segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Relacionamentos zumbis


Eu tenho medo. 

Na minha adolescência, não existia internet. Existiam jogos, vídeo games, fliperamas e televisões. Eu passava a maior parte do meu tempo assistindo a filmes e relendo os poucos livros que tive a sorte de ter em minha casa. A minha imaginação era fértil, sonhava em ser atriz de Hollywood, com príncipes encantados e com a paz mundial. Acreditava que o ser humano era bom. Graças a Deus, ou não, cresci.


Hoje, tanto as crianças, quanto os adultos, vivem conectados o tempo todo em redes sociais. Não sabemos ainda dizer quais consequências isso terá no futuro, mas talvez, a TV, os livros e os jogos também tenham causado esse desconforto no início, esse medo de que as pessoas se tornassem alienadas, se esquecessem do mundo real e de como viver nele. O fato é que essas atividades eram diferentes, uma hora ou outra, as pessoas fechavam os livros e desligavam as TVs, mas hoje, elas não se desconectam das redes sociais. A vida acontece na internet, as pessoas ficam ansiosas em compartilhar, dividir, fazer parte de algo e terem aprovação alheia. É uma fome insana de reconhecimento e de suposto conhecimento, que vem de todas as fontes. Grande tempo é perdido na navegação desses dados, muitas vezes, insignificantes. 

Tenho medo pelos meus filhos... Todos eles ficam conectados 24 horas, com os olhos grudados nas telas, batendo papo, compartilhando, jogando, pesquisando, vendo vídeos... E só isso fazem na vida. Viajam por mundos irreais, adquirem pedaços de conhecimentos aqui e ali, engordando suas enciclopédias, mas não são capazes de se desligar das amarras, das dependências, de viver uma vida plena. Fico imaginando se saberão se relacionar e como serão esses relacionamentos. Saberão olhar um nos olhos do outro e dizer o que realmente estão pensando? Ficarão em paz em ficar desconectados por algumas horas, vivendo a vida real, "entediante e sem perspectivas"? Como serão esses relacionamentos, se em suas rotinas, nada fazem além de interagir pela internet? Será que se casarão? Como viverão? Cada um, num canto com seus aparelhos?


Eu não sei, porque já nem sei hoje como viver com toda essa tecnologia. Eu sei que um relacionamento precisa de tempo e de qualidade; tempo para que ambos sintam-se confortáveis em estar juntos e para que tudo possa ser dito com naturalidade, sem a ansiedade de se precisar estar conectado, como se tudo o que acontecesse na rede fosse mais importante que qualquer outra coisa, que qualquer ser humano que estivesse em sua frente. Qualidade, quer dizer relaxamento, estar inteiro para aquele momento, pronto para viver as pequenas coisas que a vida real puder trazer, para criar esses pequenos momentos, e não, ao contrário,  ficar criando fotos dos falsos momentos em que sequer se esteja inteiro, ou textos de efeito para ganhar "likes" de desconhecidos. Qualidade quer dizer verdade. Verdade quer dizer estar de verdade, com verdade e com vontade.



O pior de tudo é que isso é visto com normalidade, porque todos querem continuar com suas atitudes viciantes. É normal hoje andar digitando em um celular, como se nada pudesse ser dito depois. É normal ir se encontrar com as pessoas e deixá-las falando sozinhas, porque você precisa ver o que está acontecendo no Facebook, Instagram, Twitter ou outro raio de rede. É normal que, no momento mais emocionante de um acontecimento, você precise pegar o seu celular, registrar e postar imediatamente para que todos vejam como você é feliz. É normal ficar conectado 24 horas por dia, como se isso fosse a vida, e o pior é que está se tornando a vida.

Eu tenho medo. Eu quero voltar ao tempo em que nós vivíamos uma vida de verdade, plena e podíamos recorrer a outros recursos para enriquecimento pessoal ou para interação com os que estavam perto, como fazíamos com a TV, os jogos, e os livros. Um tempo em que a pessoa real era prioridade. Um tempo em que tínhamos controle sobre nós mesmos.




segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Por que ler comentários das postagens?

     Para acabar com a sua fé na humanidade...
    Ao ler essa matéria sobre o Impeachment da presidente Dilma (Queda de Dilma é golpe de Estado ou farsa), me deparei com alguns comentários (nunca faço questão de ler, porque passo mal), e, como disse nos parênteses, passei mal. Vejamos alguns:
  1. fanette

    Se e farsa , ela esta contida na constituição , e o lula a usou para tirar Collor da présidencia de quem ele tinha perdido no voto . Lula tentou tambem com Itamar Franco e FHC , mas nao deu certo ...

