sexta-feira, 24 de março de 2017

É normal ser dependente da internet


Quando inventaram a câmara de bronzeamento artificial, todos queriam usar, estava na moda e parecia seguro. Hoje, muitas pessoas desenvolveram câncer de pele e até perderam a visão por causa do abuso de tal artifício. Lembro-me disso quando questiono meus filhos sobre o abuso do uso da internet e eles me dizem que todo o mundo só fica na internet. Argumentam que não têm nada para fazer e que não tem ninguém com quem fazer algo, todos estão lá. Chego em casa, sinto desespero. Vejo todos com as colunas arqueadas e olhos fixos no celular, digitando freneticamente ou soltando gargalhadas. Quando assistem a televisão, não assistem, ficam se inteirando sobre o programa com outras pessoas na internet. Quando está acontecendo algo importante, precisam se expressar através das redes sociais, terem a voz ouvida e comentada. Não estão nem lá, nem cá. Ninguém nunca está onde está, e se está com alguém aqui, o deixa para estar com outro lá, e se esse outro vem para cá, também é abandonado, porque o que importa é o meio, não o fim.

É difícil estar com as pessoas, só com elas. É difícil por que exige esforço e atenção, exige reflexão mais profunda para preencher alguns silêncios. Exige olhar, exige toque, exige interação. Na internet, o tempo é preenchido com vastas opções e inúmeras janelas, sem precisar mover um músculo da cabeça. Estáticos, zumbis, múmias, pedras, próprias máquinas.

O problema é que isso é considerado normal. É normal ser dependente do celular, passar o dia inteirinho olhando para a tela e ficar a madrugada acordado, conectado. É normal ficar tirando selfies o tempo todo. É normal ficar conectado no Facebook e dividir a vida com o mundo inteiro, como se fôssemos celebridades. É normal deixar que qualquer pessoa venha nos importunar e perturbar nossa rotina. É normal ficar horas conversando com pessoas com as quais não temos objetivos, ou mesmo, amizade. É normal deixar as pessoas de lado para dormirmos com o celular. É normal deixar de sermos um ser humano para nos tornarmos um ser, um personagem fabricado através de fotos, fatos, discussões e boatos. É normal ser escravo.

Se é normal, eu não sei. Sei que não é fácil não ser escravo. Sei que não é fácil não se fascinar e se deixar levar pela magia das possibilidades infinitas da internet e pelo entusiasmo da satisfação pessoal oferecida pelas redes sociais. Não é fácil interagir, se mover, falar, cantar, brincar, ler livros, passear e olhar o mundo. Não é fácil discutir relação. Não é fácil desenhar com os filhos, se concentrar. Nem sei se é assim que o mundo deveria ser. Eu só sei que o mundo atual me deprime, e que não posso sair dele. Se daqui a alguns anos, as consequenciais desse uso e abuso aparecerão, não sei. Quando inventaram a impressão de livros, creio que muitos também se sentiram como eu.Talvez eu seja uma visionária, ou talvez, uma retrógrada. Mas, cada um precisa tomar suas decisões, é a vida que voa. Vida que voa.


Sobre a dependência das tecnologias - Padre Fábio de Melo

Eu não sou religiosa, mas algumas mensagens são válidas, não importando de onde venham.


Cultive a intimidade - Pe. Fábio de Melo - Programa Direção Espiritual 22/03/2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Desapego




Gostaria de me desapegar, ser livre e deixar livre, não pensar, não sofrer pela ausência, não necessitar da exclusividade; Gostaria de, simplesmente, viver os momentos, sem me preocupar se amanhã terei mais, ou se o que tenho será de outro. Gostaria de ficar relaxada e dar a todas as coisas o mesmo peso e valor, aceitar que os outros tem o direito de não estarem apegados a mim. Gostaria de me sentar e meditar, ver, ou não ver o tempo passar, transcender... Gostaria de dizer aos que amo, vá! Volte se quiser, e não precisa olhar para trás. Caso assim fosse, não haveria amargura em meu peito a cada ausência, não haveria rugas entre os olhos ou dores pelo que poderá ser; seria totalmente livre e sem sofrimento, bebendo da vida e de seus momentos transitórios. Mas não sou.

Eu sou esse fogo que arde de desejo e de falta, essa vontade do infinito, essa ânsia por exclusividade. Eu sou essa ordem que desenha o futuro, sou essa desordem que anseia o imprevisível. Eu sou aquela que se perde nos momentos e no tempo, aquela que se afunda em pensamentos e delírios, a que está doloridamente viva e que deseja vorazmente.  Sou a que depende, a que sofre, a que rumina, a que entra em desespero e em nirvana. Eu sou essa não evoluída, que ama primitivamente e quer tudo.


terça-feira, 14 de março de 2017

Esse é pra casar


Alguém pra casar, antes de tudo, tem que ter muito amor no coração, mas não é desse amor mixuruquinho aí, que a qualquer problema, joga o ameaço de abandono do barco. O amor pra casar é aquele que tem a certeza da união até que a certeza da separação possa chegar.

