quinta-feira, 29 de julho de 2010

Doce engodo


Esperei pela palavra certa
Até o fim,
Até o raiar do dia,
Mas a palavra calou-se.

Pensei achar a porta aberta,
Mas só em mim
Quase sempre existia
O olhar ainda tão doce.

O desejo inventou sentidos
Ao que nada dizia
e isso bastou-me.

Pobres olhos adormecidos,
Disfarçaram a sangria
Que quase matou-me.

Dê aos porcos, as migalhas!
Esmolas, jogue aos mendigos!
Muito ajuda quem não atrapalha.
Meu peito só quer abrigo.

domingo, 25 de julho de 2010

Silvester e os macacos


Para corroborar com o meu texto "Vergonhas a mostra", o ator Silvester Stalone, que filmava mais um de seus filmes de ação aqui no Brasil, proferiu a seguinte frase:

“você pode explodir o país e eles ainda dizem ‘obrigado, e aqui está um macaco para você levar para casa”.

Olha o macaco lá! Agora faltaram as bananas!

Não sei nem o que dizer sobre isso...Não sei se me irrita mais o ator ou o povo, que continua a idolatrar seres como este, deixando que explodam tudo.




Nada mais a declarar.

sábado, 24 de julho de 2010

Príncipe encantado

Já escrevi em outra ocasião sobre o fascínio que os vampiros despertam nas mulheres, principalmente um vampiro tão charmoso e apaixonado como o Edward Cullen. As pessoas sonham com o amor eterno, com o parceiro ideal, cada um com a sua concepção de parceiro ideal, e saem caminhando pela vida afora em busca desse príncipe ou dessa princesa, ou embutindo nos pares que encontram as características desejadas, mas, na maioria das vezes, o despertar é doloroso! Então culpam-se mutuamente por um não ser o que o outro esperava, mesmo não o sendo desde o início.

O vampiro! Que mulher não desejaria um amor imortal, um amante que daria a sua "não-vida" por ela, que se sacrificasse sublimemente, que cuidasse, que fosse charmoso, que  fizesse  dela a sua vida, eternamente? Além de todas essas características, ainda há o fascínio pelo místico, pelo sobrenatural, pela metáfora de sugar o outro, viver do outro. Quem diria que um monstro das trevas, condenado à danação, daria um genro perfeito?


Projetar nossos ideais no outro faz parte do ato inconsciente de satisfazer nossos anseios mais profundos e enraizados pela cultura, vivência e experiência. Idealizamos de tal forma a pessoa por quem nos apaixonamos que algum mecanismo do diabo (ou de Deus) nos cega diante do verdadeiro ser que é o amado. Não pedimos permissão e nem perguntamos, apenas supomos e julgamos que aquele é o príncipe ou a princesa encantada, e que se danem as evidências!

Assistindo a um vídeo dos Beatles, vi como as mulheres se estrebuchavam,  agonizavam, desmaiavam pelos quatro garotos, por quê? Eles eram seus ídolos, seus ideais, famosos, bonitinhos, músicos, diferentes,  especiais! Seriam boa companhia no dia-dia? Dariam bons maridos? Não sabiam, mas sabiam que desejavam ter algum tipo de contato com aqueles "Deuses na terra", aqueles meninos que revolucionaram a história da música. Esse tipo de paixão cega está também entre os pobres e normais mortais, todos os santos dias.

O que fazer para não nos decepcionarmos, para fazermos boas escolhas?

Eu é que sei?

Não, não sei. Quem me dera se soubesse como é que se apaixona conscientemente, como é que se faz para não se enganar desde o início, para não idealizar demais. Quem me dera ver sempre a verdade, quem me dera amar logo a pessoa, e não a pessoa na pessoa.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Muitas chances dentro de uma chance*


Qualquer coisa que estraga em sua casa, minha mãe chama o Leonel.

Telhados, ar condicionado, piso, rachaduras, ventiladores de teto. Ele mora na mesma quadra e nunca demora a vir. Enquanto cimentava a escada do pátio, Leonel levantava altivamente o rosto quando provocava a figura materna. Atento, gargalhava a cada disparo de afeto.

Ao guardar a pá e o carrinho de mão, confessou:

- Minha mãe morreu quando nasci. Vejo vocês e tenho saudade da saudade.

Partilho semelhante inveja. Quando vou sozinho a um restaurante, não canso de espiar as conversas de casais. Eu me interesso pelos assuntos mais frívolos. Ponho a mão no queixo, o guardanapo nos joelhos e admiro o espetáculo da intimidade. O amor que pode ser amor ali, acontecendo em minha frente entre descrições de trabalho e confissões de meio-dia. O amor ali, camuflado e prosaico, mas devidamente forte para atravessar a morte e prometer vida eterna mesmo que não tenha eternidade depois. Mesmo que um dos dois sequer acredite em Deus.