    Ahn?
    1. dalton-abreu

      fanette, quem tirou Collor do poder foi a Rede Globo, que o havia colocado lá, e os próprios coxinhas, que ficaram furiosos porque no primeiro dia de mandato Collor capou todo o dinheiro que os brasileiros tinham no banco. E quem tinha dinheiro no banco? Bem... 90% eram coxinhas! A única pessoa que tinha dinheiro no banco e não tomou prejuízo, porque sacou todo o dinheiro, um dia antes, foi a avó da Zélia Mello, que era Ministra da Fazenda e orquestrou o rapa da poupança. Sozinhos, o Lula e o PT jamais teriam conseguido o impeachment de Collor! rsrs

      Bem lembrado... tempos difíceis...
    2. pikudo

      mas a extrema direita em breve tomará conta da frança e da europa ! graças a deus ! e ainda tem o trump...

      Jesus! O cara está falando sério?
    1. pikudo

      mas a direita retomará a frança em breve. a frança a europa e o mundo. é a vontade do povo e a vontade de deus.

      Vontade do capeta.
    2. dalton-abreu

      Eduardo e Itamaraty em Chamas, em -primeiro lugar, esclareço que não sou comunista, mas Social Democrata. País bom, pra mim, não é a Venezuela, nem Cuba, nem os Estados Unidos, mas a Suécia, a Noruega, a Dinamarca. E o PT, hoje, é o verdadeiro representante da Social Democracia no Brasil, e não o PSDB que aliou-se ao DEM (ex-PFL> PDS >ARENA). E saibam que na Suécia, os avanços tecnológicos existem, mas os suecos têm normas para a sua implantação gradativa, durante anos, até que toda a mão-de-obra substituída pelas máquinas tenha conseguido readaptar-se em outras funções. Aqui, meus caros, vigora o capitalismo selvagem, onde alguns têm o céu e outros o inferno. E é justamente esse pessoal egoísta, ambicioso, insensível e cruel que alimenta os líderes radicais como Lênin, Stálin, Pedro Stédile, ou simplesmente bandidos como Fernandinho Beira-Mar. A classe dominante brasileira ainda acredita que poderá viver no Paraíso, tendo o Inferno ao seu redor!

      Adorei o final, disse tudo! Bem estar individual só é possível com bem estar social, igualdade de direitos e oportunidades.
  2. gfbragagnolo767424762


    O tal de Le Monde deveria se preocupar com as coisas que acontecem por lá e não vir dar pitaco nas coisas de cá. LE MONDE, não é nem golpe e muito menos farsa. Sabem porque? Este julgamento é chancelado pelo ministro presidente do STF. Seria ele também um golpista ou farsante? Já ouviram falar em constituição federal? pois deviam, para não vir aqui falar em abobrinhas!

    "Ministro presidente do STF", sei.
    1. Salvati

      O que me intriga é que esses le mondes da vida, tem correspondentes aqui neste BRASILZão! será que eles não enchergam os mestragos que foram feitos no País por essa esquerda corrupta,juntamente com boa parte de idiotas da direita! será que essa direita, estava pensando que sendo implantado o projeto de poder dos esquerdopatas (que eles estavam ajudando a implantar) eles seriam afinal chamados para fazer parte da cúpula? Como se diz na gíria, iriam ficar por cima da carne seca? Vão ser burros assim lá no inferno.

      Burra foi a esquerda de se vender ao esquema  para permanecer no poder.
    2. Johnny Go

      O Le Monde é um dos jornais mais importantes do mundo e não poderia se furtar à analise de um fato tão importante. O STF chancelou apenas o rito jurídico. Não se manifestou (ainda) sobre o mérito. No mérito, Dilma não cometeu crime. Creio que até os defensores do impeachment reconhecem isso. O pretexto fiscal para imputar a presidente não vale um tostão. Não se sustenta. Por isso é golpe. E vai custar caro aos brasileiros, não pensem que isso é uma questão trivial.

      Verdade, "Johnny Be Good"... Vai custar caro, e tomara que todos os que defendem esse golpe contra a democracia não façam parte da elite, o choro será mais forte, e quem sabe, os olhos se abram sobre todos os interesses envolvidos nos últimos acontecimentos... Ou, talvez não. Triste. 


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O homem cru


O ser humano nasce cru, e nele, qualquer semente pode ser plantada; a evolução humana é uma concepção que leva em consideração o meio em que o ser humano vive, menos até que sua capacidade física e/ou cerebral. Esse conceito, evolução, também depende de quem o aplica e dos valores adquiridos ou plantados dentro de um sistema de crenças.