Sendo assim, temos o segundo ponto, o do comprometimento. Aquele pra casar vai estar comprometido, munido de força e de fé. Aquele que é pra casar sabe que o primeiro item, o amor, não vai pular pela janela quando as dificuldades entrarem pela porta. O amor vai permanecer porque quem ama terá a certeza de que valerá a pena.

Aquele que é pra casar, é aquele que tem a certeza de que quer casar. casar significa assumir uma posição, um lugar, uma vida. casar é querer estar mais próximo, junto, planejando, seguindo. Aquele que é pra casar sabe e gosta disso.

Aquele que é pra casar, vai estar pronto para abrir mão de si algumas vezes pelo outro, mas não vai abrir mão de ser quem é, por causa de si mesmo e por causa do outro. Os que estão prontos para se casarem saberão que a união é para somar, não é para destruir as individualidades.

Quem é pra casar vai sentir fogo pelo seu amor, e não vai sentir vergonha por ser apaixonadamente apaixonado por seu conjugue, embora piadas machistas digam o contrário. Aquele que é pra casar, vai desejar o amado como um menino deseja a sua primeira namorada.

Aquele que é pra casar, gosta de se aninhar em seu amado e gosta de dormir de conchinha, mesmo que o ombro doa. Quem é pra casar, quer uma companhia, um amigo, um parceiro. Quem é pra casar quer alguém na hora em que os olhos se fecharem ou estiverem prestes a se abrir.

Aquele que é pra casar, vai ver as qualidades do amado e vai incentivá-lo. Quem é pra casar entende as necessidades de solidão, de busca, e de paz.

Quem é pra casar é aquele que está pronto para viver o amor com toda a sua intensidade, e para enfrentar a montanha russa da vida a dois, com todas as subidas e descidas, e com todas as suas fortes emoções. Quem não tem paixão, prazer e disposição, nunca deveria se casar.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Conversas de domingo


Resumo 1:

O socialismo seria a única salvação para a humanidade, o único caminho, pois ele se basearia na ética, ou seja, em valores humanos que seriam considerados universais, dentre eles, ou, representando todos eles, a aceitação de que todos os seres humanos são iguais e que nunca deveríamos tratar o outro de maneira que não gostaríamos que fôssemos tratados. A questão que me pego fazendo é, como a ética pode se diferenciar da moral se certos principios, que deveriam ser considerados universais, não os são, como esse princípio básico de igualdade entre os seres humanos? Como a ética poderia ser considerada como argumento lógico, se não haveria o determinismo, ou seja, o homem não seria naturalmente bom ou mal, tudo isso de acordo com os autores citados? Sendo assim, como a ética, que tomo como o sentimento ou noção de certo ou errado que seriam universais, poderia ser a fonte da razão, se o homem não nasceria com seus princípios de bondade ou de maldade, de certo ou de errado, já que não há determinismo? Se o socialismo é um princípio que precisa ser construído, tomando como exemplos nações que não se dizem socialistas, mas que aparentemente usam os princípios socialistas, como a Suécia e a Alemanha, utilizando como base a razão ética como sendo a verdade absoluta, como não dizer que não há determinismo? Como diferenciar ética da moral, se a ética em países de cultura afro se diferencia da dos países asiáticos e assim por diante? Como tomar a ética como principio racional para legitimar qualquer teoria? Como não relativizar, se o ser humano é essa complexidade dentro de seu tempo, de seu espaço e de sua história?

Quanto a indústria cultural, pode ser uma bosta, mas é parte da cultura e do ser humano, que é um consumidor natural. Concordo que a cultura não deveria ser barateada, surrupiada para se transformar em souvenirs, concordo que o sagrado deva ser preservado, o sagrado para cada ser, seja sua casa, sua família, sua religião e até mesmo seu futebol. Tratam-se de valores grupais e individuais nos quais baseamos toda a nossa relação com o mundo, e essas relações são construidas culturalmente. Há de se respeitar símbolos e  rituais, mas acima de tudo, há de se respeitar o ser humano. Aqui entra a minha ética, que não é compartilhada por todos. Se alguém quebra um símbolo que é sagrado para mim, o profana, o rouba e ganha dinheiro com a sua banalização, está desrespeitando o ser que sou, o ser ideológico. Há uma diferença, creio eu, entre ser ideológico e ser físico. Discussão complexa, onde a ética se distingue mais uma vez entre esses dois mundos, o mundo ideológico e o mundo físico. desrespeitar o outro moralmente, ideologicamente, pode ser considerado antiético para muitos, quando para outros, a ética só se aplicaria ao desrespeito físico. O que penso sobre isso? Ainda não sei.

