restou nenhuma. Quando fazia planos, o futuro era distante e a vida parecia eterna; quando sonhava acordada, vivia, hoje, vivo sonhando e não durmo.

Para onde vou?
Depende apenas de mim, pois os outros já escolheram seus destinos sem mim. O meu caminho será incerto até que eu aceite o presente e refaça os meus sonhos. Para onde irei? Só eu posso escolher, porque ainda caminho só.

Onde vou chegar?
Quem sabe? certos destinos e escolhas não dependem apenas de nossas vontades; o fato é que se desejamos chegar a algum lugar, precisamos abrir os olhos e reconhecer os caminhos possíveis. Se ficarmos estagnados, nunca chegaremos a lugar nenhum.

O que quero?
Hoje quero e preciso menos que ontem. De tão simples os meus quereres, parecem impossíveis. O que parece mais perto está mais distante... O que quero? Certezas e paz.

Quem sou eu?
Ainda não descobri. Depende de quem está ao meu lado... Sou mãe, filha, irmã, amiga. Para alguns, maluca, para outros, legal. Não sei quem sou, mas sei o que não sou.

O que não sou?
Não sou hipócrita, não faço jogos, não tenho paciência para invencionices. Penso não ser invejosa, não sou muito sociável. Não sou esposa, não sou namorada, não sou rica e nem faço ou fiz nenhuma falcatrua. Sou simples e não gosto que me notem quando não sou um personagem.

O que mais me dói?
Sentir o preconceito das pessoas, mesmo vivendo no século XXI e perceber que você tem valor diferente dependendo das circunstâncias em que vive; sentir que lutei em vão por alguma causa; não ter com quem dividir as minhas alegrias e as minhas lágrimas e não ter alguém que cuide de mim quando precisar;  sentir que, mesmo que eu morra lutando e que eu faça melhor que o mundo inteiro, nunca terei o valor e o respeito que mereço. 



 

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