Segundo o Dicionário Online de Português, evolução é:

Teoria de acordo com a qual as espécies sofrem alterações pela ação das mutações e pela seleção natural: evolução das espécies. 
Progresso; processo em que há modificação constante e progressiva, alterando um estado ou uma condição.
Desenvolvimento; tudo aquilo que se relaciona com a melhoria ou com o crescimento em determinada área. 
[Medicina] Sucessão das manifestações de uma doença. 
[Astronomia] Movimento constante efetuado por um corpo celeste ao redor de outro.

O ser humano, de acordo com as teorias científicas, sofreu evolução física até se encontrar no estado em que está hoje, com capacidade intelectual supostamente superior a de todas as outras espécies terrestres. Evolução também é sinônimo de desenvolvimento tecnológico, assim como de riqueza, já sabiam os países ditos "evoluídos e desenvolvidos" . Porém, se considerarmos evolução como sendo uma alteração do estado humano dentro de uma sociedade, levando em conta a maneira como ele se relaciona e a capacidade de fazer julgamentos, veremos que não existe tal evolução e que talvez ela nem seja possível, pois não parece, até então, ser inerente a algum desenvolvimento físico do ser humano. Estou considerando aqui a evolução como uma capacidade de se portar e se postar no mundo, ou seja, o desenvolvimento de uma consciência mais ampla sobre o funcionamento do próprio ser humano e de sua organização enquanto ser humano dentro de um contexto social.

O que quero dizer é que o homem que nasceu na idade média é o mesmo que nasce aqui, e o que ele se torna, depende do que será plantado nele. A história serve para que conheçamos alguns mecanismos dentro da sociedade, para nos ajudar a refletir sobre o que é importante, sobre as armas de dominação e sobre o que já foi feito em nome do poder; nos ajuda a compreender sobre nós mesmos e por que estamos em um mundo como o que estamos hoje. Porém se essa história for apagada, deturpada, contada apenas pelos vencedores ou pelos perdedores, se essa história não mais interessar, o ser humano será cru como o homem de Neanderthal, questionando sobre as mesmas coisas que este questionava e se encantando com os mesmos artifícios que nossos índios se encantaram quando foram ludibriados e massacrados.

O homem precisa de segurança, de rumo, de conforto, e de forma fácil, sem que precise se esforçar em questionamentos que, ao contrário, não trazem certezas, muito menos conforto. O homem cru se encantará facilmente por ideologias que lhe pareçam confortantes e lhe deem sentido, o homem cru lutará por sua certeza até a morte. O homem, qualquer um deles, precisa e deseja conforto e segurança, mas o homem cru não fará esforços para entender o que venha dizer contra suas certezas, que baseiam seu conforto e segurança.

A qualquer momento, ideologias reconfortantes com suas certezas podem emergir, depois que os livros forem queimados e todo o conhecimento for camuflado, deturpado, manipulado ou extinto, por que o homem não nasce com nenhum conhecimento, só nasce com suas necessidades básicas, e nele tudo pode ser escrito. Neste sentido, o homem não evoluiu. O homem continua o mesmo de séculos atrás, capaz das mesmas atrocidades, dos mesmos julgamentos e das mesmas asneiras que já dizimaram milhões de outros seres humanos, não trazendo nenhum benefício para a humanidade (desenvolvimento tecnológico sempre acontece depois de grandes catástrofes, mas até que ponto o desenvolvimento tecnológico pode ser considerado sinônimo de evolução e desenvolvimento humano?).

O homem nasce cru, e muitos permanecem crus, com seus cus camuflados, disfarçados, se preocupando com os cus alheios, num claro processo de involução humana. Não estamos livres de holocaustos, guerras santas, massacres, genocídios, e coisas do gênero. Não estamos livres da crueza e da crueldade humana, e as tendências mundiais atuais estão nos mostrando claramente isso: A verdade nua e crua.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Aluno da UFOP conta sobre a sua experiência no Ciência sem Fronteiras

Castelo Neuschwanstein - Alemanha
Diante da última notícia, a de encerramento do programa Ciência sem Fronteiras, e do bombardeamento  de outras medidas que diminuíram drasticamente as verbas para a educação, se torna importante registrar o depoimento de um aluno da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) que foi beneficiado. Quem fala é Samuel Carlos, estudante de Ciência da Computação:


Qual o seu nome e onde mora?
Eu me chamo Samuel Carlos e moro em Mariana


Para qual país e qual universidade você foi? Quando foi?
Fui para a Holanda. Estudei na Windesheim University of Applied Sciences, entre Agosto/2015 e Julho/2016. 