Quanto ao que se é considerado de baixo valor intelectual, ou como parte apenas da cultura capitalista de entretenimento, ou ainda, como barateamento das questões culturais, apenas penso que  tudo também é cultura, não é uma coisa desconexa. Tudo tem o seu  lugar e convive junto, como sempre, ganhando-se mais ou menos por isso, explorando-se ou não a força de trabalho, força que sempre fora explorada, seja na escravidão, nos feudos ou no capitalismo. O barateamento supre as necessidades de entretenimento, tira a pessoa de pensamentos reflexivos, tem o seu papel, assim como o futebol. O que acrescenta ao ser pensante uma partida de futebol? Nada além de entretenimento e paixão. O futebol tem o seu público, assim como o programa do Silvio Santos o tem, porque precisamos disso, TAMBÉM. Mas, não precisamos só disso, ou, não precisamos primordialmente disso. Precisamos nos questionar sempre, e, dentro da "minha" ética, respeitar o outro, ou seja, deixar que o outro viva em paz com suas crenças, seus símbolos, seu sagrado e seu corpo (que também é sagrado).


Resumo 2

"O conceito de direita e  de esquerda teria tido inicio na Revolução Francesa quando quem era  contra o governo, ficaria do lado esquerdo nas igrejas, e quem queria manter o regime, do lado direito; no Brasil, não existiria mais esquerda e direita,  o que existiria seria o fascismo e o restolho da direita.  A direita brasileira seria a categoria dos que podem se opor ao governo, mas não se opõem às leis, ou seja, não concordando-se com algum problema social; não poderia agir por meio da ilegalidade ou da força, mas por meio das instituições vigentes, alterando-se a legislação, dentro da ordem. A esquerda defenderia as modificações mesmo que se necessário fosse o uso da força, da guerra civil e por aí vai. As mudanças deveriam ser a partir da sociedade, da iniciativa privada.O Estado brasileiro teria se perdido, pois chegaria a ser ridícula a esmola que se deu ao povo perto das fortunas que se construiram e os empréstimos milionários concedidos para a manutenção do sistema."

Eu creio que realmente não há mais direita e esquerda no Brasil, o que há, como sempre, são os interesses individuais. Aliás, o problema da humanidade é que ninguém está disposto a abrir mão de seus privilégios para promover o bem social. Concordo também que, apesar de o governo do PT ter trazido grandes mudanças para todos os brasileiros, sobretudo para as classes menos favorecidas, criando programas sociais e possibilitando o ingresso de muitos dentro das universidades (não podemos negar os avanços sociais ocorridos nos últimos anos), o partido se vendeu para fazer parte do sistema.Tudo o que vem aparecendo, ou o que se permite aparecer dentro dessas denúncias, ou ainda, tudo o que se dá destaque, não é nada além do que sempre aconteceu na política brasileira, a corrupção, que é aceita com normalidade e resignação na cultura brasileira. Neste ponto, concordo que as sociedades precisam ser construídas, que os valores precisam ser construídos.Quanto a sociedade privada, não penso que represente a sociedade. Ainda sobre os indivíduos não quererem abrir mão de seus privilégios, seja isso determinista ou não,  obviamente, quem detém os privilégios não irá querer se desfazer deles. O bem social não é prioridade, a não ser que o bem social traga benefícios individuais para quem já possui os privilégios. Essa é outra noção que precisa ser construída, a de que uma sociedade terá mais paz e felicidade se todos os seus indivíduos tiverem os mesmos direitos e condições, não privilégios. Seria isso um conceito universal? NÃO! São conceitos que tomamos, ou tomei como certos na direção de se obter uma sociedade ideal.

Resumo 3

Descobri que Silvester Stalone, durante as filmagens de Rocky IV quase morreu ao levar um soco de verdade no peito. Discuti sobre a maneira correta de se congelar o feijão, se temperado ou sem tempero. Segundo um site qualquer, a maneira ideal seria sem tempero, isso me deixou irritada e cética. 

Conclusão:

Só sei que nada sei. Não quero mudar o mundo, não quero ser mártir, nunca serei guerrilheira, quero saber do feijão de amanhã e de quando terei condições de ir a Paris ou ao sertão. Desejo um mundo melhor, igualitário, respeito o próximo. Respeitar significa aceitar que o outro tenha suas diferenças, pensamentos e credos, não quer dizer que eu seja obrigada a estar sempre em todos os grupos; devo aceitá-los como sendo iguais aos meus grupos, com os mesmos direitos de existirem e coexistirem. Preocupo-me com a minha comunidade e sobre como posso contribuir, mas não sou militante, acho. Não creio no conserto dessa humanidade, não nos próximos séculos.  Não tenho respostas e não sei qual o conceito de evolução. Sei que aqui estou, e que tenho essa vida, e que por ela sou responsável. Sei que essas discussões me tiram o sono e o sossego, até que eu venha aqui e escreva. Só.



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