quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Embromation

Todos os dias eu abro a página do blog, mas não me vem nem a inspiração e nem as forças, então entro com a "embromation". Minha vida está uma bagunça, tudo atrasado, parece que estou caminhando pra lugar nenhum, Jesus!

Pra compensar, colocarei um poeminha famoso de Cecília Meireles que diz muito sobre o terror que a mulher enfrenta, as consequencias dos anos.



Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Como o Brasil ainda é visto


As músicas não são brasileiras, a violência é exagerada, muito preconceito, mas não culpo o mundo pela imagem que guarda do Brasil. Ainda hoje, na televisão, vemos a sexualidade sendo valorizada e incentivada, convivemos com esses valores desde os primeiros anos de nossas vidas. É vergonhoso o que ainda damos destaque em nosso país...

sábado, 16 de outubro de 2010


Só quero acordar na manhã chuvosa e saber que do meu lado há alguém que vai me olhar com olhos de novidade e que não enxergará as mazelas deixadas pela noite. 

Quero saber que esse alguém vai me esperar, mesmo que isso o irrite profundamente, e que ainda terá um sorriso quando eu chegar. 

Só quero ter a certeza de que a minha presença é muita bem-quista e que se eu me ausentar por grandes períodos, ele sentirá a minha falta. 

Quero ver em seus olhos que tenho um papel importante em sua vida e que a minha presença é indispensável para o seu bem-estar.

 Quero ter abraços bem ternos quando o meu peito dore e bem quentes, quando o meu corpo arder. Quero brigas respeitosas e verdades, mesmo que que dolorosas. 

Quero ter a certeza de que o desejo é de eternidade, mesmo sabendo que nada é eterno. 

Quero sentir a magia em meu mundo trágico.

Não quero riqueza material, apenas o conforto do aconchego. Quero ser especial no meu pequeno mundo feio.

Quero que me admirem e quero admirar, adorar, concordar. Quero também discordar muito, sem deixar de apreciar.

Quero um lenço para as lágrimas e uma risada na alegria...Quero um beijo terno na manhã e um beijo longo ao final do dia.

Quero algo tão natural que alguns ainda pensam ser milagre! Eu quero o que todos querem, apenas ser amada, de verdade.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Difícil


Difícil é abrir os olhos quando estão embotados de doce ilusão
E enxergar a luz quando a purpurina  desbotada caiu ao chão...
Dolorido é acordar o corpo enquanto este jazia em glória
E colocá-lo de pé, quando ele ainda teme a palmatória.

Dor maior é saber que a doce verdade se fez mentirosa
E lançar para longe todas as  pétalas das rosas.
Martírio infinito é perceber que já se notava,
Mas não se tirou logo a clava.

Dolorido pranto quando deve se acordar
E os doces sentidos ter que deixar!
Ver apenas o negrume da vida,
Tentando curar a ferida.

Rasgados ficam os trapos,
Salivas sem guardanapos.
Onde havia o calor
Agora só há
Dor.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Kama Sutra


O Kama Sutra, apesar de a maioria das pessoas imaginar  se tratar apenas de um manual de posições sexuais, é um livro que contem ensinamentos para a vida toda, em todos os aspectos. Compilados pelo sábio Vatsyayana dos antigos textos de tradição erótica (Kama Shastra) , o Kama Sutra e  suas teorias ainda nos inspiram nos dias de hoje.

Iniciei a leitura desta obra há pouco tempo e aqui deixarei algumas partes que julgarei interessantes sobre esta extraordinaria cultura indiana. 

Há no livro uma parte que fala sobre os diferentes tipos de amor, a saber:

1- Amor adquirido pelo hábito.
2-Amor resultante da imaginação.
3-Amor resultante da fé.
4-Amor resultante da percepção de objetos externos.

Quando vi estes tópicos imaginei coisas diferentes, mas me esqueci que os conceitos e o mundo daquele tempo eram totalmente diversos dos que temos hoje, então seguem as explicações:

1- Amor adquirido pelo hábito.
 O amor resultante da realização constante e continua do mesmo ato, como por exemplo o amor pelo ato sexual, o amor pela caçada, pela bebida, jogos de azar, etc.

2-Amor resultante da imaginação.
  O amor por coisas às quais nao estamos acostumados e que provém, inteiramente de idéias, como  por exemplo, o amor que alguns homens, mulheres e eunucos sentem pelo sexo oral ou por coisas como abraços e beijos.

3-Amor resultante da fé.
  O amor mútuo e comprovadamente verdadeiro, em que um tem consideração pelo outro como se fosse por si mesmo.