Como foi o processo de seleção? Teve alguma dificuldade?
O processo seletivo deste edital foi um tanto diferente do normal para o CsF, já que ele é uma parceria entre a UFOP e Windesheim para alunos da computação. A primeira etapa é a realização de uma prova de proeficiencia em inglês, que foi realizada por 13 alunos para preencher 5 vagas. Destes 13, apenas 6 foram aprovados com a nota acima do mínimo aceitado (5 em 10). Então a segunda etapa é uma avaliação de currículo lattes de cada aluno, onde cada coisa tem um peso diferente (estágio e experiência professional com laboratórios da UFOP têm peso maior que um coeficiente acadêmico muito alto). Sendo assim, não tive dificuldades em ser aprovado, dado que já possuía tanto um estagia quanto experiência em alguns laboratórios.


Qual foi o objetivo maior desse intercâmbio?
O objetivo maior era a aproximação da UFOP com a Holanda e a “troca de especialidades” para finalizar projetos já existentes em ambas as universidades. Os laboratórios da UFOP são muito bons em desenvolver um produto e a Windesheim é muito boa em transformá-los em um produto de fato, pronto para a venda.


Como foi a chegada ao país novo?  Essa foi sua primeira experiência internacional?
A chegada a Holanda foi bem mais tranquila que o esperado. A cidade onde moraria se chama Zwolle e fica a cerca de 120 km de Amsterdam, que foi onde meu voo chegou. Logo no aeroporto tomei um trem para Zwolle com bastante facilidade (o inglês é praticamente o segundo idioma do país, então nunca tive problemas com informações devido a língua) e cheguei a cidade em 1 hora e meia. Como cheguei razoavelmente cedo, por volta das 3 horas da tarde, apenas deixei minha mala no apartamento, saí para explorar a cidade e encontrar supermercados, lanchonetes, etc. Sim, essa foi minha primeira experiência internacional.



Onde ficou?
Fiquei em um prédio reservado somente a estudantes nacionais e internacionais. 


Qual era a ligação das atividades em que foi inserido com o curso que estava fazendo na UFOP? 
Bom… era basicamente a execução prática de toda a teoria que estudamos na UFOP com foco no empreendedorismo. 


Como foi o relacionamento com as pessoas e a cultura do local?
O relacionamento foi muito bom. Os holandeses são extremamente educados e organizados, sempre te tratam de uma forma bem cortês e havia também um grupo de bolsistas da universidade, chamado SUN (Students United in Netherlands), designado para dar suporte e desenvolver atividades de integração a todos os alunos internacionais. A cultura deles é muito diferente da nossa em quase todos os aspectos. Creio que o que me causou maior espanto é o fato de não almoçarem nada além de sanduiches e pães com tudo que se consegue imaginar dentro, e de serem muito diretos e sinceros. Se existe algo que um amigo ou parente teria receio em te dizer sobre você, um holandês irá te dizer sem pensar duas vezes. Eles também são muito organizados e honestos, algo bem difícil de se encontrar em outros lugares do mundo. Acima de tudo, a melhor parte da cultura holandesa é o uso de bicicletas para qualquer coisa, sejam compras, passeio, levar as crianças e animais pra passear, ir trabalhar, etc. Devido a isso, não se vê muitos carros e poluição no país, mesmo nas grandes cidades.


Como foi a comunicação?
A comunicação foi bem tranquila. Como dito anteriormente, todos falam inglês fluente na Holanda, desde o mendigo local até os doutores da universidade. A principio tinha um pouco de receio ao conversar em inglês por não ser tão bom assim, mas após as primeiras semanas tudo ficou mais fácil.

Kinderdijk - Holanda
Quais lugares pode conhecer?
Na Holanda tive a oportunidade de conhecer varias cidades, como Amsterdam, Rotterdam, Utrecht, Gronigan, Arnhem, Giethorn, Hengelo… Fora isso, pude visitar a Alemanha, Bélgica, França, Itália e Inglaterra.


Quais as maiores dificuldades que você enfrentou nessa jornada?
As maiores dificuldades que tive aconteceram ainda no Brasil, na parte burocrática do processo. A liberação das bolsas atrasou muito, os pagamentos também demoraram, tive pouco tempo para providenciar milhões de documentos e encontrar uma passagem dentro do valor que o governo nos dá para isso, etc. Na Holanda, as unicast dificuldades foram me acostumar a passar 1/3 do ano sob chuva e o frio rigoroso no inverno.