Há gente que faz o contrário de Leonel. Mata o amor no momento em que ele nasce.

Pois não pensem que todos querem um amor grande. Reclamam, mas não querem.

Há gente que diminui o amor de propósito para não sofrer com ele. Elabora uma versão para provar que ele não existiu. Deixam o amor escapar, sumir, desaparecer para não se atrapalhar. Há gente que até se convence que aquele amor grande não era devidamente grande.

Há gente que pede um amor pequeno, doméstico, que não desestruture seus hábitos. Um amor anão de jardim, um amor de balcão, de pé, rápido. Um amor minúsculo, sem acento, que não rivalize o amor próprio. Que esteja próximo mas não fale alto, que esteja perto mas não influencie, que seja chamado quando se tem vontade e seja desfeito quando não serve mais.

O amor grande não traz uma felicidade constante - é a principal cilada -, traz uma felicidade irregular, intensa, atávica, que voa muito mais alto do que o conforto. Na estabilidade, é fácil sair da felicidade e da tristeza. No amor, descobrimos o quanto podemos ser felizes, e incomoda ter que buscar mais felicidade. Descobrimos o quanto podemos também ser tristes, e incomoda que não sairemos da tristeza sem que o amor volte.

Há gente que não tem esperança para se arrepender. Que sente ciúme de não ter sido assim antes e não se permite não ser mais como antes. Que vai terminar o amor para não se mostrar incompetente. Que prefere adiar o julgamento a se abrir para a verdade. Que não perdoa no momento de se perdoar. Um amor miúdo vai ao psiquiatra de manhã e termina a relação de noite. O amor grande termina com psiquiatra de manhã e se reconcilia à noite.

Porque o amor grande é uma insanidade lúcida, nem os melhores amigos entendem, é detratar e se retratar com mais freqüência do que se gostaria. Amor é o excesso de responsabilidade, de encargo, confiado a quem nos acompanha. Oferecemos o que não conseguimos alcançar.

Sempre seremos menores do que ele, já que é o único que cresce na extinção. Minha mãe costuma dizer que casamos quando encontramos uma solidão maior do que a nossa - só assim saímos da própria solidão.

Há gente, sim, que muda de amor para não mudar de opinião, que muda de homem para não mudar sua rotina, que manda onde não vigora poder e dominação. Que culpa o amor por não dar conta dele, que ama já pedindo desculpa por não amar.

O amor grande não é um grande amor.

Há gente, eu conheço, que desperdiça a chance do amor grande porque há apenas uma chance para amar grande. Muitas chances dentro de uma chance. O resto são disfarces, suturas, apoios.

Amor grande seria insuportável duas vezes nesta vida. Ou a gente se apequena para receber esse amor ou permanece se engrandecendo para não aceitá-lo.

*Texto do excepcional Fabrício Carpinejar (http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/) e "roubado" do blog do meu amigo Cosme ( http://microcoxx.blogspot.com )

Não mais


Não mais crer,
Não mais esperar,
Não ver além do que está pra se ver;
Não mais sofrer,
Não mais se estrepar,
Não mais tentar ir além do viver!
Não mais sonhar,
Não se antecipar,
Pés no chão para não se perder.
Não mais provar,
Não mais prever
Ser justamente o que se deve ser.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vergonhas à mostra

A reportagem na televisão mostrava um grupo de estudantes japoneses aprendendo as diversas maneiras de se cumprimentar no mundo, dentre elas estavam os três beijinhos no rosto, hábito bem brasileiro. Naturalmente era algo complicado para eles, já que em sua cultura as pessoas sempre permanecem a uma certa distância, sem  nunca se tocarem. Mesmo sendo jovens, muitos ficaram constrangidos.

Os hábitos culturais que os seres humanos possuem sobre a maneira de se relacionarem dizem muito sobre a região e o povo de onde vêm, dizem também sobre a forma de  enxergar os outros e a própria relação humana. O Brasil é um país jovem, composto de povos de todas as partes do mundo, gente alegre, colorida e de hábitos extremamente variados e de uma expansividade enorme, o que para muitos pode parecer exageradamente passional e permissivo. Em países onde há uma cultura milenar como no Japão, os hábitos de convivência estão profundamente enraízados, há uma concordância social sobre a maneira de ser e de agir, de acordo com ideais pré-estabelecidos, o que não ocorre no Brasil; aqui nos descobrimos a cada dia, nos emendamos, inventamos, criamos e nos libertamos, às vezes até demais.