4-Amor resultante da percepção de objetos externos.
  O amor resultante por objetos externos é muito evidente e conhecido no mundo, por que o prazer que ele fornece é superior ao prazer dos outros tipos de amor, que existem para o seu proprio proposito.

Em seguida o livro nos fornece mais detalhes sobre a união sexual, como o abraço, beijos, mordiscagens, etc.

Penso então que o primeiro amor se trata do vício que adquirimos por quaisquer coisas que nos dêem prazer e pelas quais estamos habituados; O segundo amor me pareceu se tratar do amor platônico, quando idealizamos algo com o qual não temos contato direto ou nos contentamos com as "esmolas" como se fossem um banquete; O amor pela fé é lindo e concordo plenamente com o nome dado, o amor verdadeiro, diria; O amor resultante pelos abjetos externos ficou meio nublado em minha mente, mas penso se tratar do desejo sexual. Depois que ler o restante do livro poderei afirmar.

O que vejo é que, apesar das centenas de anos que se passaram, a questão do amor não mudou muito e sempre houve a preocupação com a categorização e a manutenção dessas relações advindas detais sentimentos. 

Espero terminar a leitura e espero que outros se sintam inspirados a se aventurarem nesse caminho das Indias e do amor.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sabedoria popular...


Todos sabem que eu me sinto uma alienígena, mas algumas vezes me sinto muito mais alienígena ainda, fico chocada com alguns fatos que presencio!

A minha irmã teve bebê no último dia 24, coisa mais linda,  paparicada e também cercada de cuidados e de superstições! Eu moro em uma cidade mineira onde ainda reinam os antigos costumes, conceitos, crendices e preconceitos, sei disso, mas às vezes me choco em perceber que as pessoas realmente acreditam  em coisas de séculos passados! Eu me lembrava de algumas mandingas e receitas do tempo em que tive os meus filhotes, mas ainda me assusto com as coisas que venho ouvindo. Exemplificarei a seguir.

Quando tive o meu promeiro filho eu ouvi coisas do tipo:

_ Para se saber se o bebê será menino ou menina, coloca-se a gávida para se sentar, sem que veja, em uma de duas cadeiras, uma com colher e outra com garfo; se se sentar na colher, será menina, no garfo, menino;
_  Quando a barriga da mãe fica redonda é sinal de que será menina, pontuda, menino;
_ Quando a mãe tem muita azia é sinal de que o menino será cabeludo;
_ Não se pode lavar a cabeça da criança todos os dias;
_ Não se pode cortar as unhas do bebê, tem que soprar ou cortar com os dentes;
_ Quando a criança soluçar, é só colocar um pedacinho de pelo de cobertor na testa com a saliva da mãe que é tiro e queda!
_ Não se pode deixar que ninguém veja o bebê no sétimo dia, pois este poderá pegar o "mal de sete dias", algo terrível!
_ Quando a dentição do bebê começar a aflorar, para evitar as dores, pendura-se uma semente (que agora não me lembro qual) em seu pescoço, e quando esta arrebentar, os dentes nascerão sem problemas.

Essas são algumas que ouvi. Visitando minha irmã, estávamos eu e mais quinhentas pessoas, dentre elas uma parenta supersticiosa; esta pegou o bebê e disse: _Nossa, ele está com sapinho, tem que passar uma chave de igreja na boquinha dele..._Mais tarde, como minha irmã se queixava de dores de cabeça: _Aqui não tem água benta? Vocês também não tem nada! 

O engraçado é que não são apenas os mais velhos que cultivam essas crenças, também uma amiga de menor idade aconselhou: _Não beba água dando de mamar, senão o bebê vai mamar só água!

Voltando para casa, um senhor, vizinho, lembrou-se de me dizer para aconselhar a minha irmã: _ Fala pra ela que a lua não pode ver a roupinha do bebê, por que senão ele vai ter dores de barriga terríveis por seis meses! Ela tem que pegar o menino e apresentar ele pra lua e falar  "lua, luar, toma esse menino pra você cuidar" ! Oh, você não sabia disso, não? É verdade mesmo!

Respeito a sabedoria pópular, mas fico sem reação quando ouço tais conselhos, não sei se rio, se choro, se agradeço, se digo Ah, que besteira, então faço uma cara de paisagem e digo, oh, não sabia... Como eu não creio em nada, ou quase nada, às vezes sinto-me irritada com as pessoas me empurrando suas superstições como se fossem verdades absolutas. Nesses momentos sinto que não pertenço a essa família, a essa comunidade, a essa cidade, sinto-me um verdadeiro ET que fala outra língua, tão absurda que as pessoas me olham escandalizadas.

