sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Aluno da UFOP conta sobre a sua experiência no Ciência sem Fronteiras

Castelo Neuschwanstein - Alemanha
Diante da última notícia, a de encerramento do programa Ciência sem Fronteiras, e do bombardeamento  de outras medidas que diminuíram drasticamente as verbas para a educação, se torna importante registrar o depoimento de um aluno da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) que foi beneficiado. Quem fala é Samuel Carlos, estudante de Ciência da Computação:


Qual o seu nome e onde mora?
Eu me chamo Samuel Carlos e moro em Mariana


Para qual país e qual universidade você foi? Quando foi?
Fui para a Holanda. Estudei na Windesheim University of Applied Sciences, entre Agosto/2015 e Julho/2016. 


Como foi o processo de seleção? Teve alguma dificuldade?
O processo seletivo deste edital foi um tanto diferente do normal para o CsF, já que ele é uma parceria entre a UFOP e Windesheim para alunos da computação. A primeira etapa é a realização de uma prova de proeficiencia em inglês, que foi realizada por 13 alunos para preencher 5 vagas. Destes 13, apenas 6 foram aprovados com a nota acima do mínimo aceitado (5 em 10). Então a segunda etapa é uma avaliação de currículo lattes de cada aluno, onde cada coisa tem um peso diferente (estágio e experiência professional com laboratórios da UFOP têm peso maior que um coeficiente acadêmico muito alto). Sendo assim, não tive dificuldades em ser aprovado, dado que já possuía tanto um estagia quanto experiência em alguns laboratórios.


Qual foi o objetivo maior desse intercâmbio?
O objetivo maior era a aproximação da UFOP com a Holanda e a “troca de especialidades” para finalizar projetos já existentes em ambas as universidades. Os laboratórios da UFOP são muito bons em desenvolver um produto e a Windesheim é muito boa em transformá-los em um produto de fato, pronto para a venda.


Como foi a chegada ao país novo?  Essa foi sua primeira experiência internacional?
A chegada a Holanda foi bem mais tranquila que o esperado. A cidade onde moraria se chama Zwolle e fica a cerca de 120 km de Amsterdam, que foi onde meu voo chegou. Logo no aeroporto tomei um trem para Zwolle com bastante facilidade (o inglês é praticamente o segundo idioma do país, então nunca tive problemas com informações devido a língua) e cheguei a cidade em 1 hora e meia. Como cheguei razoavelmente cedo, por volta das 3 horas da tarde, apenas deixei minha mala no apartamento, saí para explorar a cidade e encontrar supermercados, lanchonetes, etc. Sim, essa foi minha primeira experiência internacional.



Onde ficou?
Fiquei em um prédio reservado somente a estudantes nacionais e internacionais. 


Qual era a ligação das atividades em que foi inserido com o curso que estava fazendo na UFOP? 
Bom… era basicamente a execução prática de toda a teoria que estudamos na UFOP com foco no empreendedorismo. 


Como foi o relacionamento com as pessoas e a cultura do local?
O relacionamento foi muito bom. Os holandeses são extremamente educados e organizados, sempre te tratam de uma forma bem cortês e havia também um grupo de bolsistas da universidade, chamado SUN (Students United in Netherlands), designado para dar suporte e desenvolver atividades de integração a todos os alunos internacionais. A cultura deles é muito diferente da nossa em quase todos os aspectos. Creio que o que me causou maior espanto é o fato de não almoçarem nada além de sanduiches e pães com tudo que se consegue imaginar dentro, e de serem muito diretos e sinceros. Se existe algo que um amigo ou parente teria receio em te dizer sobre você, um holandês irá te dizer sem pensar duas vezes. Eles também são muito organizados e honestos, algo bem difícil de se encontrar em outros lugares do mundo. Acima de tudo, a melhor parte da cultura holandesa é o uso de bicicletas para qualquer coisa, sejam compras, passeio, levar as crianças e animais pra passear, ir trabalhar, etc. Devido a isso, não se vê muitos carros e poluição no país, mesmo nas grandes cidades.


Como foi a comunicação?
A comunicação foi bem tranquila. Como dito anteriormente, todos falam inglês fluente na Holanda, desde o mendigo local até os doutores da universidade. A principio tinha um pouco de receio ao conversar em inglês por não ser tão bom assim, mas após as primeiras semanas tudo ficou mais fácil.

Kinderdijk - Holanda
Quais lugares pode conhecer?
Na Holanda tive a oportunidade de conhecer varias cidades, como Amsterdam, Rotterdam, Utrecht, Gronigan, Arnhem, Giethorn, Hengelo… Fora isso, pude visitar a Alemanha, Bélgica, França, Itália e Inglaterra.