O povo brasileiro parece ainda ingênuo sobre as concepções que o mundo tem dele! Gritam aos quatro cantos que o Brasil é o país do futebol e do carnaval, só faltam as bananas e os macacos! As mulheres expoem os seus corpos em busca de reconhecimento, fama, glamour, mostram o que "a baiana tem", abrem precedentes para a exportação das "mulatas". A imagem do Brasil ainda é suja lá fora, e é suja por que quem governava e exportava essa imagem não se importava com ela, e o pior, fez com que todos acreditassem que era bonito esse reconhecimento. Quando um estrangeiro diz: "Oh, carnaval, futebol!" Na verdade está dizendo:"Oh, bacanal, sexo, drogas e rock'n roll, selva livre!"

Que miserável espírito ainda reina em nossa pátria, que só é patriota na Copa do Mundo. Eu não me importo com o patriotismo, isso foi inventado por manipuladores do poder, mas me importo com a minha imagem como brasileira! Eu não suporto que pensem que sou uma espécie de prostituta apenas por morar no Brasil, não quero que me avaliem pelas minhas nádegas, não quero que suponham que sou sexy, quente, selvagem por que venho de onde vim! Não quero que venham para o meu país pensando que é o paraíso do "Oba, oba", que menosprezem minha gente, que subjulguem nossa inteligência!

Quem é o culpado dessa imagem? Muitos. As pessoas que governam e teimam em manter um sistema educacional onde a filosofia, o ato de reflexão não é estimulado desde o início; a mídia, que continua alimentando o erotismo e a exportação dessa imagem negativa que adquirimos; todos os que estão no poder, desde a Igreja ao Judiciário, por camuflarem as reais coonsequências dessa imagem cultivada até hoje, assim como a omissão de fatos negativos sobre supostos grandes ídolos nacionais e principalmente nós, o povo, e, particularmente as mulheres! Cambada de antas! Desde a mais tenra idade vestem em suas filhas as mini-saias e as incentivam a dançar a "Dança da bicicletinha"; os bebês rebolam, dançam fazendo movimentos sensuais, crescem pensando que a mulher tem que ser desejada e admirada por seus atributos físicos, cultuam a imagem das belas mulheres que se tornam milionárias apenas por exporem seus corpos, como as "melancias", as "feiticeiras", e tantas outras que se foram. Você gostaria de se tornar famoso apenas por que mostrou a sua bunda para todo o mundo e fez com que as pessoas se masturbassem com a sua imagem? Muitos dirão que sim, talvez, quem não gostaria de ser rico e desejado? Alguns até seriam muito felizes, é verdade, mas acho que a maioria não deseja isso.

Nós brasileiras precisamos aprender a nos valorizar! Valorizar o nosso corpo e a nossa mente.Não podemos continuar sendo vistas como prostitutas, desvalorizadas pelos cantos do mundo. O Brasil é sim um país maravilhoso, livre, onde as pessoas podem expressar suas emoções livremente, onde pessoas de todos os credos, raças e cores conseguem conviver com uma certa tolerância e aceitação, onde podemos brincar, dar três beijinhos e abraçar os amigos, mas precisa se valorizar mais e não agir como puta, abrido as pernas para que os outros venham e...

É isso aí, falei.


sábado, 10 de julho de 2010

Comprometimento



Pequeno Príncipe (trecho)

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E eu não tenho necessidade de ti.

E tu não tens necessidade de mim.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" 


Antoine de Saint-Exupér

http://www.miniweb.com.br/cantinho/infantil/38/Estorias_miniweb/pequeno_principe.html

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A magia das fadas


Em 1917, duas garotinhas inglesas tiraram fotos para provar que realmente haviam fadas no vale de Cottingley, e o mais incrível é que todos acreditaram! Elsie Wright e Frances Griffiths enganaram todo o mundo com as suas incríveis fadas de papel. No início tudo era uma brincadeira, mas a história tomou proporções tão grandes, que as meninas só puderam desmentir  tudo já na velhice.

Qual o motivo que nos leva a acreditar em algo tão extraordinário? Por que nos cegamos diante das falsas evidências ? Por que preferimos a fantasia à já conhecida realidade?

Por que precisamos! Precisamos crer que há algo extraordinário e inexplicável em nossas vidas, precisamos crer em milagres! Precisamos imaginar que neste mundo há poderes desconhecidos, algo que possa influenciar magicamente nossos destinos!


Não será esse o papel do amor? Nos dar alento, sonhos, devaneios? Nos fazer sentir importantes, felizes, especiais, místicos? Sim! Esse também é um dos papéis do amor, da paixão, nos fazer crer que algo mágico acontece e que somos parte disso, de um milagre, que  se apresenta  a poucas pessoas. 