O que foi mais valioso nessa experiência para a sua vida pessoal e profissional?
Creio que tudo me foi muito valioso. Pessoalmente, penso que me tornei uma pessoa bem mais independente, por conseguir me virar sozinho durante 1 ano em um país totalmente diferente do meu, e mente aberta, pela convivência diária com pessoas de todos os continentes. Profissionalmente também cresci bastante, tive a oportunidade de realizar uma das disciplinas em uma empresa onde fui incluso nas práticas das grandes empresas de tecnologia do mundo e pude lançar dois aplicativos móveis “comerciáveis”. 


Quando voltou, e por quê?
Voltei na ultima semana de Julho… e, sendo sincero, somente voltei porque era obrigado a tal pelo contrato do CsF.


Se não existisse o programa, qual seria a sua expectativa de viver uma experiência como esta?
Creio que jamais viveria uma experiência exatamente como essa se não fosse pelo CsF. Talvez me mudaria a trabalho para o exterior após me formar, porém nunca iria como estudante , não teria dinheiro para tal. 


Qual a sua opinião sobre o programa e sobre o fim deste?
Acredito que o programa, em sua essência, é muito bom. A experiência de aprendizagem e desenvolvimento pessoal que ele nos proporciona é excepcional. O problema do CsF é a falta de um monitoramento mais rigoroso e um sistema de seleção mais efetivo por parte do governo. Confesso que pra mim seria muito fácil deixar os estudos em segundo plano e usar todo o investimento para viajar ou outras atividades do tipo. Fico triste com o fim do programa, creio que ele deveria apenas ser reformulado e, no retorno, o governo deveria providenciar as mesmas condições de estudo e pesquisa que os bolsistas têm no exterior, para incentiva-los a permanecer aqui e melhorar o país. 


O que você pensa sobre o cenário político atual?
Pra falar a verdade, eu não entendo muito de política. O que penso do cenário atual é que independente do resultado da briga entre Dilma x Temer, nada vai melhorar até que saiam ambos da presidência. ***






Por dentro do Ciência sem Fronteiras


O que é?

Programa de intercâmbio com universidades estrangeiras, promovido pelo governo federal, que concede bolsas de estudo a alunos de graduação e pós-graduação matriculados em universidades públicas e privadas. 


Quem pode concorrer a uma bolsa de graduação?

Brasileiros ou nacionalizados que estejam regularmente matriculados em cursos relacionados às áreas prioritárias do Ciência sem Fronteiras, tenham concluído de 20% a 90% do currículo, tenham bom desempenho acadêmico e tenham atingido nota de no mínimo 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio. Alunos que receberam prêmios em olimpíadas científicas ou bolsistas de iniciação científica ou tecnológica do CNPq ou da Capes terão preferência. 


Áreas prioritárias

Engenharias e demais áreas tecnológicas; Ciências Exatas e da Terra; Energias Renováveis; Tecnologia Mineral; Formação de Tecnólogos; Biotecnologia; Petróleo, Gás e Carvão Mineral; Nanotecnologia e Novos Materiais; Produção Agrícola Sustentável; Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais; Fármacos; Biodiversidade e Bioprospecção; Tecnologia Aeroespacial; Ciências do Mar; Computação e Tecnologias da Informação; Indústria Criativa (voltada a produtos e processos para desenvolvimento tecnológico e inovação); Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva; Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde. 


Benefícios

Mensalidade de bolsa; auxílio instalação; passagens aéreas; auxílio material didático, seguro saúde e adicional para cidades de alto custo. 


Quanto dura

12 meses, podendo chegar a 15 se incluir curso de idioma


Onde estudar

As universidades estão entre as escolhidas por rankings internacionais, como o Times High Education e o QS World University Rankings. Fonte: Carta Capital





O programa divide opiniões, dúvidas foram levantadas sobre a sua finalidade e efetividade, como demonstra muito bem este editorial do estadão, que deixou claro a tendência mercadológica do jornal ao dizer quais deveriam ser as prioridades do conhecimento a serem contempladas:


"Em vez de selecionar alunos de áreas técnicas em que o Brasil carece de especialistas, especialmente no campo das ciências exatas e biomédicas, o programa financiou indiscriminadamente estudantes de quase todas as áreas do conhecimento – inclusive publicidade e comunicações."


O fato é que muitos, que talvez nunca pudessem vivenciar uma experiência como esta, foram beneficiados e aproveitaram ao máximo; o desejo é que o cenário atual mude e que programas que visem o aperfeiçoamento pessoal e profissional de brasileiros que necessitem de tais iniciativas sejam melhor planejados para que a maioria tenha ganhos reais para si mesma e para o país em que vivemos.


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