Quais as maiores dificuldades que você enfrentou nessa jornada?
As maiores dificuldades que tive aconteceram ainda no Brasil, na parte burocrática do processo. A liberação das bolsas atrasou muito, os pagamentos também demoraram, tive pouco tempo para providenciar milhões de documentos e encontrar uma passagem dentro do valor que o governo nos dá para isso, etc. Na Holanda, as unicast dificuldades foram me acostumar a passar 1/3 do ano sob chuva e o frio rigoroso no inverno.



O que foi mais valioso nessa experiência para a sua vida pessoal e profissional?
Creio que tudo me foi muito valioso. Pessoalmente, penso que me tornei uma pessoa bem mais independente, por conseguir me virar sozinho durante 1 ano em um país totalmente diferente do meu, e mente aberta, pela convivência diária com pessoas de todos os continentes. Profissionalmente também cresci bastante, tive a oportunidade de realizar uma das disciplinas em uma empresa onde fui incluso nas práticas das grandes empresas de tecnologia do mundo e pude lançar dois aplicativos móveis “comerciáveis”. 


Quando voltou, e por quê?
Voltei na ultima semana de Julho… e, sendo sincero, somente voltei porque era obrigado a tal pelo contrato do CsF.


Se não existisse o programa, qual seria a sua expectativa de viver uma experiência como esta?
Creio que jamais viveria uma experiência exatamente como essa se não fosse pelo CsF. Talvez me mudaria a trabalho para o exterior após me formar, porém nunca iria como estudante , não teria dinheiro para tal. 


Qual a sua opinião sobre o programa e sobre o fim deste?
Acredito que o programa, em sua essência, é muito bom. A experiência de aprendizagem e desenvolvimento pessoal que ele nos proporciona é excepcional. O problema do CsF é a falta de um monitoramento mais rigoroso e um sistema de seleção mais efetivo por parte do governo. Confesso que pra mim seria muito fácil deixar os estudos em segundo plano e usar todo o investimento para viajar ou outras atividades do tipo. Fico triste com o fim do programa, creio que ele deveria apenas ser reformulado e, no retorno, o governo deveria providenciar as mesmas condições de estudo e pesquisa que os bolsistas têm no exterior, para incentiva-los a permanecer aqui e melhorar o país. 


O que você pensa sobre o cenário político atual?
Pra falar a verdade, eu não entendo muito de política. O que penso do cenário atual é que independente do resultado da briga entre Dilma x Temer, nada vai melhorar até que saiam ambos da presidência. ***






Por dentro do Ciência sem Fronteiras


O que é?

Programa de intercâmbio com universidades estrangeiras, promovido pelo governo federal, que concede bolsas de estudo a alunos de graduação e pós-graduação matriculados em universidades públicas e privadas. 


Quem pode concorrer a uma bolsa de graduação?

Brasileiros ou nacionalizados que estejam regularmente matriculados em cursos relacionados às áreas prioritárias do Ciência sem Fronteiras, tenham concluído de 20% a 90% do currículo, tenham bom desempenho acadêmico e tenham atingido nota de no mínimo 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio. Alunos que receberam prêmios em olimpíadas científicas ou bolsistas de iniciação científica ou tecnológica do CNPq ou da Capes terão preferência. 


Áreas prioritárias

Engenharias e demais áreas tecnológicas; Ciências Exatas e da Terra; Energias Renováveis; Tecnologia Mineral; Formação de Tecnólogos; Biotecnologia; Petróleo, Gás e Carvão Mineral; Nanotecnologia e Novos Materiais; Produção Agrícola Sustentável; Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais; Fármacos; Biodiversidade e Bioprospecção; Tecnologia Aeroespacial; Ciências do Mar; Computação e Tecnologias da Informação; Indústria Criativa (voltada a produtos e processos para desenvolvimento tecnológico e inovação); Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva; Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde. 


Benefícios

Mensalidade de bolsa; auxílio instalação; passagens aéreas; auxílio material didático, seguro saúde e adicional para cidades de alto custo. 


Quanto dura

12 meses, podendo chegar a 15 se incluir curso de idioma


Onde estudar

As universidades estão entre as escolhidas por rankings internacionais, como o Times High Education e o QS World University Rankings. Fonte: Carta Capital





O programa divide opiniões, dúvidas foram levantadas sobre a sua finalidade e efetividade, como demonstra muito bem este editorial do estadão, que deixou claro a tendência mercadológica do jornal ao dizer quais deveriam ser as prioridades do conhecimento a serem contempladas:


"Em vez de selecionar alunos de áreas técnicas em que o Brasil carece de especialistas, especialmente no campo das ciências exatas e biomédicas, o programa financiou indiscriminadamente estudantes de quase todas as áreas do conhecimento – inclusive publicidade e comunicações."