Bem, eu sei também que nas horas do desespero podemos nos curvar à sabedoria popular, como na vez em que o meu filhote soluçava sem parar e eu me vi pregando um pelo de cobertor em sua testa...Isso prova que nos momentos de crise acreditamos em qualquer coisa e somos capazes de ir por todos os caminhos em busca de alguma solução...Mas tantas coisas sem explicação lógica ainda atormentam o meu cérebro!

Só para terminar, uma receita que retirei de um livro de simpatias:

Para curar picada de cobra cascavel:

Matar a cobra, retirar o coração e dar para a vítima comer (porém, deve-se tomar soro antiofídico).

Tanto trabalho para se capturar a cobra, correndo o perigo de ser a segunda vítima, matar o bichinho e ainda fazer com que o pobre coitado coma um coração de cobra cru, sendo que ele só precisaria tomar o soro...O editor do livretinho não quis correr o risco de apenas transcrever a simpatia... É cada uma!

sábado, 2 de outubro de 2010

Aniversário


O meu último aniversário, dia 30 de setembro, foi um dos mais inesquecíveis que tive até hoje...Na verdade, parei de comemorar aniversários há muito tempo, especialmente depois dos 30 anos. Para a mulher, a questão da idade é algo bastante delicado, mesmo ela sendo moderna, feminista e desligada, pois ainda vivemos em um mundo dominado pelos jovens e magros corpos. Como não se sentir excluída e rejeitada nesse universo?

Voltando ao assunto, o meu dia começou com um cantar de "Parabéns pra você" aos berros pelos meu caçula. Apesar do sono, adorei a iniciativa dele, seguida pelas felicitações do meu filho mais velho, os meus únicos e verdadeiros tesouros. Após mais uma tentativa de soneca, levantei-me para preparar o café e olhar o cachorro que estava doente, mas algo já me dizia que o pior iria acontecer... Ao chegar lá onde ele dormia, percebi que estava imóvel e soube que se fora. Fiquei super triste e preocupada com o que fazer com o corpo, por que aqui não há cemitério de animais ou coisa parecida; o que as pessoas costumam fazer é colocar os animais mortos no lixo. Bem, mesmo que eu quisesse agir dessa forma não daria certo, por que o meu cachorro era um boxer, nem caberia num saco de lixo e eu não me sentiria bem fazendo isso. Depois de ligar desesperada para a minha mãe, decidi,  já que não tinha ninguém pra me ajudar, a cavar um buraco no quintal e enterrá-lo. Não me sinto bem com um ser enterrado em casa, mas não tive escolha. O trabalho foi muito árduo e ainda me doem os músculos, apesar da ajuda do meu filho.
 Getúlio

Bem, cavado o buraco, que julgamos de tamanho suficiente (tomara), fomos buscar o cachorro. Foi algo terrível, por que eu tenho medo de seres mortos, não medo de assombração, fantasma, nada disso, é algo inexplicável! Eu me sinto muito mal em ver e principalmente em encostar num corpo sem vida,  frio Mesmo com sacolas plásticas nas mãos pude sentir a temperatura gelada do corpo do cachorro, isso foi muito incômodo. Tomei coragem e levamos o cachorro para o buraco. O meu filho mais novo fez uma cartinha e colocou no buraco junto com um pouco de ração canina. Foi triste ver o nosso amigo de 7 anos dentro daquele buraco, senti muita tristeza e vontade de chorar. Naquele momento ventou forte e me senti estranha.

Depois de enterrado, nos limpamos e fomos para os trabalhos de casa. 

À noite eu tinha prova de fonética, fui pegar o ônibus e um cara meio suspeito veio querendo vender um vale transporte abaixo do preço, desconfiei mas acabei pegando. Quando perguntei para o motorista do transporte irregular, que nos ajuda nos momentos de atraso, se o vale transporte tinha validade, a surpresa não muito surpreendente foi que o vale não estava mais corrente. Idiota! Ladrão excomungado! Que encontre a paga!

Bem, peguei novo dinheiro e fui para a aula. Quando cheguei lá fiquei sabendo que a prova não seria mais naquele dia, mas no dia seguinte, no caso, hoje. Isso ao menos foi uma boa noticia, tendo em vista  que eu não tinha estudado nada.

Apesar desses acontecimentos, foi um dia de reflexão pra mim... Um dia em que resolvi cuidar da minha vida e tentar colocar os pés no chão. Foi uma coisa difícil, triste, dolorida, mas necessária. Esse dia foi um dia não-ideal para um aniversário, mas foi um dia importante na minha vida. 

Descanse em paz, Gegê.

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