Precisamos de magia, de fé, de crer sem provas, de viajar nos sonhos, precisamos de milagres, de devaneios! Precisamos sair do concreto e ir para as nuvens! Precisamos de amor, mesmo que seja feito de papel e que depois se desmanche na chuva de verão.

Ver duendes e fadas faz bem ao coração.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cantinho Sagrado


Para alguns pode parecer blasfêmia misturar símbolos de crenças diferentes, mas blasfemar é não aceitar as coisas boas de cada uma delas. Nunca fui religiosa e tenho milhões de motivos históricos para não abraçar dogmas, mas admiro muito, respeito e sei da importância que as religiões tem para o ser humano.

Religião existe para nos dar respostas, para abrandar o maremoto, para nos trazer esperança e conforto; a religião é a mãe dos que choram, o remédio para os que padecem, a força para os fracos.

Blasfêmia é o desrespeito às escolhas! Se eu não respeitar o próximo apenas por ele ter escolhido caminhos diferentes, eu também não mereço respeito!

Blasfêmia é o egoísmo! Quem só pensa em seu próprio bem, não merece viver com outras pessoas, e tampouco merecerá a sua ajuda!

Blasfêmia é a rudeza! Quem só sabe jogar sal nas feridas alheias e nunca derrama nos corações uma palavra de conforto, não tem direito ao amparo.

Por isso que entre Nossa Senhora Aparecida (ganhada), crucifixo (ganhado), anjo da guarda, Ganesh e  Papai Noel, não há hierarquia. Todos eles representam algo de muito especial para os que creem, eles carregam em sua simbologia as energias de uma multidão, por este motivo, tenho muito carinho por eles, e estao todos no mesmo lugar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Diálogo na cama


Maria Gaivota: _Estou tão feliz!

Zé Ruela:_Que bom, fico feliz também. Seja livre!

Maria Gaivota:_O que você quer dizer com essa, seja livre?

Zé Ruela:_Uai, nada, que você seja livre, como uma gaivota, he, he, he! Só quero que você seja feliz.

Maria Gaiovota:_Mas eu já sou feliz.

Zé Ruela:_Então, seja livre!

Maria Gaivota:_Eu também já sou livre. O que você está querendo dizer com isso, pode falar, eu não sou mais criança, eu aguento muito mais do que você possa imaginar.

Zé Ruela:_Está bem, depois não diga que eu fui rude!

Maria Gaivota:_Claro que não, você pode dizer o que quiser, livre como uma gaivota!

Zé Ruela:_Sabe o que é, é que estou vendo que você está querendo demais de mim! Eu não estou preparado pra isso, me desculpe!

Maria Gaivota:_Pra isso o qué, Ruela?

Zé Ruela:_Pra isso, relacionamento com você... Entendeu?

Maria Gaivota:_Uhum...Entendi.Você não está preparado pra ter um relacionamento "comigo"?

Zé Ruela:_É.Não quero que você fique triste, a gente se divertiu aqui, mas pra mim, pra casar, eu quero uma mulher que seja pura, sabe como é? E você é muito avançada pra mim, muito independente.

Maria Gaivota:_Você quer uma mulher que seja pura? Que seja dependente?

Zé Ruela:_Não é isso, Jesus! É por que você é quente demais, já teve experiências, sabe demais, não precisa de ninguém, acho que você não serve pra mim, entendeu.Todo o mundo diz que isso não tem futuro, e que você tem "passado".Eu gosto demais de você, mas não dá. Se você quiser, podemos ser amigos, e se sentir saudades, a gente pode brincar mais.

Maria Gaivota:_Você tem razão Ruela...Eu não sirvo pra você. Eu sou uma mulher experiente e que tenho a oferecer mais do que você deseja, eu não estarei com você por necessidade, mas por vontade, isso, talvez você não seja capaz de manejar. Sei coisas e não sou mais pura, sou impura, sou gasta, sou rodada. Obrigada pela esmola, mas, não, não preciso de um pau pra subir, preciso de um chinelo pra descansar meus pés.Vá e procure a sua pureza.

Zé Ruela:_ Mas a gente ainda pode continuar amigos?

Maria Gaivota:_Claro.

Zé Ruela:_Então, te vejo amanhã.

Maria Gaivota:_Melhor não, que tal, no ano que vem?

Zé Ruela entendeu a mensagem e saiu pra nunca mais voltar. Maria Gaivota ficou cada vez menos livre e sua pureza foi sendo minada a cada dia...A cada novo diálogo.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...