O fato é que muitos, que talvez nunca pudessem vivenciar uma experiência como esta, foram beneficiados e aproveitaram ao máximo; o desejo é que o cenário atual mude e que programas que visem o aperfeiçoamento pessoal e profissional de brasileiros que necessitem de tais iniciativas sejam melhor planejados para que a maioria tenha ganhos reais para si mesma e para o país em que vivemos.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O povo é burro?


Quando descobriram o tal do pré-sal e quando disseram que a maior parte dos tais royalties iriam para a educação, já se anunciava uma grande mudança. O BRICS, que se despontava como uma promessa de nova era, não iria deslanchar assim, tão facilmente, tão impunemente. As primeiras "denúncias" começaram a surgir já nas campanhas eleitorais, e as promessas de que o novo governo não resistiria foram cumpridas.

Dizem que o povo é burro, é massa de manobra, a verdade é que o povo realmente não sabe da missa a metade. Não sabe porque não é qualquer um que consegue saber, e esse conhecimento, ou a importância que se dá a esse conhecimento, não é algo que se adquire ou que se queira adquirir genuinamente, ou seja, é algo que precisa ser construído dentro de uma sociedade.


Pensemos no Brasil há algumas décadas atrás, com a maioria do povo vivendo em área rural e analfabeta; o universo desse cidadão comum girava e se resumia a sua sobrevivência, a sua colheita, as suas pelejas diárias, ao seu roçado. Ele ouvia os discursos, se encantava com as palavras bonitas e incompreensíveis, se apaixonava pela falsa paixão dos políticos e poderosos e colocava sua fé nestes. O cidadão não tinha acesso às informações sobre todos os processos que decidem os tramites políticos e que decidem também a sua vida miserável. Ele não tinha acesso sequer à linguagem da elite, ele não pertencia a este universo.

Pensemos na maior parte dos cidadãos comuns de nossa época. Pode parecer mentira, mas existe o povão que não sabe sequer quais as funções que cabem aos cargos políticos, que não sabe que existem 3 poderes, que não sabe o que significam conceitos e procedimentos como licitação, por exemplo. Esse povo está incapacitado de fazer julgamento crítico e de votar com maior consciência.

Imagine outra parte do povo, podemos chamar de classe média, a que sempre teve acesso a tudo,  a que produz a linguagem, e sempre esteve em um lugar confortável de superioridade. Essa parte do povo não conhece as reais necessidades dos menos favorecidos, não sabe como é a dura realidade de viver em um mundo que já se inicia cheio de limitações, desde o nascimento. Essa parte não quer perder o lugar confortável, do qual julga merecedora, assim como ninguém quer perder o conforto que julga merecer. Essa parte imagina que a elevação dos outros, os que não são merecedores, ameaçará o status e as vantagens que eles, os merecedores, possuem. essa é uma ideologia que está camuflada até mesmos para a elite, que não quer enxergar a sua negação de igualdade entre todos os seres humanos.


Esse povo e aquele povo são massa de manobra. Sempre foram. O Brasil é um país construído sobre falsos estereótipos e ideologias. O Brasil foi construído pela rede Globo, e isso não é uma paranoia. A maioria absoluta dos brasileiros sempre assistiu a rede Globo de televisão, dentre os quais me incluo, e só hoje vejo como a televisão, essa televisão, formatou a minha maneira de ver e de pensar várias coisas. As novelas, os programas, as propagandas e, especialmente os jornais, eram verdades absolutas e exemplos a serem seguidos. A rede Globo também me educou, feliz, ou infelizmente.  

A história da rede Globo fala por si só. Desde a maneira como foi formada, financiada pelo capital estrangeiro, até a forma como foi gerida (com suas falsas reportagens, sua campanha descarada para derrubar candidatos e governos), podemos perceber a quem serve essa televisão, e, com certeza, não é ao povo brasileiro.


É muita burrice! Todo o escarcel e escândalo da Petrobras desapareceram, como era esperado, assim que saiu o impeachment. O governo Dilma tem culpa, o governo Lula tem culpa, o PT tem culpa. Para entrarem e permanecerem no poder, venderam-se ao que era de praxe, às técnicas de governar no Brasil, que são através de acordos, propinas e interesses. Se assim não fosse, talvez, nem chegariam ao poder. Mas, apesar de tudo, nada foi provado contra esses dois políticos, que sempre tiveram como bandeira maior a igualdade. Quanto a todos os outros envolvidos, já sabemos bem a quanto andam as acusações infinitas e mal investigadas.

