quinta-feira, 24 de março de 2011

VERDADE



Dentro das mãos o nada escorre
E só os sonhos sustentam o ser
Que morre...
...Mas os pesadelos vencem.
A realidade, a verdade
Tecem
O sombrio futuro,
Que ali mesmo
Espera,
Claro e sobrio,
Prendendo como o fel
Da lei severa.
Lei imutável!
Porque insistir cientes de que não há como seguir?
A hora chega
E o triste e inevitável fim, também.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Até logo, primo Muller!


Um dia divertido em uma cachoeira nunca  prenunciaria a grande mudança que ocorreria na vida de algumas pessoas...

Tão jovem, estava certo de que se formaria e seria um museólogo, continuaria vivendo a sua vida, cantando as suas músicas, vivenciando as suas farras, sonhando, mas alguém não quis que fosse assim. Alguém quis que ele fosse cantar e sonhar em outro lugar ainda desconhecido por nós que continuamos aqui; alguém ordenou que ele largasse tudo, de repente, e fosse viver outras aventuras em outras terras.

A sua voz jamais será ouvida novamente, as suas risadas nunca mais ecoarão, os seus amigos nunca mais verão o brilho do seu olhar. A sua mãe não terá mais a quem acordar e chamar para almoçar, o seu pai não terá mais alguém de quem possa se orgulhar, não haverá mais natal em família, não mais cearão juntos, e nem mesmo as brigas violentas voltarão a acontecer. Nunca mais alguém terá a certeza ou a esperança de sua presença, nunca mais, nunca mais...Sua mãe nunca mais terá um filho para abraçar.

Mesmo que alguns momentos vividos juntos tenham sido tensos, tristes, decepcionantes, não haverá mais a oportunidade de se fazer algo diferente. Nada mais pode ser feito, a história começou a ser escrita, mas ninguém está lá pra continuar e redigir um final. Ele se foi. Se foi aos 24 anos e seus olhos ainda brilham em nossas mentes... Ele se foi...

Nos seus últimos dias fez loucuras, viajou para visitar familiares distantes, comprou bolo de aniversário para a mãe, deu aos mais importantes momentos felizes. Mas Alguém queria que ele fosse até lá e lhe fizesse companhia, e ele foi.

Em sua última reunião com os jovens amigos, foi homenageado com canções do grupo Legião Urbana. As vozes saíram desafinadas e fracas, chorosas, mas verdadeiras. Tristeza e beleza, lado a lado.

Vá em paz, meu primo, e que Deus, seja ele o como e o que for, esteja ao seu lado, lhe confortando e confortando os seus queridos. Cante com Renato Russo e seus outros ídolos, e aguarde até o dia em que "Ele" também nos requisite a presença, quando descobriremos, tomara, que a dor não faz sentido, por que estamos em tudo e tudo está em nós.



domingo, 6 de março de 2011

Primeiro, o respeito

Há coisas na vida que são de difícil compreensão, por exemplo a maneira como as certezas de cada povo ou de cada um são construídas, assim como a noção de tempo, espaço, e de adequação de comportamento e de sentimento. Quando nascemos estamos inseridos em um contexto e o mundo inteiro nos diz sobre o que é certo, errado, comum ou abominável, e isso muda de acordo com os tempos e a região em que estivermos inseridos. Creio que até mesmo a maneira de sentir depende de todas essas variáveis, a intensidade, o conformismo diante de algumas situações, os ciúmes, o amor... Julgamos que todos devem sentir como nós e desejar o que desejamos, mas a tal globalização vem nos ensinando muitas coisas sobre os relacionamentos e sobre o próprio ser humano, e vem também trazendo muitos conflitos internos e externos, muitos choques.


Quando os portugueses desceram no Brasil pela primeira vez e encontraram os povos nativos, os quais chamaram índios (dizem que pela semelhança com o povo indiano), o choque foi inevitável, assim como quando chegaram à África. Imaginem o que as pessoas, que eram acostumadas a se cobrirem por inteiro vestindo toneladas de roupas, sentiram e pensaram ao verem todas as pessoas daquele lugar nuas. De acordo com religião que os dominava, aqueles eram pecadores que precisavam ser catequizados, pois tudo o que eles sabiam e faziam estava contra os tais princípios que eles julgavam universais e incontestáveis. Imaginemos também o que os índios pensaram ao ver aquela gente espalhafatosa saindo de grandes embarcações, com a coloração de pele diferente e falando algo incompreensível? Devem ter ficado assustados e curiosos, no mínimo. 

A maneira de ver o mundo desses dois povos eram totalmente paralelas, não tinham nenhuma conexão, eram dois mundos simbólicos totalmente independentes. Quem poderá dizer que a maneira, os costumes, os sentimentos, a religião dos portugueses eram superiores ou melhores do que o mundo dos nativos brasileiros? Quem teria esse poder? A única coisa em que se igualam e que, aparentemente, todos os povos tem em comum, é a crença em um ser superior ao qual nós chamamos Deus.

Sendo essa a verdade, não podemos julgar a maneira de agir de outros povos com o mesmo martelo que julgamos nossos conterrâneos. A maneira de vivenciar o amor, por exemplo, pode sim, ser diversa e trazer embutida sentimentos e rituais vários. Não se ama da mesma forma em todo lugar, e não se espera a mesma coisa do ser amado em todos os lugares do mundo. Esse também é um dos motivos que tornam os relacionamentos inter-raciais tão complexos, a incapacidade de reconhecer que existem possibilidades das quais nao fazemos parte e com as quais nem sonhamos, e que isso não é certo nem errado, é diferente de nós, fora de nosso mundo e difícil de "anexar".

O que não pode ser tolerável, no entanto, é que esses mundos sejam desrespeitados apenas para a satisfação de desejos imediatos, sem que seja levado em conta o que a outra parte poderá sofrer por causa do egoísmo, egocentrismo e etnocentrismo de quem quer que seja. Apesar de sentirmos e de esperamos coisas diferentes, todos nós merecemos respeito e todos nós sabemos quando os nossos direitos e a nossa dignidade não estão sendo respeitados, quando estamos sendo usados por não nos adequarmos ao mundo de quem quer que seja. A dignidade de um ser humano está em ver o outro como a si próprio ao mesmo tempo que deve reconhecer nas diferenças um motivo para o respeito e a admiração, e não uma desculpa para um pré-julgamento e a condenação, o que leva ao descaso e ao sofrimento de quem apenas queria ter respeito e amor.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pensamentos alheios que couberam em mim

Este texto está no blog Fragmentos, achei que diz sobre mim agora:


Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas, faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama.

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