Mas a burrice é não perceber os interesses por trás de tudo o que aconteceu! Nunca foi e nunca  e nunca serão o povo! 

O problema esta em atrelar desenvolvimento industrial à prosperidade da nação. O industriário não se importa com o povo, ele quer apenas o lucro. O capitalista não quer saber se há igualdade na sociedade, ou se as pessoas estão felizes, ele só quer ganhar cada vez mais. Uma indústria rica e forte não significa riqueza para a sociedade, significa riqueza para seus donos e exploração da população e de seu trabalho. 


Qual o sentido de viver? Trabalhar incansavelmente, perdendo suas horas de vida dentro de uma indústria para consumir coisas das quais não precisa? Essa pergunta não é tão simples quanto parece, ela define a sociedade. quem tem como conceito de felicidade o compartilhamento de momentos, tempo para fazer o que da prazer, tempo para uma vida de maior qualidade, compreende que isso só é possível em uma sociedade em que todos tenham essas necessidades supridas, uma sociedade igualitária. Não é com indústrias que conseguiremos isso, não é valorizando o capitalismo selvagem. Não é também nas formas de supostos comunismos que foram implantados em alguns países, mas que eram apenas uma outra forma de se deter o poder e o capital. 

A burrice, é não ver que, aqueles que deram o golpe, só estão interessados neles mesmos e na corja que detém o poder, o capital. Eles querem continuar com o poder, eles querem continuar explorando as pessoas para continuarem com o privilégio "divino" que tem. Todos só querem levar vantagem. Destruir a saúde gratuita, só beneficiará aos donos de planos de saúde; acabar com a universidade gratuita só beneficiará aos donos de faculdade e aos filhos dos donos de tudo que poderão entrar nelas; acabar com os direitos trabalhistas, só beneficiará aos industriários e a todos que tem funcionários, e levará o resto da população para o mesmo lugar em que estava há alguns anos, à lama. Diminuir o acesso à internet, só beneficiará aos donos de telefonias e provedores de acesso, que estão falindo, e manterá os pobres longe das informações.

É muita burrice pensar que a desigualdade é a melhor opção. Quase toda a a violência e a infelicidade são geradas pela desigualdade. Isso desequilibra toda a sociedade, prejudica a todos, não só ao povão.

É burrice pensar que não há nada nem ninguém articulando para desestabilizar o governo, para deixar o país em crise e não se transformar em uma das potencias do mundo. É burrice pensar que a televisão é isenta. É burrice pensar que tudo é vontade do povo, que não sabe nem a hora que está com fome. É burrice não ver como fomos manobrados e como o Brasil é fruto da manipulação das elites. É burrice não ver o que o Brasil poderia representar no mundo e o que isso poderia causar para outras nações, especialmente as que já estão no poder mundial; é burrice pensar que "os outros" não vão perder tempo com o Brasil. É burrice cultivar essa lenda de complexo de vira-latas e de jeitinho brasileiro. 



Resumindo:

-Estados Unidos sempre invadiu e destruiu países para continuar com todo o poder;
-Globo foi fundada com a a ajuda de capital americano;
-A Globo articulou em benefício dos governos que a favoreciam;
-A Globo ditava as regras, a moda, os gostos e a maneira de pensar do brasileiro;
-O Brasil descobriu o pré-sal;
-Os governos Lula/Dilma se tornaram cada vez mais ameaçadores às elites;
-Os governos Lula/Dilma investiram pesado na educação,  ajudando a mudar o perfil e a mentalidade do brasileiro;
-O Brasil vinha como promessa de se tornar uma grande potência dentro da América do Sul;
-Os EUA são o país que mais gasta energia no mundo;
-As elites brasileiras cultivavam um descontentamento pelas mudanças sociais que estavam ocorrendo;
-Os grandes capitalistas, como sempre, e contudo, os estrangeiros, estão de olho nas riquezas brasileiras;
-Corrupção, especialmente na Petrobras, sempre existiu, mas só veio à tona neste governo, para desestabilizá-lo e convencer a opinião publica de que a gestão pública é inadequada para tal empresa, sendo melhor a privatização. 
-Golpe da elite capitalista e retrocesso de todas as conquistas e progresso que o país estava vivendo;
-Lama.

Muitas coinscidências, não?

E para terminar:

#FORATEMER !!!!!!!


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